Ontem (27), bati um longo papo com meus cunhados sobre ideologia política. Os dois são cariocas e vivemos muito da política em Brasília, pois somos da mesma geração dos caras pintadas, mesmo eu sendo um filho de um militar, coisa que me sofrer muito na faculdade, no período do regime militar, com a cadeira EPB, cujos professores eram quase todos militares.
Diante desse bate-papo, resolvi fazer esse artigo, apesar de achar que falar de Política não é tão fácil quanto parece. Principalmente se buscarmos discutir a epistemologia e de como surgiu. Apesar da importância que esse assunto tem, poucos são aqueles que se interessam em debater, com a falsa idéia de que é um tema indiscutível para o povo e dever dos que vivem do “poder”.
Essa atitude omissa da maioria da população acaba fortalecendo ainda mais o que nós entendemos como politicagem e enfraquecendo a idéia primordial de Política. Surgem, então, os que desonram, que corrompem, usam as pessoas como massa de manobra descaradamente e politicamente procuram, nada mais, nada menos, beneficiar-se.
Mas, quem disse que em Política não se joga com as armas que se dispõe? Sempre foi assim, desde que os Gregos criaram a Polis, a Cidade-estado. É claro que Política é a arte de governar, é o uso do poder para defender seus direitos de cidadania.
Segundo Maquiavel, em O Príncipe, política é a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o próprio governo. Contudo, acho que ainda existem algumas divergências sobre o tema, para alguns política é a ciência do poder e para outros é a Ciência do Estado. A política na atualidade encontra-se bastante deteriorada. Precisando urgentemente de uma reforma. Com mais responsabilidade partidária, com mais definições e execuções dos seus representantes.
No bate-papo, um dos meus cunhados recordou que eu tinha uma ideologia muito apurada, isso no final dos anos 70, mais precisamente 1978, e que eu cantava: “Ideologia, eu quero uma pra viver.” Mesmo taxado de um comunista filho de milico, ingressei no PT. Aprendi que ideologia ganha força dentro de nós quando acreditamos no que sentimos e sonhamos, mas não tapa os nossos sentidos, impedindo-nos de ver, pensar e agir contra um possível engano, venha de onde vier.
Comentei com os meus cunhados que estava tendo muitos debates no Facebook, principalmente mostrando os meus pensamentos atuais, ou seja, 30 anos depois dos meus primeiros contatos com a política e com a ideologia. Disse a eles que nos debates tenho dito sempre que perdi o interesse por ideologia política, pois já não vejo ideologia alguma nos partidos brasileiros, onde vemos socialistas aliados com neoliberais, ambientalistas com industriais e assim sucessivamente. Meus cunhados não acreditaram no que eu estava dizendo, pois eu era um dos militantes mais aguerridos, principalmente na época dos caras pintadas.
Disse a eles que fiz tudo aquilo defendendo uma política de ideologia e que nunca quis ser mártir. Levantei bandeiras por ter no sangue, no coração, na mente, um torpor ideológico acima dos meus sonhos materiais. Encarei políticos e os policiais da Rocan de Brasília, enfrentei colegas de profissão que me insultaram; peitei vozes que tentaram me sucumbir o direito de gritar se fosse preciso…
Até que um dia, olhei para o lado, para o outro e não havia mais ninguém. Restaram apenas eu, minha voz e a desolação. Uma luta em vão!!! Pouco tempo depois, uma amiga de Brasília, antes de vim morar em São Luís, me fez uma pergunta simples – que com certeza está na sua cabeça agora – me fez despertar para o tempo que estava perdendo. A pergunta foi: o que você ganhou com tudo isso?
Na época em que eu fui questionado, a resposta foi: – Ganhei mais força pra acreditar que estou no caminho do bem.
Anos mais tarde, já com meus 45 anos, vi que tudo não passou de momentos de euforia e de lutar por um mundo melhor para todos, coisa que tenho certeza que não verei, principalmente porque estou mais prá lá. Então resolvi viver o resto dos meus dias ao lado daqueles que amo e que me amam, apesar de continuar acreditando em tudo que aprendi na esquerda ideológica, principalmente na Dialética.
Procuro hoje viver dialeticamente no que tange as questões sociais e econômicas, mas política não, visto que nada colhi além de arrependimentos por ter me envolvido como no passado em causas que não merecem minha força, minha voz, minhas mãos.
Um dos pontos mais triste para mim, disse a meus cunhados, foi eu ver políticos, principalmente os de Brasília, que pensei ter um grão de consideração, uma pitada de ideologia, gozando de prestígios e conseguindo melhorar financeiramente as suas vidas.
Uma parcela de figuras públicas metidos a éticos e moralistas que desonram até os piores vilões do cinema.
Por fim, cabem algumas perguntas: Qual a bandeira política que mais representa São Luís hoje? Qual a ideologia que podemos esperar de figuras exóticas da política local? Qual dos candidatos é o que mais poderá fazer por São Luís, diante da história de cada um? Qual das saladas de partidos e “ideologias” vai governar São Luís a partir de janeiro de 2013?
São muitas as questões que passam pelo crivo da minha análise. E como sei que a Educação não dá saltos como a natureza dá, as minhas decisões políticas e ideológicas passaram por uma transformação radical. E como nunca gostei de ser personagem do mito da caverna de Platão, arrisco-me a dizer que ganhará as eleições de 2012 aquele grupo que mais deixar as suas ideologias políticas de lado e, assim, possam conspirar, ou seja, prometendo que levará as melhorias significativas em todos os níveis de nossa sociedade até ideológica e politicamente.
Tudo não passa de um engodo politiqueiro ideológico.
Publicado em: Governo