
Na avaliação de interlocutores de Flávio ouvidos reservadamente pela equipe do blog, a decisão de Moraes tem um “marco temporal bem estratégico”, ao impedir, na prática, que o filho 01 mantenha interlocução com o pai em um momento-chave do calendário eleitoral, com a definição de palanques estaduais e a realização da convenção que vai formalizar a sua candidatura à presidência, marcada para o dia 25 deste mês, em São Paulo.
“Flávio não usou rede social alguma. Inclusive Flávio já havia lido outra carta do pai, aquela em que ele o escolheu como o candidato da família. Bolsonaro pode, querendo, dar entrevistas. Lula deu várias. Se ele pode dar entrevistas, e o próprio Moraes já permitiu isso, por qual motivo suas cartas não podem ser lidas por terceiros?”, questionou um integrante da campanha de Flávio.
Em dezembro do ano passado, Moraes havia autorizado Bolsonaro a conceder entrevista ao portal Metrópoles, mesmo preso. O ex-presidente, no entanto, acabou cancelando a entrevista alegando “questão de saúde”.
“Se Bolsonaro elege Flávio de porta-voz e dias depois, possivelmente por isso, os contatos entre os dois são proibidos, a decisão faz o que sempre se quis: calar Bolsonaro”, afirmou esse integrante do núcleo duro da campanha.
Redes sociais
Em setembro do ano passado, a Primeira Turma do Supremo condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista, sob a acusação de liderar uma organização criminosa para se perpetuar no poder. Entre as medidas cautelares impostas por Moraes ao ex-presidente, está a “proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros”.
Para Moraes, essa fala sugere que Bolsonaro tinha “plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais”, o que, na visão do ministro, “configuraria igualmente desrespeito à medida cautelar a que está submetido”.
‘Tratamento desigual’
Em nota divulgada à imprensa, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a decisão é “autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável”.
“A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição”, criticou Marinho.
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