Com salários mais alto do país, donos de cartórios recebem até 580 mi

Publicado em   11/ago/2025
por  Caio Hostilio

Associados a fila, papelada e taxas, cartórios são uma obrigação da vida adulta de que se tenta fugir, e isso acontece em todo o mundo.

Na maioria dos países, registros civis —nascimento, óbito e casamento— são feitos pelo Estado, às vezes de graça, outras não.

Na Suécia, o controle é todo estatal. O sistema é digital, gratuito e centralizado na Receita, em que todos os dados do cidadão são integrados via identidade eletrônica (leia mais aqui).

O registro de imóveis é feito por uma agência estatal, com taxa fixa e acesso público: qualquer pessoa pode consultar quem é o proprietário de um bem.

Como em outras partes do mundo, há notários na Suécia para dar fé a autenticações e traduções, com cobrança de taxas (uma autenticação custa cerca de R$ 290), mas a digitalização já reduziu boa parte da burocracia.

No Brasil, registros civis, de imóveis e atos notariais passam por cartórios privados.

Nosso país também se diferencia dos demais por décadas de privilégios consolidados.

Isso permite a seguinte situação:

Ao menos 27% dos cartórios brasileiros são administrados por pessoas que não prestaram concurso, muitas vezes acumulando remuneração altíssima;

Há pressão do setor para reajustar taxas, de modo que uma porcentagem delas (ou até o total) seja destinada a penduricalhos e benesses a funcionários públicos;

A falta de padronização nas cobranças onera muito mais do que deveria cidadãos de alguns estados.

Enquanto tabeliães defendem que um sistema estatal seria pior, críticos apontam que o modelo é um legado patrimonialista de Portugal.

Até 1988, muitos cartórios eram ocupados por indicações políticas.

A Constituição determinou concurso, mas um terço das vagas ainda é destinado a quem já atua como cartorário.

“Retificar o gênero de uma pessoa, por exemplo, é um direito. Mas, para retificar, você precisa pagar. É uma cidadania paga”, diz a tabeliã Carla Watanabe.

Leia a reportagem completa na UOL

  Publicado em: Política

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