Sem resposta o discurso soberania vai pro espaço!!! Lula eleva provocações a Trump apostando em inimigo externo

Postado por Caio Hostilio em 24/abr/2026 - Sem Comentários

Lula afirmou nesta terça-feira (21) que, se o Brasil chegar à final da Copa do Mundo, se sentará "ao lado" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Lula (PT) converteu nos últimos dias o confronto com Donald Trump em peça central da sua estratégia para a reeleição. Diante do fortalecimento do principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e da persistente rejeição ao seu governo, o presidente aposta nas provocações a Washington disfarçadas de defesa da soberania do Brasil como forma de angariar apoio da população.

Na provocação mais recente ao presidente americano, Lula voltou a sugerir que levaria jabuticabas para acalmá-lo. Dias antes, em Portugal, zombou de Trump, dizendo que era preciso dar o Nobel da Paz para ele parar de fazer guerras. Ao longo de semanas, o petista evocou até a coragem dos cangaceiros para se contrapor ao que chama de autoritarismo do americano.

O governo brasileiro também tentou nesta semana retratar como agressão ao Brasil a expulsão de um delegado da Polícia Federal do posto de oficial de ligação no ICE (agência de combate à imigração ilegal nos EUA). O policial é investigado por supostamente manipular o sistema de imigração americano para forçar a deportação do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), desafeto do governo petista.

Diferente do Brasil, onde o caso recebeu tom político com a determinação por Lula de que um agente americano também seja expulso do Brasil pelo princípio diplomático da reciprocidade, o afastamento do delegado brasileiro vem sendo tratado de forma mais contida pelos EUA.

No último dia 14, o presidente brasileiro ironizou a hipótese de interferência de Trump nas eleições brasileiras, afirmando que isso “o ajudaria muito”. Segundo o presidente, não há temor desse cenário, embora classifique qualquer ingerência estrangeira como violação da soberania. Lula citou ruídos na relação bilateral e criticou quem busca apoio político da Casa Branca.

A prova evidente de que o confronto com os Estados Unidos tem impacto positivo para a popularidade de Lula está no segundo semestre de 2025. Naquele período, barreiras comerciais contra o Brasil anunciadas pela Casa Branca e outras sanções deram melhora temporária à imagem de petista, revertendo a curva de desaprovação e pondo a oposição na defensiva.

Pesquisas de opinião realizadas logo após o tarifaço imposto por Trump indicaram que a reação de Lula ajudou a conter a sua queda de popularidade e até promover recuperação.

A Quaest realizou entrevistas presenciais com 2.000 eleitores, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, captando melhora consistente ao longo dos dois meses. A AtlasIntel utilizou recrutamento digital aleatório, com amostra de 7.334 respondentes em julho, margem de erro de um ponto e igual nível de confiança, o que favorece a detecção de variações mais rápidas de opinião.

Para o cientista político Márcio Coimbra, Trump funciona como “cabo eleitoral involuntário” de Lula, reeditando a polarização em escala global.

Já o professor Daniel Afonso Silva observa que Lula atua na lógica de “morde e assopra”, tentando extrair ganhos de qualquer movimento de Trump. Ainda assim, ressalta que crises internas — como os casos do INSS e do Banco Master — permanecem como variáveis bem mais sensíveis e ameaçadoras para o plano de reeleição.

Após guerra do Irã, Lula disparou críticas a Trump dentro e fora do país

A relação entre Lula e Trump deteriorou-se rapidamente após breve ensaio de aproximação. Em poucas semanas, episódios diplomáticos e políticos enterraram o diálogo, com o petista elevando o tom contra o americano e acusando-o de agir com ameaças e desprezo ao multilateralismo.

Lula se aproveitou de uma crise sofrida por Trump, que entrou em choque com o papa Leão XIV em abril. Após o papa pedir paz no Irã, Trump disse que ele é terrível em política externa. As rusgas entre os dois continuaram e levaram a um afastamento momentâneo de aliados de Trump, como a primeira ministra italiana Giorgia Meloni e Nigel Farage, do partido Reform UK da Grã-Bretanha.

“Estive com ele [papa Leão XIV] e saí muito bem-impressionado. [Quero] ser solidário a ele, porque está correta a crítica que ele fez ao presidente Trump. Ninguém precisa ter medo de ninguém”, disse Lula em entrevista a órgãos de imprensa alinhados à esquerda.

Lula intensificou críticas em viagens e entrevistas, defendendo que “líderes não devem governar pelo medo” e reagindo ao que chamou de “ingerência dos EUA”.

A tensão cresceu com o caso da expulsão de delegado brasileiro, levando o governo a adotar reciprocidade e endurecer o discurso, mesmo defendendo os canais diplomáticos.

Internamente, o presidente também reforçou a narrativa ao elogiar a atuação da Polícia Federal (PF) na tentativa de forçar a deportação do ex-deputado Alexandre Ramagem. O presidente expôs um cenário de atrito bilateral crescente com Washington em meio à disputa eleitoral no país, comparável à ditadura da Venezuela.

Conflito reforçado sepulta perspectiva de novo encontro entre presidentes

A eventual reunião entre Lula e Trump em Washington, que chegou a ser cogitada para breve, vem sendo empurrada para o segundo semestre, se ainda ocorrer. O adiamento preserva o conflito em estado latente — condição ideal para exploração política ao longo da pré-campanha. Ao tensionar a relação com Washington, Lula busca associar Trump à direita brasileira, sobretudo Flávio.

Lula percebeu, logo após o início do conflito envolvendo EUA e Israel contra o Irã que a rejeição ao governo Trump avançou, atingindo o menor nível de aprovação popular desde sua posse.

Pesquisas de abril de 2026 indicam que a aprovação do presidente Donald Trump nos EUA atingiu seu nível mais baixo no segundo mandato, situando-se entre 36% e 37% em levantamentos recentes. A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online com 4.557 adultos, apontou 36% de aprovação e 62% de desaprovação, impulsionada pela guerra com o Irã e custos elevados.

Críticos atribuem a derrota nas eleições do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban não só à sua proximidade com o ditador russo Vladimir Putin, mas também ao pedido de apoio do aliado Trump.

Em discursos, Flávio Bolsonaro tem frisado que a solução para os problemas do Brasil está nas mãos do brasileiro, visando afastar qualquer insinuação de pedido de intervenção.

Por Gazeta do Povo

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