Ontem (13), eu estava no Rio de Janeiro, mais precisamente no Centro da Cidade, quando vi um movimento de professores e demais funcionários municipais em frente à Câmara de Vereadores, no Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia. Aproximei-me para ver do que se tratava e vi que a manifestação era louvável e que os funcionários tinham razões para tal.
Simplesmente o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ingressou com a PL 1005, cujo propósito é não pagar mais os funcionários municipais com o dinheiro do tesouro do município, mas sim através de um fundo de pensão, coisa que já serviu de muitos desvios de dinheiro.
A manobra do presidente da Casa é a usada por todos os legislativos brasileiros – exceção da Câmara dos Deputados e do Senado – colocar as comissões técnicas para discutir e dar seu parecerem plenário. Opior é que ele distribuiu a PL para comissões que não têm responsabilidades sobre o assunto.
Depois de mais de oito horas de sessão, com o propósito de dispersar os manifestantes, foi aprovada a mensagem da prefeitura do Rio que muda as regras de gestão do Funprevi, fundo de previdência dos servidores municipais. O placar foi de 32 a 14 votos. O projeto será submetido a uma nova votação. Caso aprovado novamente, segue para sanção do prefeito Eduardo Paes.
A vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) havia conseguido 19 assinaturas favoráveis ao substitutivo ao projeto da Prefeitura que muda as regras do fundo de providência dos servidores municipais, o Funprevi. Eram duas a mais do que as 17 necessárias.
Mas, eis que, na hora de pôr o substitutivoem votação… Leonel BrizolaNeto (PDT), Reimont (PT) e João Ricardo (PSDC) retiraram suas assinaturas. Com o apoio de apenas 16 vereadores, o documento foi arquivado.
Num ato antidemocrático, a Mesa Diretora da Câmara passou a distribuir senha no dia anterior para evitar a pressão do Movimento Único dos Servidores contra o projeto que altera regras do fundo de previdência dos servidores, o Funprevi. O certo é que a galeria ficou repleta de integrantes do governo.
As oposicionistas Andrea Gouvêa Vieira e Teresa Bergher, do PSDB, protestaram. As duas entraram na sala do Presidente Jorge Felippe e quase provocaram um infarto no homem. “Isso aqui virou ditadura”, protestava Teresa. “O Legislativo é independente, não é uma secretaria do governo Eduardo Paes”, berrava Andrea.
Com os ânimos alterados, uma professora que tentou entrar na Câmara foi espancada pelos seguranças da Casa, coisa que deixou mais ainda os manifestantes revoltados, que passaram a desafiar a Polícia Militar.
Numa conversa com a Diretora do Sepae/RJ (Sindicado dos Professores), Guilhermina, Ela disse-me que o PrevRio foi quebrado e até hoje os aposentados estão sem receber seus vencimentos, além de não dizerem onde foi parar o dinheiro. “Estão disfarçando este plano de recapitalização do Funprevi, o projeto na verdade não devolve o dinheiro surrupiado pela própria prefeitura, a tempo de evitar a quebra do Funprevi”, afirmou Guilhermina.
Sobre os salários pagos aos professores no Rio de Janeiro, Guilhermina falou que o salário inicial pago pela Prefeitura a um professor de nível superior é de R$ 700,00 mais uma ajuda de transporte. Quanto aos do Estado, a Diretora do Sindicado dos Professores afirmou que a coisa é bem pior, visto que o inicial é de R$ 600,00 e não tem ajuda de transporte. “O pior é a situação dos funcionários da educação, que recebem menos que o salário mínimo e para complementá-lo, o governo paga um abono”, desabafou Guilhermina.
Perguntei a Guilhermina o porquê dos professores não receberem a GAM, visto que o professor tem tarefas fora da sala de aula que precisam ser remuneradas, ela disse que no Rio de Janeiro isso nunca foi cumprido e que os professores apenas contam com o salário base e os qüinqüênios a que tem direito.
Disse a ela que no Maranhão o salário inicial do professor é bem acima dos R$ 1.000,00 e que ainda recebem a GAM. Ela falou que todos sabem que o Maranhão é um dos estados que pagam os melhores salários para os professores e que espera que continue, pois a classe deve ser respeitada e que o piso seja cumprido por todos os governantes.
Abaixo uma cópia de um contracheque de um professor nível III, com 20 anos de serviço:
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