De acordo com a reportagem, a documentação sobre os dois grupos já foi finalizada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e passou pela análise de outras agências do governo americano. O processo segue o mesmo modelo usado anteriormente para classificar organizações como o Cartel de Jalisco Nueva Generación e o Tren de Aragua.
Após análise final do secretário de Estado Marco Rubio, o material ainda deve ser enviado ao Congresso e publicado no Registro Federal, etapa que pode levar cerca de duas semanas.
Ainda segundo o UOL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria pedido pessoalmente aos presidentes Javier Milei e Nayib Bukele apoio para que o governo americano avance com a classificação das facções como grupos terroristas.
A medida prevê consequências severas. Quando um grupo é classificado como Organização Terrorista Estrangeira, seus integrantes têm bens congelados nos Estados Unidos, ficam impedidos de acessar o sistema financeiro do país e não podem receber qualquer tipo de apoio material de cidadãos ou empresas americanas. A medida também impõe restrições migratórias e pode levar a sanções contra empresas que operem em áreas controladas pelos grupos.
O tema também tem mobilizado a diplomacia brasileira. O chanceler Mauro Vieira tenta dialogar com Marco Rubio para tratar do assunto, mas não havia confirmação até o momento de uma conversa entre os dois.
O governo Lula já manifestou oposição à classificação das facções como organizações terroristas. Segundo autoridades brasileiras, o PCC e o Comando Vermelho não possuem motivações políticas ou ideológicas, atuando apenas com fins lucrativos no crime organizado, o que não se enquadraria na definição de terrorismo.
Além disso, integrantes do governo avaliam que a medida poderia afetar a soberania do Brasil na condução de sua política de segurança pública e abrir espaço para ações mais duras dos Estados Unidos contra o crime organizado na região.
Apesar das divergências, Brasil e Estados Unidos negociam uma cooperação bilateral para combater o crime organizado, com foco no compartilhamento de inteligência para enfrentar lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas. O tema pode estar na pauta de um eventual encontro entre Lula e Trump em Washington, ainda sem data definida.