Em diversos artigos aqui nesse espaço, eu falei das distorções que acontecem na Câmara dos Deputados. Agora, com a anulação da licitação de duplicação da BR 135, o assunto vem à tona, mas com muitas informações dentro do senso comum e nas politiquices hipócritas. Como se uma andorinha só fizesse verão… O certo é que grandes bancadas, principalmente as comprometidas com seus estados, é que dão as cartas, principalmente quando o assunto é o apoio as determinações do Palácio do Planalto. Vou citar dois estados como exemplo: O Maranhão tem 18 deputados, desses 18 quantos apóiam o governo federal? São Paulo, por sua vez, tem 71 deputados, desses 71 quantos apóiam o governo Dilma? Então, é preciso maior união das bancadas minoritárias, caso contrário, ficará sempre com as migalhas!!!
Por isso, vale ressaltar que uma das principais patologias dos sistemas representativos das democracias contemporâneas é a não-proporcionalidade entre a população (ou eleitorado) de uma determinada circunscrição eleitoral e seu número de representantes na Câmara dos Deputados. O principal efeito dessa não-proporcionalidade é dar pesos distintos aos votos dos eleitores de diferentes circunscrições eleitorais, o que viola o princípio democrático de que todos os cidadãos tenham votos com valores iguais, evidenciado na máxima: um homem, um voto.
Existem duas formas mais comuns de violação da proporcionalidade entre população e representantes. A primeira delas é fruto da não revisão periódica do número de representantes de cada circunscrição eleitoral na Câmara dos Deputados. Nos casos em que há mudanças decorrentes do deslocamento da população no interior de um país, ou derivadas de diferentes padrões regionais de crescimento populacional, algumas unidades territoriais ficam sobre-representadas em prejuízo de outras.
Uma segunda maneira de violar a proporcionalidade entre população e representantes dos distritos eleitorais na Câmara dos Deputados deriva das regras estabelecidas (muitas vezes na Constituição) para alocação das cadeiras. Esta é a causa de os critérios estabelecidos para proceder à distribuição de cadeiras entre os estados serem tão importantes: eles podem ser rigorosamente proporcionais, ou podem favorecer alguns estados em detrimento de outros, como é evidenciado hoje na Câmara dos Deputados.
E é exatamente com essa distribuição de cadeiras da Câmara ser desproporcional, que vemos distorções representativas.
A alocação desproporcional de cadeiras na Câmara dos Deputados entre os estados é fator presente na história institucional brasileira, cujos estados com bancadas menores ficam a mercê das divisões impostas pelas grandes bancadas.
Os estados das regiões Sul e Sudeste dominam a Câmara dos Deputados e já estão se unindo para não deixar que sejam criados novos estados no norte e no nordeste, pois assim ficariam em desvantagem no Senado Federal. Esse assunto foi comentado aqui nesse blog.
Por outro lado, as maiores bancadas sempre se unem para lutar por seus estados. Alguns estados nordestinos e do norte do país aprenderam essa manobra e passaram a utilizá-la, principalmente as bancadas do Ceará, Bahia, Pernambuco. Eles buscam fatias importantes para os seus estados, além de saber negociar com as grandes bancadas a troca em detrimento de acordos de poder na Casa.
A bancada do Maranhão faz o contrário do jogo político imposto na Câmara dos Deputados… Não se unem em detrimento do Estado, não lutam por melhorias para o povo maranhense e nem tampouco buscam negociar com as grandes bancadas o jogo do poder na Casa, com isso fica apenas sendo usada separadamente para alegria das outras bancadas… Esses são os representantes escolhidos!!!
Espera-se, com isso, que a mídia faça suas críticas e questionamentos, mas dentro dos fatos reais e não na politicalha, pois assim está apenas estimulando para que tudo continue da mesma forma, ou seja, representantes vivendo nababescamente com o dinheiro do contribuinte, sem que lute pelo interesse da coletividade…
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