Ex-assessor do ministro no TSE foi ouvido pela comissão da Câmara no âmbito do processo de cassação da deputada federal licenciada
O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes Eduardo Tagliaferro disse nesta quarta-feira, 17, que quando era chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no TSE, o ministro pedia à unidade um monitoramento das redes sociais da deputada federa licenciada Carla Zambelli (PL-SP).
“A deputada Carla Zambelli era um dos principais nomes solicitados pelo ministro Alexandre de Moraes, através dos seus juízes auxiliares, para que tudo que ela postasse fosse monitorado, feito o relatório, para que ele tomasse providências”, pontuou Tagliaferro.
“Ela e outras pessoas, era ela e mais três ou quatro pessoas, entre parlamentares e influencers, para que fosse feito como se fosse um pente-fino. Ficasse sempre alguém à disposição para estar observando as redes dela. Esse trabalho era feito por servidores do próprio gabinete”.
Em 22 de agosto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou Tagliaferro ao STF pelos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O ex-assessor é investigado pelo vazamento de mensagens trocadas entre servidores do gabinete de Moraes no STF e no TSE. Segundo a denúncia, entre maio e agosto do ano passado, Tagliaferro “violou sigilo funcional e embaraçou as investigações ao revelar à imprensa e tornar públicos diálogos sobre assuntos sigilosos que manteve com servidores do STF e do TSE na condição de assessor-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação”.
Para a PGR, o ex-assessor de Moraes aderiu às condutas da organização criminosa investigada nos inquéritos da suposta trama golpista, das fake news e das milícias digitais, e selecionou diálogos para tentar interferir na credibilidade das investigações.
O Ministério da Justiça enviou o pedido ao Itamaraty, que deverá formalizá-lo junto ao governo da Itália, onde o ex-assessor reside.
Tanto ele como Zambelli falaram por videochamada na reunião da comissão hoje.
Por o antagonista
Publicado em: Política



