Por que você esconde a desgraceira da saúde de São Paulo, seu estado, onde você trabalha, para deslocar até Tutoia, estado do Maranhão para fazer uma reporcagem sobre um município de difícil acesso?
Mas vamos clarear tua memória sobre o estado de São Paulo e de Santa Catarina… Faz uma reportagem, pois está tão pertinho de você!!!
58% dos hospitais públicos de SP têm macas no corredor
Fernanda Bassette – O Estado de S.Paulo
Mais da metade dos prontos-socorros públicos do Estado de São Paulo está superlotada – com macas espalhadas nos corredores -, não consegue transferir pacientes para serviços de referência, tem equipes médicas incompletas e não possui um médico responsável pelo plantão.
A situação precária das unidades de saúde foi constatada após fiscalização do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), entre fevereiro e abril deste ano, em 71 unidades (23 na capital e 48 em 35 cidades do interior) em uma única visita a cada uma delas. A amostra representa 10% do total de prontos-socorros do Estado e o critério de escolha foi o tamanho, a localização e as reclamações. Entre os 23 hospitais da capital, 6 são administrados por Organizações Sociais (OSs).
Um terço dos PSs não faz a triagem com a classificação de risco dos pacientes, o que atrasa o atendimento aos doentes realmente graves. Quase 60% das unidades sofrem com a falta de material básico (como jogos de pinça e aspirador elétrico) nas salas de emergência, que estão inadequadas em 30% dos serviços vistoriados.
Para o Cremesp, esse gargalo é reflexo do subfinanciamento da saúde pública e também da falta de uma rede básica de saúde estruturada e resolutiva, em que os pacientes consigam resolver os pequenos problemas de saúde no atendimento primário perto de casa, evitando idas desnecessárias aos hospitais.
“Os serviços de urgência e emergência são um grande e grave problema de saúde pública. Responsabilizamos as Secretarias de Saúde municipais e a estadual e o Ministério da Saúde pela falta de financiamento e gestão do sistema”, diz Renato Azevedo Jr., presidente do Cremesp.
Desumano. O levantamento mostra, por exemplo, que 57,7% dos hospitais fiscalizados possuem pacientes internados em macas no corredor – um dos piores indicativos. O tempo médio de permanência nessas condições é de cinco dias.
Para Gonçalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, essa é uma das consequências da falta de leitos especializados no atendimento de pacientes graves. “Ficar na maca por tanto tempo é desumano. Há locais onde sobram leitos, mas de baixa complexidade.”
O médico Bráulio Luna Filho, conselheiro do Cremesp, afirma que há pacientes morrendo em decorrência da precariedade. “Muitas pessoas deveriam ter atendimento prioritário e não recebem, não há recursos técnicos necessários, falta infraestrutura para exames. A população não tem alternativa.”
Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina, diz que os resultados quantificam um problema que se arrasta há muitos anos não só em São Paulo, mas em todo o País. “Essa percepção da calamidade nos PSs existe há muito tempo. A rede básica inadequada se reflete na qualidade desses serviços. E a falta de infraestrutura e de médicos é consequência da falta de investimentos.”
Agora, Caco Barcellos, veja a situação no Estado de Santa Catarina, cuja per capita é bem superior ao do Maranhão!!!
Deputados constatam situação precária do Hospital Regional de São José
Salas que deveriam servir para os primeiros socorros foram transformadas em locais de internação. No setor de reanimação da Cardiologia, há pacientes entubados, com equipamentos de respiração expostos para o lado de fora das janelas da unidade. Entre os pacientes, muitos idosos.
O vai e vem dos enfermeiros e médicos que se esforçam no meio de tanta gente doente foi interrompido com a visita surpresa dos deputados, motivada por mais de 100 denúncias, por meio do SindSaúde, anotadas em formulários assinados por funcionários do hospital que clamam por mais estrutura de atendimento.
“Em diversas visitas que realizamos aqui, nunca presenciei uma situação tão grave. Agora vamos fazer um relatório e cobrar do governo do Estado e da Secretaria de Saúde. O governo sempre nos escuta, apresenta propostas, mas nunca uma solução definitiva. Falta assistência básica nos municípios, o que aumenta a procura nos hospitais”, disse Morastoni, que preside a Comissão de Saúde no Parlamento.
Representantes do SindSaúde acompanharam a visita dos deputados, que mereceu atenção de toda a imprensa da região. Pedro Paulo das Chagas, presidente do sindicato, revelou que a principal reclamação dos funcionários é a falta de estrutura para atender tantas pessoas. Chagas não soube informar a quantidade de pacientes internados na Emergência, alegando que a cada dia o número de internados só aumenta. “A reabertura do Hospital Florianópolis seria uma solução em curto prazo para o problema”, sugeriu.
À medida que a comitiva visitava os corredores, os deputados ouviam apelos desesperados de parentes de pessoas que esperam por leito e cirurgias há um mês em cadeiras e poltronas improvisadas, sem conforto, higiene e atendimento adequado para a recuperação. “Eu vejo muita gente morrer neste chão todo dia. São filhos lutando pela vida dos pais. Falta dignidade das autoridades para resolver os problemas”, denunciou Luiz Antero Guerra, estudante da 9ª fase de Medicina da Unisul, que faz estágio no Hospital Regional.
Com o olhar cansado e insatisfeita com o tratamento dedicado ao marido, Guacira Fagundes diz que a “culpa” não é dos funcionários. “O atendimento deles é ótimo. São pessoas excelentes que fazem o que podem. Mas falta estrutura”, disse Guacira, que acompanha o marido diabético na quinta internação no mesmo hospital. “Esta há 11 dias esperando um leito e a cirurgia. Vão ter que amputar a perna dele”.
Esta situação de espera pelo atendimento adequado é a causa do agravamento de muitas das enfermidades dos pacientes, conforme denunciou Luiz Antonio Silva, técnico em enfermagem que trabalha há quatro anos no Hospital Regional de São José. “A pessoa chega com um dedo azulado. Depois de tanta demora, tem de amputar o membro”, revelou.
Outro problema relatado para a demora nas cirurgias é a falta de anestesiologista, profissional indispensável para o procedimento. Essa situação foi conformada pela diretora do hospital, Marlise Rodrigues, que reconheceu os problemas do hospital. Ela se reuniu com os deputados no fim da visita.
“Chamamos 11 novos anestesiologistas, mas apenas um se apresentou”, argumentou Marlise. Segundo a diretora, o atendimento básico não é feito nos municípios da região, o que faz as pessoas buscarem o hospital.
Outra necessidade seria o encaminhamento de pacientes atendidos pelo Samu para a emergência do Hospital Celso Ramos, na Ilha. Hoje, de acordo com Marlise, a grande maioria é encaminhada para São José. “Vamos levar este pedido à secretária de Estado da Saúde. De alguma forma, procuramos atender todos os pacientes que nos procuram”.
Publicado em: Governo