O Anuário de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que as dez cidades com as maiores taxas de mortes violentas do país estão todas no Nordeste. A Bahia concentra metade dos municípios do ranking, com cinco cidades entre as dez primeiras. O Ceará aparece com três, Pernambuco com uma e Paraíba com uma.
Pelo segundo ano consecutivo, Maranguape (CE) lidera a lista, com 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes — um salto em relação às 80 por 100 mil registradas em 2024.
O ranking das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025:
| Posição | Cidade | UF | Taxa (por 100 mil hab.) |
|---|---|---|---|
| 1º | Maranguape | CE | 100,3 |
| 2º | Eunápolis | BA | 85,1 |
| 3º | Maracanaú | CE | 80,7 |
| 4º | Porto Seguro | BA | 71,2 |
| 5º | Simões Filho | BA | 68,1 |
| 6º | Jequié | BA | 67,4 |
| 7º | Caucaia | CE | 66,6 |
| 8º | Cabo de Santo Agostinho | PE | 65,1 |
| 9º | Santa Rita | PB | 60,9 |
| 10º | Juazeiro | BA | 55,8 |
Rotas do tráfico e disputas entre facções
Segundo o Fórum, a predominância de municípios nordestinos está relacionada, principalmente, às disputas entre facções criminosas pelo controle de rotas estratégicas do tráfico de drogas.
Dois fatores principais explicam a concentração da violência nessas cidades:
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Cidades do interior cortadas por rodovias federais (como a BR-222 e BR-101) que funcionam como corredores para o transporte de drogas entre regiões.
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Municípios litorâneos com portos e aeroportos, utilizados como pontos de saída de cocaína para o mercado internacional.
Em Maranguape e Maracanaú (CE), a disputa entre facções pelo domínio territorial impulsiona os índices de violência. Na Bahia, cidades como Eunápolis, Porto Seguro e Juazeiro têm em comum a proximidade com rodovias e estruturas logísticas que favorecem o escoamento de drogas. Em Porto Seguro, o fluxo turístico também fortalece o mercado varejista de entorpecentes.
O Anuário conclui que a expansão das facções criminosas para o Norte e o Nordeste e a disputa pelo controle dessas rotas têm alterado a dinâmica da violência na região, que lidera as taxas de Mortes Violentas Intencionais no Brasil desde 2020.




