Pôr em xeque é a expressão que, oriunda do jogo de xadrez, se usa para dizer que algo é ameaçado ou está em perigo, em situação difícil.
No xadrez, o xeque é o lance em que o rei, peça principal do jogo, é ameaçado; se não houver possibilidade de fuga ou defesa, ou seja, se o ataque for decisivo, estará configurado o xeque-mate (que, em árabe, quer dizer “o rei está morto”), isto é, o fim do jogo. O PSB dos Tavares encontra-se nessa situação no tabuleiro… O seu rei está protegido apenas por um peão, enquanto que o adversário tem uma torre, um cavalo e a dama… Ainda conseguirá sair dessa enrascada???
Todo mundo tem seu dia da saudosa Madame Natasha do Veja Agora…
Ela é minha amiga… Ontem, me ligou para lamentar a morte do Papai Noel… Eu não entendi nada… Então fui até a sua casa… Chegando lá, ela disse-me está muito intrigada com o afogamento do Obama. Digo: Osama. Fiquei mais ainda confuso…
Eu queria que a Madame jogasse um tarô. Depois de muita insistência, ela embaralhou as cartas… Ela disse: “vire a primeira carta”… Virei a primeira carta, coincidentemente o primeiro arcano: O Mago. Madame então disse: “Um fundamentalista não terá como planejar mais nada”…
A carta seguinte era a do Louco. Arrepiei com a coincidência do último dos arcanos após o primeiro, mas a madame não se comoveu e apenas perguntou:
– Como imaginam que fique o corpo de um homem-botox? O que pode haver de mais revoltante querer se passar por play e ainda andar com aquele traira?
A lógica da amiga atrapalhava minha concentração e tive de me esforçar para abstrair-me na próxima carta: O Enforcado.
– Muito mais do que uma foto, motivo maior do esperto é achar que consegue enganar até vaca criada em ar condicionado… “Pra qualquer religioso mais importa o tratamento do morto do que motivo da morte.” Êpa!!! O que Madame quis dizer com isso?
Novamente divaguei lembrando o Ítalo Calvino, imaginando a armadura do Cavaleiro Inexistente sendo corroída pela maresia. Ainda assim virei outra carta: O Hierofante.
– Acaso Maomé foi lançado ao mar? Eu respondi que não… Alguma mulher já foi lançada ao mar? Eu disse: Acho que sim… Madame, então, respondeu… Essa não chega nem na praia…
Alheio, descartei Os Amantes. No lugar da figura a amiga deve ter enxergado os países baixos… Madame disse: “Vão continuar baixos”…
Daí pra frente era só virar a carta para a amiga ir recitando significados e com isso me deixando tão zonzo que me confundi e achei haver uma réplica do O Louco naquele baralho. Mas foi no seu comentário que percebi ser a figura do jogador que estava movendo a rainha pra dar o xeque-mate.
Enfarado, apontei num olhar e virei a próxima carta: A Sacerdotisa. Da estante veio a amiga folheando o atlas até encontrar a página:
– Aqui! – e meteu o dedo sobre a parte nova de São Luís. – E deste lado – fez o mesmo com o indicador da mão esquerda em cima da parte antiga de São Luís. Olhando por baixo de meus olhos, com cara de gato persa: – E o que é que tem no meio?
Murmurei a resposta virando o arcano Sem Nome, O Rio Anil.
Ela respondeu: “Não sua besta”… Soletrou – “Eles pensam que a parte do São Francisco está com os fundamentalistas e a antiga com os surdos”… Eu questionei: Madame que são os fundamentalistas e os surdos? Novamente, madame me chamou de burro e disse: “Poxa!!! Coisa fácil é você não consegue entender nada?” Olha só… Os fundamentalistas são aqueles que pensam que ganham os estudados e esses estudados ganham os não estudados, só no blábláblá, como se eles fossem professores de Deus, mas também compram votos… Os surdos são aqueles que não escutam direito e buscam os eleitores que gostam de asfalto, caixão de defunto, dentadura…
Depois de virar muita carta, entrei de sola e fui logo ao que interessa… Madame, que leva essa Roda da Fortuna, ou seja, a Prefeitura de São Luís?
Madame foi direta: “Pois é. No giro da Roda da Fortuna… Vejo apenas o Diabo.
Horrorizado, perguntei: Madame aí no baralho de tarô não uma carta de esperança? Ela respondeu: “A Estrela é a esperança”…
Mas sair dali pensando no tabuleiro do Xadrez… Dei uma olhada nas últimas mexidas… Aquelas especulativas e de cogitações, onde quis enxergar alguma saída para o último lance e não vi nada…
Publicado em: Governo