
Recebi este desabafo em forma de email e publicarei na integra, visto que muito do que está dito, eu comungo, visto que em minha opinião, a Polícia Militar, isso de todos os estados, passou a ser comandada por coronéis PM que transformaram uma instituição centenária numa espécie de sede de partidos políticos, fugindo, com isso, de seus deveres constitucionais.
As Policias Militares do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de Goiás, conseguiram resgatar a dignidade da instituição depois que afastou todos aqueles que não comungavam nos ditames mais sublimes da Policia Militar, o de resguardar o direito de ir e vir dos cidadãos.
Por mais que queiram difamar a ditadura, uma coisa não se pode negar, as Policias Militares era comandada por coronéis do Exército, que dava uma postura de respeito hierárquico, coisa primordial em quartéis de qualquer natureza, seja das Forças Armadas ou das Forças Auxiliares.
A Polícia Militar não pode se sujeitar aos desmandos politiqueiros.
Um exemplo claro do que estou falando… Nos anos de 1978 a 1982, a PM de Brasília tinha dois esquadrões super respeitados: A Rocan e a Patamo… Essas duas unidades tinham liberdade de atuação nos lugares mais requintados da Capital do Brasil, como o Gilberto Salomão do Lago Sul ou na Rua do Arabesk, 109 Sul. Podia ser filho de militar, filho de ministros de estado, filho do governador do DF e até familiares do Presidente da República… Se tivesse transgredindo a ordem, era levado preso mesmo… Não adiantava dizer que era filho de sicrano ou beltrano. Muitos não sabem, mas os filhos do coronel Jarbas Passarinho e ex-ministro da Educação, que estudavam no Caseb, assim como eu e outros filhos de militares do Exercito, fomos diversas vezes revistados por policiais da saudosa Patamo… Um ministro da época chegou a deixar o governo porque seu filho praticou um atropelamento criminoso no eixo sul. Como as coisas mudaram!!! Confundem democracia com anarquia, quando a democracia para se consolidar de fato é preciso o respeito às leis e a constituição!!!
Na verdade, a Polícia Militar do Maranhão, para ser resgatada, seria necessária que mandasse para reserva a maioria esmagadora de seus coronéis e que a promoção para qualquer patente fossem por critérios realmente militares, como cursos de aperfeiçoamento, relações humanas, bravura, determinação, comprometimento com a instituição e, por fim, por tempo de serviço. Caso contrário a PM maranhense, assim como de muitos estados brasileiros, continuarão a balburdia que estamos vendo e a disputa politiqueira dentro da caserna…
Falam em luta por salários… Isso é realmente natural em qualquer classe, mas já imaginaram se as Forças Armadas entrassem em greve e invadissem o Congresso Nacional?
Abaixo o desabafo:
Oficialpolicialmilitar PMMA
oficialpolicialmilitar@yahoo.com.br
CARTA DE UM POLICIAL MILITAR
Gostaria de expressar minha preocupação nesse momento de esquina histórica instalado na minha Polícia Militar e em todo o espectro da secretaria de segurança pública. Sou Oficial da PMMA e sempre fui acostumado a ver desmandos, incompetências e subserviências serem aclamadas como atos diferenciais que acarretavam promoções de pessoas cujo preparo profissional, ético e moral não encontravam materialidade. Assim, como nada mudava e as coisas eram assim porque sempre foram, eu me acomodava, incomodava e acatava… Era o sistema, sabem como é?
Agora, minha combalida alma de resignado e disciplinado oficial assiste a um Juiz Corregedor alegar com todas as vogais e consoantes que um desses que assisti, por sua vez, seguindo a tradição, atropelar competências, pois era amigo do Secretário de Cultura e aboiador, ascender ao Comando da Instituição, lugar que requer preparo diferenciado em questões de emprego, liderança, convencimento, empatia e interesses com a tropa toda, seria despreparado para o cargo e que, sua falta de traquejo e habilidades acarretaram uma crise sem precedentes, inclusive para toda uma estrutura governamental, eu escutei ECO de minhas convicções, sistematicamente, estupradas em anos de honestas jornadas de trabalho e comiseração.
o Juiz detalhou em partes da peça jurídica em que negou a prisão dos líderes da Paralisação de Policiais e Bombeiros Militares, uma descrição pessoal do comando do coronel Franklin Pacheco a frente da Polícia Militar, disse, entre outras coisas, textualmente que. “Temos à frente da instituição militar estadual um comandante de operosidade caracterizada por fragilidade que salta aos olhos de todos, mercê do despreparo de que padece referida autoridade para o cargo que exerce”.
Esse mesmo Comandante que promoveu um assessor seu(muito bom por sinal) extemporaneamente, a frente de dezenas de outros IGUALMENTE preparados e que ficaram desmotivados e desprestigiados pois, acreditavam em suas qualificações e não foram promovidos por não comungarem da bajulação da corte empossada por Governos que jamais buscaram elementos técnicos para tomar decisões sobre a Polícia Militar.
Resultado disso??? Abram as janelas ou saiam às ruas e verão o medo e a incerteza no semblante de cada cidadão… Todos sofrem por decisões políticas para cargos técnicos.
Outro resultado disso também é a fragmentação das tropas de policiais militares e bombeiros militares que, aos poucos, começam a acreditar numa mudança sem precedentes e, pouco a pouco, engrossam o grito nos corredores da Assembléia Legislativa. E o Coronel Comandante Geral, ao enfrentar o movimento logo de início, não se apercebeu que muitos não aderiram e ficaram nos quartéis a espera de suas palavras e convocação… Palavras essas que não vieram pois ele estava despreparado para lidar com uma crise que deixou tomar consistência de greve.
E esses mesmos que permaneciam no front e aguardavam seu Comandante, para reconhecer-lhes o esforço, aos poucos estão aderindo ao grito da maioria e estão deixando seus postos de resistência nas unidades… abandonados por quem não sabe nada sobre comandar e a quem ainda há pouco dedicavam lealdade por reflexo de formação.
É senhores, reconhecimento é moeda rara para ser aguardada de quem não tem preparo. A tropa está cansando de não ter comandante e o comandante está, somente agora, saindo, muito a contra gosto, de seu gabinete refrigerado e conhecendo sua tropa de farrapos, pena que dois anos após de cansaço…
Lamento, por fim, que agora, que o barco esteja afundando e o Exército esteja tomando rédeas, outros Coronéis estejam querendo aderir à paralisação. Não por convicção, mas por medo que, com um novo rei, a corte se desvaneça e suas beneces se acabem…
Senhores, nós Oficiais e praças, não somos tolos! Estamos em greve por melhores salários e não por discernimento… A tropa de elite do comandante(BME) já aderiu e agora os oficiais, lentamente, começam a desistir de lutar pelo que foram educados a serem fiéis e começam a pensar em um novo futuro, longe desses dinossauros despreparados..
Um Oficial Policial o Militar
CARTA DE UM POLICIAL MILITAR
Publicado em: Governo