Está também todo lambuzado!!! Gonet ignora escândalo e age como advogado de defesa de Vorcaro e Moraes

Postado por Caio Hostilio em 02/set/2026 - Sem Comentários

As mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, continuam ampliando a crise política e institucional em torno do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em análise publicada pelo jornal O Globo, a jornalista Malu Gaspar chama atenção para um dos pontos mais sensíveis revelados pelo material apreendido pela Polícia Federal: as mensagens indicam que Vorcaro procurava Alexandre de Moraes justamente durante o período em que o Banco Master enfrentava uma crise que poderia resultar em medidas policiais contra o banqueiro.

 

A questão levantada pela jornalista é direta: embora não tenham sido recuperadas todas as respostas enviadas por Moraes, devido ao uso do recurso de mensagens de visualização única, o comportamento de Vorcaro nas conversas sugere que ele buscava informações e orientação junto ao ministro.

Em uma das mensagens, Vorcaro pergunta a Moraes se havia alguma novidade e se ele havia conseguido “bloquear” alguma medida.

O episódio ocorreu em 17 de novembro de 2025, poucas horas antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

O banqueiro seria detido quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Dubai.

A pergunta sobre deixar o país

Outro trecho das mensagens que ganhou destaque diz respeito à preocupação de Vorcaro com sua própria situação.

Segundo o material analisado pela Polícia Federal, o banqueiro chegou a perguntar a Moraes se já seria o momento de “estar fora” na segunda-feira.

A referência chama atenção porque justamente naquela segunda-feira Vorcaro acabou preso.

A mensagem, isoladamente, não permite concluir qual informação teria sido recebida pelo banqueiro, nem qual teria sido a resposta de Moraes.

As mensagens recuperadas pela PF também não permitem reconstruir integralmente todos os diálogos, já que parte das comunicações foi enviada com recurso de visualização única.

Ainda assim, o conjunto das conversas passou a ser utilizado como elemento para questionar a natureza da relação entre o banqueiro e o ministro.

Pedido para “sensibilizar” diretor-geral da PF

Um dos trechos mais relevantes da investigação ocorreu no dia 16 de novembro, um dia antes da prisão.

Vorcaro pediu a Moraes que tentasse “sensibilizar” o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para que uma eventual operação fosse adiada.

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu o banqueiro.

Na sequência, Vorcaro perguntou se havia alguma possibilidade de a medida ser retardada e buscou saber qual era a leitura de Moraes sobre a situação.

“Qual a sua leitura? O que tá havendo? E com Andrei da pra segurar”, escreveu.

O conteúdo coloca em evidência a preocupação do banqueiro com uma possível operação policial e sua tentativa de ganhar tempo para encontrar uma solução para a crise do Banco Master.

Relação com Moraes já era anterior à crise

O material analisado pela Polícia Federal não aponta apenas para contatos nos dias que antecederam a prisão.

Também foram identificadas outras interações e referências a encontros entre Vorcaro e Moraes.

Segundo informações divulgadas anteriormente, o relatório registra 187 interações com um contato salvo no celular do banqueiro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

A existência desse contato, entretanto, não é suficiente, por si só, para comprovar a identidade do interlocutor em todas as comunicações.

A própria dinâmica das mensagens também exige cautela: em diversos casos, as respostas atribuídas ao destinatário não puderam ser recuperadas.

O que está documentado são as mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro e as referências feitas pelo banqueiro ao interlocutor.

O contrato de R$ 131 milhões

Outro ponto destacado na discussão é o contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

A dimensão financeira do contrato chamou atenção porque ocorre paralelamente à relação pessoal e às comunicações entre Vorcaro e o ministro.

Segundo informações já divulgadas, o próprio Alexandre de Moraes teria participado da edição do contrato.

Esse conjunto de circunstâncias passou a alimentar questionamentos sobre eventual conflito de interesses e sobre a proximidade entre o banqueiro e o ministro.

É importante, contudo, separar os fatos documentados das conclusões sobre eventual irregularidade.

A existência do contrato não comprova, por si só, qualquer crime ou favorecimento ilegal.

Da mesma forma, as mensagens recuperadas pela PF não permitem afirmar isoladamente qual foi a resposta de Moraes às solicitações feitas por Vorcaro.

Esses são justamente alguns dos pontos que poderão ser discutidos no âmbito do STF.

A manifestação de Paulo Gonet

A controvérsia ganhou uma nova dimensão depois que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório produzido pela Polícia Federal.

Gonet sustenta que André Mendonça, relator do caso Master no STF, ultrapassou os limites de sua competência ao determinar que a Polícia Federal identificasse e aprofundasse a análise dos interlocutores das mensagens de Vorcaro.

Na visão do procurador-geral, a partir do momento em que apareceram referências a Alexandre de Moraes, Mendonça não poderia determinar o aprofundamento das pesquisas sem que o plenário do Supremo autorizasse previamente uma investigação envolvendo outro ministro da Corte.

Por essa razão, Gonet considera nula a ordem de Mendonça e, como consequência, também o relatório produzido pela PF.

O procurador-geral pediu, portanto, que o material seja considerado inválido e que o caso seja encerrado.

