Esse talvez seja o maior fator para que o Maranhão continue sempre nesse marasmo desenvolvimentista. O maior culpado? Em minha opinião, os políticos, os intelectuais e os formadores de opinião.
Qualquer discussão no Maranhão é baseada apenas nas conseqüências, sem que de debata em sua essência as causas, ficando um debate dentro do senso comum e, na sua maioria, no confronto político, não trazendo nada que possa acabar com as conseqüências maléficas a coletividade.
Você, leitor, quer tirar uma dúvida nesse exato momento? Ligue para qualquer político maranhense e faça uma simples pergunta: “O senhor, poderia me dizer quais são as causas da evasão escolar hoje em Imperatriz ou São Luís?” Com certeza vai fazer rodeios e não responderá as verdadeiras causas, pois desconhece por completo. Poderá até, dentro do senso comum, que as causas de Imperatriz e São Luís são as mesmas, quando não é, visto que a evasão escolar não homogênea, mas sim heterogênea, cujos resultados são completamente distintos.
Hoje, estão debatendo se a Via Expressa pode ou não pode ser construída… O debate é altamente politiqueiro e não voltado para qualquer coisa que debata em sua essência as necessidades da coletividade, mas esse assunto é tema para outro post.
Vamos entrar em outro assunto que tomou conta da discussão nos últimos meses, sendo que totalmente dentro do senso comum e sem saber as causas que transformam a Saúde no Maranhão um caos.
Primeiramente, os maranhenses devem saber que a menor per capita por paciente no Brasil é a do Maranhão, que fica na casa dos R$ 110,00, enquanto queem outros Estadosa per capita é de R$ 150,00. A perda do Maranhão é imensa, porém isso não é debatido pelos políticos, intelectuais e formadores de opinião. Essa causa traz transtornos, visto que municípios que deveriam cumprir com a baixa e média complexidade não conseguem, gerando, com isso, essa corrida para os grandes centros.
O Ministro da Saúde foi bem claro ao dizer que para a per capita maranhense aumente é necessário uma rede hospitalar e que os municípios de baixa complexidade cumpram com suas obrigações. Você já viu ou ouviu esse debate em sua essência pelos políticos maranhenses?
Esses mesmos politiqueiros sabem quais são as verdadeiras causas da falta de médicos especialistas obstreta, clínica geral, cardiologistas, ginecologista e cirurgião geral? Não entram nesse debate porque desconhecem as causas… O Maranhão só tem 58 anestesistas para toda a população maranhense. Esse assunto é debatido?
Você já ouviu qualquer debate sobre a formação dos médicos da UFMA e o tipo de cirurgia que o hospital Universitário (Dutra) pratica? Com certeza não!!! O Dutra é um hospital que só realiza cirurgias de alta complexidade, levando os futuros médicos às especializações rentáveis e não aquelas que são necessárias em baixas e médias complexidades. O certo é que a formação está para especialistas e poucos generalistas.
Fala-se muito em falta de leitosem São Luís…Esse assunto está fora do debate, mas é preciso saber que os leitos do Hospital Dutra – Padrão “A” – estão cheios de pessoas que poderiam já está sendo acompanhadas em seus domicílios, visto que suas permanências são apenas para gerar mais lucros para o hospital, como pacientes osteomielite, seqüelas de traumas e de outras cirurgias que poderiam ser acompanhados de suas casas, pois existe esse tipo de tratamento com valores mais baratos.
Algum político ou intelectual já debateu que 30% dos leitos hospitalares estão preenchidos por pacientes advindos de acidentes de motos e que suas cirurgias são caras, além da facilidade da ficção hospitalar? Que esses acidentados superam até pacientes com AVC, que se tivessem um tratamento preventivo não estariam lotando os hospitais?
Como podemos ver, o debate no Maranhão não é em prol da coletividade, mas sim para ser usado na politicalha hipócrita, por isso as conseqüências estarão sempre em discussão e as causas no esquecimento.
Publicado em: Governo