No final do ano passado, o governo do Piauí ingressou no STF com uma ação para tentar travar investigações sobre desvios na saúde
Dois meses após ter passado o réveillon com o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o ministro com “cabeça política” do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino concedeu nesta segunda-feira, 9, uma liminar para suspender quaisquer medidas adotadas por órgãos federais que possam impedir a continuidade dos serviços estaduais de saúde no Estado, mesmo quando eles estiverem sob investigação.
Dino foi designado relator desta ação em 11 de dezembro do ano passado. Menos de 20 dias depois, o ministro aparecue em fotos ao lado do governador do Piauí.
Mais do que isso: Dino ficou hospedado na Pousada Manati, ligada à família do governador.
O local pertence a Francisco Araújo Filho, sogro de Fonteles, e tem como administrador jurídico Danilo Araújo, cunhado do chefe do Executivo estadual.
“Ficamos muito felizes em encontrar o Ministro Flávio Dino e sua família no litoral do Piauí, em Barra Grande. Um dos homens mais inteligentes e íntegros da história do Brasil, com vasta experiência nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Um patrimônio do Povo Brasileiro”, disse Fonteles no post.
Esse está longe de ser o único caso controverso de Dino no STF.
Em abril de 2024, Luís Roberto Barroso, então presidente do STF, negou um pedido para que o colega fosse impedido de participar de julgamentos sobre os atos de 8 de janeiro.
Em março daquele mesmo ano, o ex-governador do Maranhão suspendeu o processo de escolha de um novo integrante para o Tribunal de Contas do estado, favorecendo diretamente seu antigo grupo político.
O ministro mais recente do STF também já impôs multa ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem batia boca até semanas antes da decisão, como ministro da Justiça do governo Lula.
É muito raro que os ministros do STF se declarem impedidos para participar de causas, e nisso Dino não se distingue de seus pares.
Publicado em: Política



