Imundice!!! Master declarou pagamentos a Temer, ACM Neto, Rueda e Lewandowski

Publicado em   08/abr/2026
por  Caio Hostilio

Relatórios da Receita enviados à CPI do Crime Organizado mostram pagamentos para escritórios de advocacia e consultorias de políticos

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, fez repasses milionários a escritórios e empresas ligadas ao ex-presidente Michel Temer (MDB), ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda, à família do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), ao ex-prefeito de Salvador (BA) ACM Neto (União Brasil), bem como aos ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

Os dados obtidos pelo Metrópoles constam nos relatórios da Receita Federal, enviados para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O escritório de advocacia de Temer, por exemplo, recebeu do Master R$ 10 milhões em 2025. Já escritórios de Rueda receberam R$ 6,4 milhões em 2023.

ACM Neto e Lewandowski

A empresa de consultoria de ACM Neto recebeu um total de R$ 5,4 milhões, de acordo com os documentos do Master, entre 2023 e 2025.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Justiça do governo Lula Ricardo Lewandowski também está na lista. O seu escritório recebeu R$ 5,93 milhões entre 2023 e 2025.

Duas empresas do grupo da família Massa, do apresentador Ratinho, pai o govenador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), receberam R$ 24 milhões de 2022 a 2025. Do total, R$ 21 milhões foram para a Massa Intermediação, de Ratinho, entre 2022 e 2025. O apresentador de TV era garoto-propaganda do cartão consignado do banco, o CredCesta. A Gralha Azul Empreendimentos e Participações, que é do grupo familiar, recebeu R$ 3 milhões em 2022.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que esteve nos governos Lula e Dilma, recebeu R$ 14 milhões por uma empresa de consultoria. Os repasses foram feitos entre 2024 e 2025. Henrique Meirelles, que foi ministro da Fazenda de Temer e presidente do Banco Central no governo Lula, recebeu R$ 8,6 milhões em 2025.

A empresa do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, recebeu R$ 3,8 milhões do Master em 2025.

Relembre o caso Master

  • A liquidação do banco Master foi declarada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 por “grave crise de liquidez”.
  • A primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso das fraudes financeiras envolvendo o Master e o BRB, foi realizada no mesmo dia.
  • Antes disso, em 3 de setembro, o BC havia barrado a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) pelas suspeitas de irregularidades.
  • Na primeira fase da operação da PF, em novembro, Daniel Vorcaro foi preso e liberado com tornozeleira eletrônica. Em março deste ano, o banqueiro foi preso novamente na terceira fase da operação.
  • Preso em Brasília, Vorcaro agora tenta um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF).

Outro lado

Ao Metrópoles, Wajngarten declarou que foi convidado para integrar a defesa do caso no ano passado.

“Conheci o Daniel Vorcaro no primeiro semestre de 2025, ano passado, apresentado por um dos advogados dele, ocasião em que me juntei ao time da defesa. Até o presente momento, continuo prestando serviço para ele”, declarou.

O ex-presidente Michel Temer declarou que prestou serviços jurídicos, mas divergiu do valor apontado na declaração do Master e disse que recebeu R$ 7,2 milhões.

Em nota, o presidente do União Brasil disse ao Metrópoles que não confirma informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita e que os serviços de advocacia prestados são “legítimos”.

Ao Metrópoles, Lewandowski afirmou em nota que já é “amplamente conhecido” que ele voltou para as atividades de advocacia depois de deixar o STF. E que, durante o período que esteve no governo Lula, parou de atuar como advogado.

A defesa do ex-prefeito de Salvador ACM Neto disse ao Metrópoles que os serviços foram contratados de maneira lícita, transparente, e devidamente prestados. Além disso, argumenta que a relação comercial foi firmada sem que qualquer dos sócios da A&M ocupasse cargo público.

Em nota, o Grupo Massa disse que o governador Ratinho Jr não faz parte do quadro societário das empresas Massa Intermediação e Gralha Azul.

O grupo alega ainda que, ao longo dos anos, construiu uma trajetória pautada por “práticas amplamente reconhecidas” e que sua atuação “não se confunde com a conduta de terceiros” com os quais manteve relações contratuais.

O ex-ministro Meirelles disse que teve contratos com o Master de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro.

“Mantive um contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025”, declarou.

Mantega declarou que quando assumiu contratos com o banco, não sabia de qualquer irregularidade e que sua consultoria era econômico financeira.

“Prestei consultoria econômica financeira para o Banco Master em 2024 e parte de 2025, mediante contrato formal , e emissão de notas fiscais, encerrado em agosto de 2025. Quando firmei o contrato não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade eventualmente cometida por essa instituição financeira”, argumentou.
Por Metrópoles

  Publicado em: Política

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