Sobre assassinatos, drogas, Justiça e sociedade…

Publicado em   11/nov/2014
por  Caio Hostilio

Do blog do Marco D’Eça

Assassinato de médico por quadrilha que deveria estar presa expõe mais uma vez a leniência do sistema judiciário, que liberta bandidos horas depois de serem presos, pondo em risco tanto os policiais que o prenderam quanto a sociedade e o próprio Judiciário

Editorial

Nixon: favorecido pela leniência judicial

Nixon: favorecido pela leniência judicial

Os criminosos Nixon Richardson e L.M.P., acusados pela morte do médico Luiz Alfredo Guterres, deveriam estar na cadeia.

Eles foram presos em janeiro, também por assalto a residências – e já respondem a outros dois processos – mas foram postos em liberdade pouco tempo depois, por uma dessas estranhas ações da Justiça maranhense.  (Leia aqui)

Mas a ação que libertou é mais comum do que se imagina nos meios judiciais do Maranhão.

Quem não se lembra do bandido Big-Big, preso mais de vezes  pela polícia e solto outras dez vezes pela Justiça, para voltar a roubar e matar em São Luís? (Relembre aqui)

Não há dúvidas de que há uma promiscuidade social em relação às drogas e seus operadores no Maranhão.

Policiais militares e civis se expõem diariamente para botar atrás das grades bandidos que comandam o tráfico, mas por conta desta permissividade social em relação a estes bandidos, muitos deles acabam libertos rapidamente.

E voltam para matar policiais e pais de família.

Muitos dos juízes que  que dão “habeas corpus” a traficantes são os mesmos que vão atrás do “tapa” naquele “pó” em festa de granfino.

E muitos advogados que libertam assassinos veem os filhos morrerem nas mãos do crack em becos fétidos da periferia dos grandes centros.

Jornalistas que fazem verdadeiros tratados sobre a falta de Segurança Pública, estão à noite, alimentando bocas-de-fumo em ruelas apodrecidas do Centro Histórico.

O problema das drogas, que resulta em roubos e assassinatos, não se acaba por causa desta permissividade hipócrita da sociedade.

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A mesma hipocrisia que faz proteger um bandido das luzes da mídia pelo fato de ele ser “de menor”, embora sua periculosidade seja maior que a de muito senhor de idade.

A mesma hipocrisia que faz levantar defensores dos Direitos Humanos e das causas sociais, que só atuam financiados e sob holofotes, mantendo segura distância daqueles que dizem proteger, enquanto as famílias das vítimas destes calhordas seguem abandonadas à própria sorte.

É lamentável que marginais como Nixon Richardson ainda consigam perambular pelas ruas, sob os olhos de juízes mais preocupados com o novo carango que comprou, ou mesmo com a ajuda de custo que reivindica para bancar a escola do filho – enquanto os filhos dos desassistidos são jogados em escolas-lixo nas periferias.

Luiz Alfredo Guterres foi mais uma vítima classe A do sistema que financia o tráfico de drogas e abastece a mesma classe A que ora chora a morte de um dos seus.

Mas haverá outros, infelizmente, resultado direto da combinação entre traficantes endinheirados, advogados corruptos, sociedade drogada e juízes interessados apenas na próxima viagem ao exterior.

E a vida segue, com a mesma hipocrisia e anteontem.

Hoje e amanhã…

  Publicado em: Governo

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