Gonet cita precedente envolvendo Sergio Moro

Para sustentar sua argumentação, Paulo Gonet citou um precedente do próprio Supremo Tribunal Federal relacionado ao caso Banestado.

Na decisão mencionada no parecer, o STF anulou uma condenação depois de considerar que o juiz Sergio Moro havia assumido uma atuação incompatível com a separação entre as funções de julgar e investigar.

O argumento utilizado por Gonet é que um magistrado não pode assumir diretamente uma função persecutória na fase de investigação.

O precedente ganha importância porque a discussão atual também envolve os limites da atuação de um ministro do Supremo diante de elementos que podem atingir outro integrante da Corte.

A decisão citada por Gonet concluiu que houve atuação direta do julgador na produção e no fortalecimento da tese acusatória.

O procurador-geral utiliza essa lógica para defender que Mendonça não poderia, segundo sua interpretação, direcionar a investigação para buscar elementos contra Alexandre de Moraes.

O argumento dos aliados de Mendonça

A tese apresentada por interlocutores de André Mendonça é diferente.

Segundo eles, o ministro não determinou uma investigação contra Moraes.

A ordem teria sido apenas para que a Polícia Federal identificasse os interlocutores de Daniel Vorcaro, já que inicialmente não se sabia quem eram os destinatários das mensagens.

Nessa interpretação, o nome de Moraes surgiu durante o trabalho de identificação realizado pela PF.

Portanto, não teria havido uma investigação prévia contra o ministro.

A controvérsia deverá ser submetida ao próprio Supremo Tribunal Federal.

O próprio Gonet aparece no relatório

Outro elemento que torna o caso politicamente delicado é que o próprio Paulo Gonet aparece mencionado no relatório que agora pede para ser anulado.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro fazem referência a Gonet e a contatos mantidos por meio do advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master.

Em março de 2025, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparecia ao lado de Gonet.

Na sequência, escreveu:

“Liga aqui, ele quer falar com você.”

Depois disso, foram registradas quatro ligações entre o telefone de Ciro e o celular de Vorcaro.

A Polícia Federal não afirma que Gonet tenha participado das chamadas nem que tenha conversado diretamente com o banqueiro.

Londres, charuto e uísque

As mensagens também fazem referência a um evento jurídico em Londres patrocinado pelo Banco Master.

Segundo o material divulgado por O Globo, Gonet teria manifestado interesse em participar do encontro e mencionado a possibilidade de fumar charuto e beber uísque Macallan com Vorcaro.

Em outra conversa, Ciro Soares encaminhou a Vorcaro uma mensagem atribuída a Gonet na qual o procurador-geral dizia estar com saudades do banqueiro.

Posteriormente, Ciro perguntou a Vorcaro se Pedro Gonet, filho do procurador-geral, poderia viajar com o grupo para Londres.

A resposta foi:

“Óbvio, né.”

O relatório também registra autorização de Vorcaro para que as despesas da viagem de Pedro Gonet e de Ciro Soares fossem custeadas pela organização.

A Polícia Federal, entretanto, não atribuiu ao procurador-geral qualquer crime com base nesses elementos.

Uma questão que agora vai além das mensagens

O caso deixou de ser apenas uma discussão sobre o conteúdo das conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Agora existem duas questões diferentes sendo discutidas.

A primeira é o que as mensagens efetivamente revelam sobre a relação entre o banqueiro e o ministro.

A segunda é se a Polícia Federal poderia ter produzido esse relatório da forma como produziu, a partir da determinação de André Mendonça.

É justamente nesse segundo ponto que está o pedido de nulidade apresentado por Paulo Gonet.

Caso o STF considere que Mendonça não poderia ter determinado o aprofundamento das pesquisas sobre Alexandre de Moraes sem autorização prévia do plenário, o relatório poderá perder validade.

Caso o entendimento seja o contrário, as informações poderão continuar sendo analisadas e eventualmente gerar novas medidas.

O que está em jogo

A discussão coloca o Supremo Tribunal Federal diante de uma situação especialmente delicada.

De um lado, há mensagens que mostram Daniel Vorcaro procurando Alexandre de Moraes em meio a uma crise que culminou com sua prisão.

Há pedidos para que o ministro tentasse “sensibilizar” o diretor-geral da PF.

Há perguntas sobre a possibilidade de deixar o país.

Há referências a possíveis medidas contra o Banco Master.

E há um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório da esposa do ministro.

De outro lado, há uma discussão jurídica sobre a validade da própria investigação e sobre os limites da atuação de André Mendonça.

A manifestação de Paulo Gonet acrescenta ainda outro componente: o procurador-geral, que pede a nulidade do relatório, aparece citado no próprio material que pretende invalidar.

Por isso, a decisão sobre o caso deverá ter consequências que ultrapassam Daniel Vorcaro e o Banco Master.

O Supremo terá de decidir não apenas sobre a validade das informações produzidas pela Polícia Federal, mas também sobre os limites da atuação de seus próprios ministros em investigações que possam atingir integrantes da Corte.

E, enquanto essa decisão não acontece, as mensagens de Vorcaro continuam alimentando uma das mais delicadas crises envolvendo o STF, o Banco Master e autoridades da República nos últimos tempos.

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hostiliocaio@hotmail.com

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