Sempre que alguém descobre, nos subúrbios do caso Master, que Dias Toffoli aprontou alguma, o ministro se finge de morto. Com as vergonhas expostas em relatório da Polícia Federal, Toffoli divulgou uma nova nota. O texto ofende a inteligência alheia.
Toffoli admitiu pela primeira vez ser sócio da empresa Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá para um fundo ligado ao Banco Master. Mas alega que nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro e do cunhado dele, Fabiano Zettel. Ignora que odocumento da PF menciona mensagens em que Vorcaro trata dos pagamentos com o cunhado Zettel.
Toffoli sustenta que a lei permite que ele seja sócio de empresa familiar, pois não exerce funções gerenciais. Portanto, pode receber dividendos. O ministro é sócio oculto do negócio, uma sociedade anônima de capital fechado administrada pelos irmãos. Toffoli ignora manifestação da própria cunhada.
A empresa da família tem como sede uma casa humilde situada na cidade paulista de Marília. Nela, mora a família de José Eugênio Dias Toffoli. A mulher dele, Cássia Pires Toffoli, cunhada do ministro do Supremo, negou à reportagem do Estadão que seu marido tenha sido sócio do resort Tayayá. Ficou impregnada na conjuntura a percepção segundo a qual os irmãos são laranjas de Toffoli.
O ministro não se deu por achado. Insinua que não cogita abrir mão da condução do inquérito sobre o Master. Alega que os negócios de sua empresa com um fundo ligado ao banco ocorreram antes de assumido o posto de relator do caso. A nota de Toffoli parece supor que o Brasil é um país 100% feito de bobos. O brasileiro pode fazer muita coisa pelo Supremo, exceto papel de idiota. Espera-se que o tribunal respeite a si mesmo.
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