Ação apenas eleitoral!!! Fim da taxa das blusinhas: Lula acha que o eleitor é otário

Publicado em   13/maio/2026
por  Caio Hostilio

Governo federal acaba com taxa de que ele mesmo foi entusiasta justamente por conta das eleições de 2026

A curta trajetória da “taxa das blusinhas” é uma síntese perfeita do oportunismo político brasileiro. Ela nasceu sob o discurso da justiça tributária, cresceu embalada pelo argumento da defesa da indústria nacional e morreu convenientemente às vésperas da eleição. Entre uma coisa e outra, produziu exatamente o contrário do que prometia: arrecadou menos do que se esperava, irritou milhões de consumidores (inclusive a primeira-dama, Janja – foto, ao lado do presidente Lula) e ajudou a afundar ainda mais os Correios.

Agora, sem saída, Lula tenta apagar da memória coletiva um imposto do qual foi um dos maiores entusiastas.

O mais curioso é observar a súbita amnésia dos petistas. Dá nojo ver vídeos como o do ministro da Secretaria de Governo, Guilherme Boulos, colocando no colo do Congresso Nacional a responsabilidade de um imposto que desde 2023 era defendido por Fernando Haddad.

Hoje, integrantes do governo tratam o fim da taxa como se fosse uma concessão magnânima ao povo brasileiro. Faltou apenas combinar com a hemeroteca.

Durante meses, ministros repetiram o mantra de que era preciso proteger o varejo nacional da “concorrência desleal”. A narrativa parecia simples: de um lado, gigantes estrangeiras supostamente destruindo empregos brasileiros; do outro, o governo surgindo como defensor da economia nacional. A realidade, no entanto, era outra.

Lula e sua equipe econômica enxergou nas blusinhas da Shein e nas bugigangas da Shopee uma oportunidade de negócio. Afinal de contas, para um governo que gosta de torrar o dinheiro do povo, dinheiro precisa vir de algum lugar. No ano passado, a taxa gerou 5 bilhões de reais ao governo federal; neste ano, mais 1,7 bilhões de reais. Foi pouco, muito pouco.

O resultado político foi devastador. A taxa virou símbolo instantâneo de impopularidade. Um governo eleito com forte apoio digital conseguiu a façanha de unir influenciadores, consumidores, pequenos revendedores e jovens de periferia contra uma medida tributária. Nas redes sociais, a “taxa das blusinhas” tornou-se aquilo que Brasília mais teme: meme. E nenhum marqueteiro vence um meme quando ele cola na testa do governo. Taxad que o diga.

Mas talvez o efeito mais irônico tenha ocorrido nos Correios. A estatal, que já enfrenta dificuldades financeiras, viu despencar o volume de encomendas internacionais de baixo valor — justamente um dos fluxos que ajudavam a sustentar sua operação logística. Em nome da “proteção do mercado nacional”, Lula quebrou de vez os Correios. Coisa de gênio. Gênio com “J”.

Em sínetse, o governo Lula conseguiu algo raro: criou um imposto que irritou o consumidor, arrecadou menos que o prometido e, de quebra, afundou uma estatal.

Agora, diante da proximidade eleitoral, a taxa subitamente virou um erro a ser corrigido. Não porque o governo tenha descoberto alguma convicção liberal tardia sobre excesso de impostos. Tampouco porque tenha percebido os danos econômicos da medida. A explicação é mais simples — e mais antiga. Pesquisa eleitoral. É o mea culpa puramente eleitoreiro.

O Planalto percebeu que a cobrança se transformou num símbolo tóxico junto a um eleitorado jovem, urbano e hiperconectado – faixa que tem simpatia pelo bolsonarismo. E Brasília, quando sente cheiro de urna, costuma abandonar rapidamente suas convicções técnicas em favor da sobrevivência política. A “justiça tributária” de ontem vira “alívio ao consumidor” amanhã sem que ninguém corra o risco de corar de vergonha.

Lula acha que o eleitor é otário. Pensando bem, Lula tem certeza que o eleitor é otário.

Por o antagonista

  Publicado em: Política

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