
Lula evitou mencionar a situação da Venezuela em seu primeiro discurso público nesta quarta-feira (7), após a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. A fala ocorreu durante a cerimônia de lançamento da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS), em Brasília, e teve foco exclusivo em temas da área da saúde.
Após retornar do Rio de Janeiro, Lula passou a cumprir uma agenda intensa de compromissos ao longo do dia no Palácio do Planalto. Entre os assuntos previstos estão reuniões para acertar os detalhes do ato em memória dos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes. Apesar do silêncio no evento público, auxiliares não descartam que o presidente trate da crise venezuelana em encontros reservados ao longo do dia.
A postura cautelosa contrasta com manifestações recentes do presidente sobre o tema. No último sábado (3), horas após a ofensiva militar norte-americana em território venezuelano, Lula utilizou as redes sociais para condenar a ação. Na publicação, o petista classificou os bombardeios e a captura de Nicolás Maduro como uma violação grave da soberania do país vizinho e um precedente perigoso para a ordem internacional.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu o presidente.
A posição do governo brasileiro também foi reiterada em âmbito diplomático. Na segunda-feira (5), durante uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil condenou formalmente a ação militar dos Estados Unidos, defendendo o respeito à soberania dos Estados e à solução pacífica de conflitos.
Nos bastidores, circulam especulações sobre uma possível iniciativa de Lula para dialogar diretamente com os principais atores envolvidos na crise. Há expectativa de que o presidente brasileiro possa entrar em contato tanto com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, quanto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O objetivo seria manter canais de comunicação abertos e reforçar o papel do Brasil como interlocutor diplomático em um momento de forte instabilidade regional.
Publicado em: Política



