Jorge Messias mente em sabatina ao dizer que não defendeu aborto

Postado por Caio Hostilio em 29/abr/2026 - Sem Comentários

Jorge Messias em sabatina no Senado

Lobo em pele de cordeiro. Republicano, sereno, constitucionalista, cristão: aí você lembra que é só um ator! É impressionante como em sabatinas os candidatos parecem tomar Rivotril e se transformar em zen-budistas! São educados, tolerantes, super comprometidos com a Constituição e com os valores morais.

Empenhado em conseguir votos para a aprovação do seu nome ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias mentiu aos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça durante a sabatina desta quarta-feira (29).

O indicado de Lula ao STF afirmou ser “totalmente contra o aborto” e que se for escolhido para a vaga no STF “não haverá qualquer tipo de ação de ativismo em relação ao tema aborto na minha jurisdição constitucional”. Messias disse que, quando atuou pela derrubada de uma resolução do Conselho Federal de Medicina contra o aborto, em junho de 2024, estava apenas agindo em defesa da prerrogativa do Congresso Nacional de legislar sobre o tema.

O documento assinado por Messias, entretanto, é claro: ele questiona o mérito da resolução em si, e não apenas a forma. Como chefe da AGU, ele repetiu argumentos pró-aborto e apoiou a derrubada da resolução do CFM.

A normativa do Conselho Federal de Medicina barrava a aplicação da assistolia fetal em casos de aborto decorrente de estupro depois de 22 semanas de gestação. O uso de substâncias como cloreto de potássio para paralisar o coração do feto foi considerado desumano pelo colegiado. Isso porque, para o CFM, a partir desse período da gravidez existe uma grande chance de sobrevivência do feto fora do útero.

Citações pró-aborto

No documento, Messias afirma que a normativa do CFM também estaria impedindo a diminuição “do imenso sofrimento da mulher”. Isso porque, segundo ele, a instrução do conselho retirava da gestante a “opção pelo aborto do feto”, o que a obrigaria a conviver com o bebê – o que é tratado como “uma tortura” por Messias.

Para justificar a fala, ele citou o voto do ex-ministro do STF Ayres Britto no julgamento do Supremo sobre o aborto de fetos com anencefalia. “A imposição do estado de gravidez em si, e depois a própria convivência com o ser originário do mais indesejado conúbio podem significar para vítima do estupro uma tão perturbadora quanto permanente situação de tortura”, argumentou Britto, em seu voto no julgamento da ADPF 54.

O aspirante a ministro do STF ainda fez referências a um ofício do Ministério dos Direitos Humanos de 2024 que classificava a decisão do conselho como “um retrocesso no que tange aos direitos sexuais das pessoas com útero”. Essas “pessoas com útero”, aponta o ministério, seriam “revitimizadas” e “obrigadas a conviver por um longo período de tempo com o produto de uma concepção indesejada”.

Por Gazeta do Povo

Contatos

hostiliocaio@hotmail.com

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Busca no Blog

Arquivos

Arquivos

Arquivos