Há muito tempo nota-se a preocupação com a marginalização dos grandes centros urbanos. A abordagem de um tema com difícil resolução torna-se polêmica pela pouca importância dada pelos dirigentes políticos envolvidos na construção de uma nação e a grande preocupação daqueles que vivem marginalizados, a preocupação dos mais solidários e dos estudiosos do assunto.
Analisando de um ponto de vista antropológico, o povo hoje em dia tem liberdade para ir e vir, pode escolher onde viver, do que se alimentar, qual carreira quer seguir, se quer estudar e até qual opção sexual quer adotar. De um ponto de vista mais cético.
Por outro lado, alguns poucos que obtém o acesso ao conhecimento, sabem como conseguir informação, e sabem como funciona a sociedade, contudo se transformam em delinqüentes por achar que estão acima do bem do bem e do mal.
Embora reforcem o medo nos indivíduos jovens de classes mais baixas, o receio estende-se a todos os jovens de camada social igual ou mesmo superior.
A cultura do medo parece vir construindo uma barreira invisível que separa e isola as pessoas, e as faz temer tudo e todos, deixando de confiar no outro. Entre os jovens, esse embaraço ganha contornos mais nítidos, principalmente nos jovens de classe média baixa e, às vezes, alta são cada vez mais apontados como executores de atos de delinqüência juvenil.
Atos que se estendem da participação em roubos e furtos, espancamentos de outros jovens, envolvimento com drogas, não apenas como consumidores, mas também como integrantes do tráfico, à prática do estupro, seqüestro e morte.
Várias reportagens na mídia nacional dão destaque a grupos de jovens de classe média alta envolvidos em espancamentos e lutas corporais, por motivos banais, em todas as capitais dos estados brasileiros. Desde tocar fogo em um índio que se encontrava dormindo em um ponto de ônibus na cidade de Brasília, ou espancar mendigos nas ruas, como tem acontecido. Isso quase sempre causa comoções e alarme por parte das famílias brasileiras, pelo receio do que possa acontecer a um dos seus filhos na saída inocente para uma festa, um bar ou boate e, sobretudo, pela impunidade dos jovens causadores desses atos. Impunidade, na maior parte das vezes, ocasionada pela morosidade da Justiça ou, o que é muito mais grave, pela importância econômica ou social dos pais dos participantes.
A cultura do medo faz as famílias dos jovens desconfiarem de todos os colegas dos seus filhos, mesmo os de famílias conhecidas, pois nunca se sabe, na verdade, quem é que está com seu filho.
Os jovens de classe média e média baixa têm medo das relações travadas com outros jovens de classe média alta, pelo uso do poder e impunidade desses últimos. Lembram notícias publicadas em jornais e na mídia em geral de jovens espancados por outros, envolvidos em disputa de espaço ou de namoradas, sendo os espancadores todos de classe média mais alta, ou no caso de estupros e mortes de adolescentes patrocinados por grupos de jovens de classe média alta e alta, e a impunidade que cerca esses crimes, por causa do poder político ou econômico dos pais.
Ao mesmo tempo, a violência, de forma concomitante e simultânea, parece ter se tornado banal e até democrática na contemporaneidade brasileira. A violência e o seu corolário, o medo da violência, parecem funcionar, desse modo, como meio de expressão e estilo de vida, especialmente entre os jovens.
Portanto, as desculpas dos delinqüentes que agrediram o cinegrafista da Mirante não condizem com a realidade. Contra fatos não há argumentos… A filmagem mostra tudo e espera-se que a Polícia tome as providências cabíveis, assim como o Ministério Público e a Justiça, pois caso contrário, esses delinqüentes continuarão apostando na impunidade…
Publicado em: Governo

















