Enquanto os políticos, que a sua maioria esmagadora tem um corpo de guarda-costas, tratarem desse assunto com politiquices eleitorais, cujo resultado do debate é medíocre e canalha, o crime organizado vai continuar levando uma larga vantagem sobre o Sistema de Segurança.
É preciso que se tenha consciência e, com isso, buscar de fato alternativas concretas para vencer essa guerra, que já causou diversos transtornos a coletividade.
Analisar com objetividade é algo para poucos, que realmente tem uma visão voltada para o coletivo e não buscar tirar vantagem eleitoreira sobre esse problema que se tornou mundial.
Por isso, é que vale ler esses dois pensamentos políticos:
CRISTOVAM BUARQUE: O Brasil vive uma guerra civil. Guerra civil significa que o problema tem de ser enfrentado pela República, pela nação, pelo presidente da República. Não dá para enfrentar uma guerra civil apenas pelas polícias estaduais.
É preciso pensar a segurança pública em cinco dimensões: a) a prevenção, sobretudo para que a violência não seduza jovens, principalmente os pobres que vivem nas periferias das grandes cidades; b) agilizar o Fundo Nacional de Segurança Pública e a criação de uma agência coordenadora para as polícias; c) ampliar as ações da Polícia Federal com as polícias locais no combate a crimes, como contrabando de armas e drogas; prisões temáticas, alocando cada preso segundo seu crime, em prisões diferentes e menores, não misturando os diferentes tipos de delitos na mesma cadeia, pois isso transforma nossas prisões em centrais do crime; d) fortalecer os mecanismos de auditoria autônoma da polícia, ouvidorias e manuais de condutas; e) estimular a formação universitária das polícias e as ações de aproximação e prestação de serviços à comunidade, como as experiências de polícias comunitárias.
GERALDO ALCKMIN: A violência é, hoje, um fenômeno que atinge as principais cidades brasileiras, não se limita a um estado ou região. Por ser um problema nacional, o presidente da República precisa assumir pessoalmente a responsabilidade de enfrentar a criminalidade. Eu não serei omisso. É necessário unir o país em torno deste tema, ajudando as polícias estaduais, liberando os recursos necessários, integrando este trabalho para pôr fim ao crime organizado no Brasil. Investir em inteligência e em equipamentos modernos é essencial para enfrentar o crime organizado.
Vou propor a revisão de toda a legislação, da Lei de Execução Penal e do Código Penal. Vou criar a Polícia Federal fardada para policiar as fronteiras, para combater o tráfico de drogas e o contrabando de armas. Também vou promover a integração da Receita Federal e do Banco Central em ações contra a lavagem de dinheiro, que é fator de alimentação tanto do crime organizado como da corrupção. Sem coibir o contrabando de armas, as polícias estaduais ficam enxugando gelo. Só no Estado de São Paulo, a PM apreende uma arma a cada 14 minutos. É impossível permanecer do jeito que está.
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