Antes de a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão resultar na ação policial mais letal da história do país, investigadores já descreviam uma engrenagem criminosa que se fortalecia longe dos olhos do Estado.
Provas reunidas ao longo de meses detalham como o Comando Vermelho (CV) transformou a região da Zona Norte em um território sob controle armado permanente, onde cada rotina cotidiana, da abertura de um comércio até o horário das aulas, podia ser interrompida por determinação do tráfico.
A apuração conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com autorização judicial, mostrou que a facção escolheu estabelecer pontos de vigilância armada ao redor de escolas. A estratégia, segundo autoridades, tinha dupla finalidade: proteger rotas de fuga em incursões e ativar a pressão social quando confrontos policiais se aproximavam.
Nos dias mais tensos, bastava um disparo para que pais desesperados começassem a publicar vídeos de crianças abrigadas sob carteiras. Esse impacto imediato nas redes funcionava como barreira psicológica para a entrada das forças de segurança, uma forma de impedir ou retardar operações.
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