Lula é contra a anistia; mas ela pode salvá-lo também

Publicado em   05/set/2025
por  Caio Hostilio

Em um governo considerado um “museu de grandes novidades”, petista só tem uma alternativa: apostar na polarização democrática

Lula é contra a anistia; mas ela pode salvá-lo também

Lula não sabe mais o que fazer para impulsionar sua claudicante popularidade. Já liberou dinheiro para adolescentes (por meio do programa Pé-de-Meia), já fez uma campanha pela soberania brasileira, agora investe na distribuição eleitoreira de botijões de gás para aproximadamente 15,5 milhões de famílias – o governo fala na liberação de 65 milhões de botijões de gás com custos de 5,1 bilhões de reais em pleno ano eleitoral -, mas nada, nada seria tão efetivo quanto uma eventual anistia a Jair Bolsonaro (PL).

“Outra coisa que nós temos que saber, se for votar no Congresso, nós corremos o risco da anistia. O Congresso, vocês sabem, não é um Congresso eleito pela periferia. O Congresso tem ajudado o governo, o governo aprovou quase tudo o que o governo queria, mas a extrema-direita tem muita força ainda. É uma batalha que tem que ser feita também pelo povo”, declarou o petista.

Uma fala para inglês ver e incitar a militância. Há uma distância abissal entre o que um político fala e o que ele pensa. Lula sabe que a anistia a Jair Bolsonaro teria o potencial de alavancar a sua própria candidatura presidencial, tida hoje – em circunstâncias normais de temperatura e pressão – como natimorta.

O eleitor, e costumo reiterar isso em O Antagonista, é movido por dois sentimentos: esperança e medo. Há muito, o governo Lula não consegue mais nutrir esperança nos brasileiros. A gestão Lula 3 é um museu de grandes novidades. Em quase três anos de gestão, Lula não conseguiu imprimir uma marca para chamar de sua. Nada revolucionário. Nada de impacto.

Sem nutrir esperança no eleitor, caberia a Lula nutrir… o medo. O medo de um golpe, um medo de uma tomada de poder à força, o medo de uma virada de mesa. E eis que entra Jair Bolsonaro. Com Bolsonaro eventualmente livre para concorrer em 2026, Lula teria seu antagonista e poderia, novamente, reeditar o discurso batido de que ele é o verdadeiro defensor da democracia brasileira.

Agora a pergunta que fica é: o eleitor brasileiro assinaria, novamente, um cheque em branco para Lula mesmo sob um eventual risco Bolsonaro?

Por o antagonista

  Publicado em: Política

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