Carta do secretário-executivo da entidade cita invasões, insegurança, calor extremo e problemas logísticos no evento sediado em Belém
A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do braço da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), exigiu que o Brasil desenvolva um plano imediato para lidar com sérias falhas de segurança e condições estruturais inadequadas na COP30, sediada em Belém. Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, enviou uma carta ao governo federal detalhando as vulnerabilidades críticas identificadas no local do evento.
O secretário-executivo criticou as autoridades brasileiras por uma falha de segurança ocorrida em uma terça-feira à noite, quando ativistas invadiram a área da conferência. Cerca de 150 manifestantes acessaram o espaço, danificando propriedades e ferindo agentes de segurança.
Stiell relatou que, apesar de as forças de segurança e a estrutura de comando necessárias estarem no local durante o incidente, elas “não agiram”. Ele ainda afirmou que policiais não dispersaram outros manifestantes que estavam na manhã seguinte dentro de uma zona restrita, onde tais ações civis são proibidas.
Um porta-voz da UNFCCC se recusou a comentar o conteúdo da carta, mas assegurou que “medidas rápidas foram tomadas para resolver os problemas à medida que surgem”. Stiell reafirmou na comunicação que o objetivo comum é assegurar que a sede da conferência continue a refletir a segurança, o profissionalismo e a inclusão que se espera de um evento da ONU de importância global.
Além das questões de segurança, Stiell listou diversos problemas de infraestrutura que exigem “intervenção imediata” para “salvaguardar o bem-estar dos delegados e da equipe”. Foram destacadas as altas temperaturas e a inadequação dos sistemas de ar-condicionado.
O secretário afirmou que já foram registrados “casos de problemas de saúde relacionados ao calor” devido aos sistemas de climatização inoperantes ou não instalados.
Delegados presentes no evento enfrentaram falhas logísticas, incluindo falta frequente de água nos banheiros e longas filas para alimentação. Foi também implementado um sistema de pagamento que exige a recarga de um cartão pré-pago.
A decisão de sediar a COP30 na Amazônia foi defendida pelo presidente para ressaltar a realidade das mudanças climáticas, mesmo com o conhecimento da infraestrutura precária e dos altos níveis de pobreza em Belém. No entanto, as dificuldades logísticas impediram que diversos líderes mundiais comparecessem à cúpula.
Publicado em: Política



