André (São Paulo – Luiz Nassif)
Superestrutura: há uma movimentação maior que os partidos e candidatos. Para resumir, grande parte do poder puro – grandes bancos e banqueiros, empresas transnacionais, grande mídia, etc., ou seja, a grande burguesia quer mudança de turno. Ainda que o partido no poder represente uma diferença muito diluída em relação à atual oposição, até por parte da “esquerda” no poder (PT) agir em sintonia com aqueles. Os partidos brasileiros, enfim, sabidamente não representam grupos de interesse distintos, mas estão como que sobre placas tectônicas: as fronteiras escondendo as verdadeiras divisões.
Os representantes políticos desse poder transitam de partido em partido, dada a influência (legítima e ilegítima/ilegal) do poder econômico no sistema político nacional. Não deveria espantar o movimento de demos a outros partidos, por exemplo, pois são falsas variações dentro do mesmo espectro.
Dito isso, é natural que Marina passe de partido em partido (Serra tenha alimentado boatos de se candidatar pelo PPS, etc.). Movida a rancor ou a ideais – parte dos quais foram automaticamente traídos ao embarcar em um “partido tradicional” dois dias depois de garantir sua fé na formação da Rede, o fato é que seu discurso aproxima-se cada vez mais do “velho”: de “sonhática” e “pós-política”, vem falando de “luta contra o chavismo petista” e “manutenção do tripé econômico”. Ora, ela está a desbotar a própria novidade que buscou encarnar.
Em busca da formação de uma “terceira via” inviável, pois ainda não há espaço político-econômico para tanto, o que o “poder puro” deseja é tornar a controlar o pouco que perdeu na última década. A movimentação atual é conhecida, busca-se diluição dos votos para garantir um segundo turno em que uma bala de prata possa, na hora derradeira, provocar a derrota dos “bandidos”.
A meu ver, a verdadeira novidade é que o PSDB, por conta de seu enferrujamento (Serra agindo como um forte agente oxidante), não é mais o representante óbvio do poder puro, aí a lógica do ingresso de conhecidos demos no PSB. Em uma espécie de “seleção natural”, o PSB se apresenta como “a verdadeira alternativa”, e a aliança Marina – Campos é a união da fome com a vontade de comer: ambos não querem esperar o pleito de 2018, ela por medo de desidratação, ele por temer ser preterido pelo PT daqui a 5 anos.
Aí entra outro fator: a capacidade do “poder puro” desprender-se de seu grande representante tradicional. Creio que o PSDB ainda não pode ser desbancado, e que o PSB será abandonado na estrada tão logo queira exceder seu papel. A Marina caberá, muito em breve, o espaço de “criadora de problemas” a Eduardo Campos, que não tem vocação para Roberto Freire, ou seja, de escada para que outros brilhem. E não vai demorar: quando Marina perceber que seu “frescor” se esvai, mais se esforçará para se mostrar “diferente” e manter a qualquer preço o capital político de que dispõe.
Nas eleições do ano que vem, a verdade é que o “novo” ainda não disporá de representantes. Já disse e repito: acredito em número recorde de votos em branco, mas não em mudança essencial no cenário.
No PSDB o jogo é conhecido: Serra versus qualquer um que lhe faça sombra. Para sorte do partido, sua influência está desgastada pelo uso excessivo. O Nassif já falou muito e bem do caminho que resta a Aécio, difícil para quem terá que lidar com um verdadeiro maníaco em suas trincheiras.
Dilma vai enfrentar, mais uma vez, a velha artilharia pesada: o PIG. Seja qual for seu candidato – e ainda dessa vez será um tucano – o inimigo é o PT.
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