Lobista chama Lula de “mau caráter” e diz que quer fazer delação: “Não vou poupar ninguém”

Publicado em   19/out/2026
por  Caio Hostilio

A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista à CNN na noite deste sábado (17), que gostaria de firmar um acordo de delação premiada no âmbito dos inquéritos em que é investigada pela Polícia Federal (PF).

Caso a colaboração avance, ela diz que não pretende poupar ninguém, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com quem mantém relação de amizade e sociedade. Roberta também afirmou que pode fornecer informações que, segundo ela, não estão nos aparelhos e documentos apreendidos durante as investigações.

A possibilidade de uma delação ocorre em meio ao agravamento do conflito público entre a lobista e o presidente. Roberta acusa Lula de mentir sobre a relação entre os dois e de usar sua posição para atribuir a ela responsabilidades que, segundo afirma, não seriam suas.

Em duas entrevistas, o presidente a chamou de “pilantra” e disse não conhecê-la. A empresária reagiu afirmando que, se Lula não se lembra dela, pode estar “esclerosado”. Ela também o classificou como “mau caráter”, em uma série de declarações nas quais nega ter cometido irregularidades e sustenta que vem sendo ameaçada desde que seu nome passou a aparecer nas investigações.

Roberta tem 41 anos, é empresária e lobista e se aproximou do PT a partir de 2017, quando Lula enfrentava processos relacionados à Operação Lava Jato. Em 2018, concorreu a deputada estadual por São Paulo pelo partido, mas não foi eleita. Sua proximidade com Lulinha, filho mais velho do presidente, é um dos pontos centrais dos inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência e tentativas de intermediar negócios com órgãos públicos federais.

Após a entrevista, em nota da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República à CNN Brasil, o presidente Lula disse desconhecer os fatos relatados por Roberta. “Como já esclareceu em outras ocasiões, [Lula] jamais manteve interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, diz a nota.

“Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, a divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores”, segue a Secom.

A defesa de Lulinha afirmou que ele não cometeu irregularidades, que disponibilizou seus dados bancários, fiscais e telemáticos à Justiça e que pretende comprovar sua inocência. O advogado do filho do presidente disse ainda que as relações de Lulinha com políticos são pessoais e não envolvem trocas ilegais.

“As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso retrata, mais do que qualquer coisa, sua contrariedade tanto em relação às declarações do Presidente da República sobre seu caráter quanto, de forma compreensível, em relação ao incessante ataque resultante de vazamentos criminosos que têm o evidente objetivo de controlar a pauta da imprensa em período eleitoral”, diz a nota assinada pelo advogado Guilherme Suguimore Santos (veja a íntegra ao final desta matéria).

Reuniões a portas fechadas e contrato de R$ 2 bi

Roberta Luchsinger disse ainda que Lulinha mantinha encontros frequentes com o presidente de uma empreiteira portuguesa no Brasil. Segundo ela, os dois eram vizinhos quando Lulinha morava no país e se reuniam para tratar de negócios, inclusive em sua casa, “a portas fechadas”. Roberta insinuou que os encontros poderiam estar relacionados ao contrato de R$ 2 bilhões da empresa para construir o túnel Santos–Guarujá, em São Paulo.

A obra integra o Novo PAC e tem investimento total estimado em R$ 6,8 bilhões, no modelo de parceria público-privada. A União aportou R$ 2,6 bilhões, enquanto o governo paulista contribuiu com outros R$ 2,7 bilhões.

Roberta insinuou que os encontros poderiam estar relacionados ao contrato de R$ 2 bilhões da empresa para construir o túnel Santos–Guarujá, em São Paulo. A lobista não deu mais detalhes sobre o suposto contrato nem apresentou provas sobre a relação de Lulinha com o representante da empreiteira.

  Publicado em: Política

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