Detida na quinta-feira no Piauí, empresária nega que áudios com suposta confissão sejam de sua autoria e pede perícia
No relato de cerca de uma hora à polícia, Carolina disse que o anel que teria motivado a violência custava R$ 5 mil. A suspeita deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (8), quando a Justiça decidirá se ela permanece presa ou se responderá em liberdade.
Crimes investigados
Segundo a Polícia Civil maranhense, Carolina é investigada por tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria. A tipificação indica suspeita de intenção de matar com agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
O delegado-geral Augusto Barros afirmou que, apesar de já haver materiais anexados ao inquérito, como áudios atribuídos à empresária, novas diligências ainda serão realizadas.
— A investigação está em curso, apesar da gente ter muitos dados que estão postos e apresentados à sociedade, ainda há outros que dependem de confirmação e que devem acontecer nos próximos dias — disse.
Prisão em Teresina
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, Carolina foi presa na quinta-feira em um posto de gasolina em Teresina (PI) quando tentava fugir. O diretor de inteligência da Polícia Civil, delegado Yan Brayner, afirmou que a empresária abastecia o carro com o objetivo de possivelmente deixar o estado. No veículo estavam o marido e o filho de 6 anos.
A defesa nega a tentativa de fuga. A advogada Nathaly Moraes declarou que a ida ao Piauí ocorreu porque a empresária não tinha familiares no Maranhão com quem deixar a criança. A Polícia Civil do Piauí informou que ela estava hospedada na casa de um parente e era monitorada.
PM suspeito se entrega
O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, apontado como participante das agressões, se entregou no mesmo dia. À Corregedoria da PM, ele negou envolvimento; à Polícia Civil, admitiu que esteve na casa e participou das agressões, mas disse que a maior parte dos atos teria sido cometida por Carolina e contestou a versão da vítima. Segundo a polícia, ele é o homem citado pela empregada como um dos responsáveis pelas agressões na residência onde ela trabalhava. O policial afirmou conhecer Carolina há seis anos.
Outros quatro policiais militares que atenderam a ocorrência também são investigados administrativamente. Até agora, segundo a Secretaria de Segurança Pública, eles não foram afastados.
A apuração começou após a divulgação de áudios revelados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo no Maranhão, atribuídos à empresária, nos quais ela relata as agressões e diz que não foi levada à delegacia por conhecer um policial. Em uma das falas, ela afirma: “Veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva’”.
Relato da vítima
A jovem contou que sofreu puxões de cabelo, socos e murros e foi derrubada no chão, tentando proteger a barriga por estar grávida de cinco meses. Segundo o depoimento, a ex-patroa a acusou de roubar um anel e passou horas procurando a joia, encontrada depois em um cesto de roupas sujas.
Mesmo após o objeto ser localizado, as agressões continuaram, segundo a vítima, que também relatou ameaça de morte caso procurasse a polícia.
“Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros… foi sem parar. Eles não se importavam”, disse a jovem.
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