Publicado em 21/ago/2026
por Caio Hostilio
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Por Malu Gaspar
De acordo com imobiliária, lobista Roberta Luchsinger negociou o aluguel, mas passou o contrato para amigo do filho de Lula
O contrato de aluguel da mansão em Brasília que a lobista Roberta Luchsinger alugou para Fábio Luís da Silva, o Lulinha, foi fechado em nome de outra pessoa e teve exigência de contrato de confidencialidade. De acordo com informações da imobiliária que alugou a casa, a documentação foi assinada por Rafael Nicolau Arbex, dentista que foi testemunha de Fernando Bittar no processo da Operação Lava-Jato relacionado ao sítio de Atibaia, no qual Lula foi condenado a 17 anos e 1 mês de prisão em 2019.
Bittar era o dono formal do sítio, que foi reformado pela Odebrecht com as empreiteiras OAS e Schahin e o pecuarista José Carlos Bumlai para que Lula o utilizasse. As obras custaram R$ 1,2 milhão em valores da época, segundo perícia da Polícia Federal (PF). Lula alegou não ter relação com a propriedade, mas acabou condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. A sentença, porém, foi anulada em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
No depoimento à 13ª Vara Federal de Curitiba, em 2018, Arbex afirmou que morava na propriedade de Atibaia de graça a convite de Bittar, mas negou que a família de Lula frequentasse o local. Na ocasião, ele disse conhecer Fábio Luís e Fernando Bittar há 25 anos. A mulher de Fernando, Lilian, é inclusive prima do dentista.
Rafael é também sócio de duas empresas, Tex Serv e Texsaúde, foi procurado em diversos telefones que constam de cadastros públicos mas não foi localizado.
De acordo com a imobiliária TRK, que fechou a primeira locação da casa de três quartos e 2.110 metros quadrados em um condomínio fechado à beira do Lago Sul, Roberta Luchsinger visitou o imóvel e participou das reuniões para discutir o aluguel, mas quem assinou foi Rafael.
“Em 2024, nós da TRK fizemos apenas a intermediação da locação da casa, e o locatário no contrato intermediado por nós foi o Rafael Nicolau Fioruci Arbex. A Roberta nunca foi locatária em nenhum contrato intermediado pela TRK. Depois dessa locação, todas as tratativas e eventuais novos contratos foram feitos diretamente entre o proprietário e os envolvidos, sem qualquer participação da TRK”, informou a imobiliária à equipe da coluna.
Nós também procuramos o proprietário da casa, que de acordo com a colunista Bela Megale foi alugada por R$ 28 mil reais. Mas ele se negou a dar informações alegando que assinou um contrato de confidencialidade.
Procurado, o advogado Roberto Podval, que representa Roberta, não respondeu até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.
Já a defesa de Lulinha, encabeçada por Marco Aurélio Carvalho, tem sustentado que o filho do presidente da República nunca morou na mansão do Lago Sul e nem cometeu qualquer irregularidade ou participou de reuniões com empresários ligados à lobista.
Em 18 de dezembro de 2025, quando foi alvo de uma das etapas da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do INSS, Roberta Luchsinger publicou em um story no Instagram uma foto dos pés cruzados diante da piscina da casa.
Como mostrou O GLOBO, três funcionários de Roberta relataram que a lobista realizava reuniões discretas no local e que ninguém morava lá. Uma empregada doméstica que trabalhou por sete meses na residência relatou que ela e Lulinha frequentavam a casa pelo menos duas vezes por mês. Zildeni Souza afirmou ainda que o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, teria participado de um desses encontros.
Roberta, segundo as investigações, também comprou joias de R$ 9 mil para Marcola dar de presente no dia das mães. Elas estão entre as despesas do ex-chefe de gabinete de Lula pagas pela lobista, que de acordo com a própria defesa dele somaram R$ 249 mil reais. Marcola também disse já ter devolvido o dinheiro à lobista.
Publicado em: Política