Não sou médico e não gosto de discutir dentro do senso comum, mas gosto muito de ler, pesquisar e buscar informações científicas. Portanto, busquei informações com médicos cientistas na área: Drs. Ibsen T. Damiani, Edson I. Yokoo e Dr. Rubens J. Gagliardi
Segundo eles, pacientes com o histórico do meu sogro (quatro cirurgia cardíaca e um AVC), o AVC pode se manifesta de modos diferentes, pois depende da área do cérebro atingida, do tamanho da mesma, do tipo (Isquêmico ou Hemorrágico), do estado geral do paciente, etc.
De maneira geral, a principal característica é a rapidez com que aparece as alterações; em questão de segundos a horas (de maneira abrupta ou rapidamente progressiva). Podemos chamar a atenção para aquelas mais comuns:
Fraqueza ou adormecimento de um membro ou de um lado do corpo, com dificuldade para se movimentar;
a) Alteração da linguagem, passando a falar “enrolado” ou sem conseguir se expressar, ou ainda sem conseguir entender o que lhe é dito;
b) Perda de visão de um olho, ou parte do campo visual de ambos os olhos;
c) Dor de cabeça súbita, semelhante a uma “paulada, sem causa aparente;
d) Vômitos, sonolência ou coma; perda de memória, confusão mental e dificuldades para executar tarefas habituais (de início rápido).
OBS.: O meu sogro estava apresentando os sintomas da letra ‘a’ e ‘d’.
Estas alterações não são exclusivas do AVC. Apenas servem de alerta de que algo está acontecendo, devendo procurar auxílio médico imediatamente.
Devemos chamar a atenção para aqueles pacientes mais idosos (caso do meu sogro), acamados por quaisquer motivos, inclusive por um “derrame” prévio. Neste caso, eles têm vários fatores de risco e é muito comum passarem desapercebidas estas alterações. É importante prestarmos atenção na capacidade habitual de movimentos de seus membros, como eles costumam falar, na quantidade e horário normal de sono. Se houver piora (por exemplo, “antes erguia a mão até a cabeça, agora o faz pouco ou nem movimenta”), levar ao médico e, de preferência, prestar estas informações a ele.
O médico tem que solicitar exames complementares com a finalidade de confirmar ou afastar o diagnóstico de uma doença que está suspeitando descobrir a causa, verificar a gravidade e a evolução e certificar-se do local da lesão.
Assim, para que o médico possa determinar os exames necessários, é preciso sua prévia avaliação, baseada nas informações dos acompanhantes e, quando possível, do próprio paciente, bem como o exame clínico e neurológico do mesmo.
As informações mais importantes, em geral, são: o que o paciente sente, desde quando, a maneira que começou a adoecer (rápida, progressiva etc…), como o paciente passou do início até a admissão ao hospital, medicamentos, doenças prévias e atuais etc..
Os exames mais comuns são:
a) exames laboratoriais de sangue, urina, líquido cefalorraquiano (líquor)
b) avaliação cardíaca e pulmonar, eletrocardiograma, ecocardiograma, radiografia do tórax;
c) exames de imagem do crânio (cérebro), tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, angiografia cerebral;
d) outros exames: ultrassonografia das artérias carótidas e vertebrais, etc.
OBS.: Exames que não foram feitos, apenas lhe deram um medicamento.
Devemos lembrar que o AVC é uma urgência, tanto quanto o infarto do coração. Em outras palavras, diante de uma suspeita, levar o paciente imediatamente ao Pronto Socorro e interná-lo.
Evite medicar sem orientação médica, por melhor que seja a sua intenção. Como exemplo, muitas vezes a pressão arterial está elevada e, na ansiedade de querer baixá-la, corre-se o risco de exagerar. Neste caso, a pressão baixa dificultará a chegada do sangue ao cérebro, complicando o quadro.
OBS.: O médico de Zé Doca mandou de volta para casa e que as pessoas leigas continuassem a medicar.
No hospital, o médico responsável deverá se preocupar, entre vários parâmetros, com uma respiração e hidratação adequada, com uma dieta adequada (seja via oral ou através do sangue), cuidados para evitar feridas (escaras) devido a persistência do paciente numa mesma posição, controle da pressão e da temperatura (evitando complicações infecciosas, principalmente pulmonares), prevenção de trombose nas veias das pernas, etc.. Além de tudo, existe o tratamento específico: correção dos distúrbios da coagulação sangüínea, prevenção do vaso espasmo (1á explicado), evitar aumento da zona de penumbra (devido ao edema) combater os radicais livres, etc…
Como se pode ver, o médico que atendeu meu sogro em Zé Doca não seguiu o procedimento correto, isso exigido pela Organização Mundial de Saúde e respaldada por médicos/doutores da área.
Nunca se pode confundir pintura em prédios com logomarcas, medicamentos corriqueiros e atendimento ao Deus dará, com uma medicina realmente preventiva, seguida da corretiva; coerente e dentro dos parâmetros que requer um atendimento científico e não no empirismo e na má vontade.
Saúde pública não é comércio… É política pública de qualidade e eficiente. É disso que os excluídos precisam.
Publicado em: Governo



























