
Em 2002, um ano antes de o pai tomar posse como presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva ganhava R$ 600 por mês como monitor no Zoológico de São Paulo. Lulinha não cuidava dos bichos, mas explicava para os visitantes o que o elefante come, por que o pescoço da girafa é grande, como a onça se camufla na mata. Até então, sua vida era marcada apenas pelos bichos e pela discrição, sem sinal de qualquer vocação para os negócios.
Hoje, aos 51 anos, o filho mais velho de Lula voltou a ser investigado pela Polícia Federal. Fábio já esteve na mira da Lava Jato por causa de suas empresas e agora reaparece numa história que envolve uma lobista, viagens internacionais bancadas por terceiros e gente com acesso direto ao presidente.
O salto do zoológico para o mundo do dinheiro e do poder em pouco mais de 20 anos já seria, por si só, um percurso digno de atenção. Mas há outro detalhe interessante nessa trajetória: Fábio Luís, que nunca deu uma entrevista de verdade, talvez seja a figura mais citada e menos ouvida da era lulista.
Quem fala por Lulinha são sempre os outros (a mãe, os amigos, os advogados, o próprio pai). A blindagem, ao que tudo indica, começa justamente aí: fazendo com que ele próprio apareça o mínimo possível.
Lulinha nasceu em São Bernardo do Campo, em março de 1975 — um mês antes de o pai assumir a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos. Quando Lula foi preso pela primeira vez, em 1980, enquanto liderava uma greve de 41 dias no ABC, ele tinha apenas cinco anos.
Foi nessa fase que Fábio fez a amizade mais duradoura de sua vida: com Fernando e Kalil Bittar, filhos de Jacó Bittar, “companheiro de luta” de Lula. Décadas depois, os três se tornariam sócios e, mais tarde, apareceriam em investigações criminais.
Biograficamente falando, Lulinha quase não existe antes dos 30 anos. Sabe-se apenas da infância num ambiente de política e sindicalismo, da formação em Biologia pela Unip (Universidade Paulista) e de algum interesse por videogames e internet. Isso mudaria a partir de 2003.
Naquele ano, os irmãos Bittar, que já tinham experiência em publicidade, convidaram Fábio para fundar uma companhia de entretenimento, a Gamecorp. Em 2005, a Telemar (futura Oi) investiu R$ 5 milhões no negócio — graças, é claro, ao talento incomum de Lulinha, que por acaso era filho do presidente da República.
Quem descreveu como esse dinheiro circulava foi Marco Aurélio Vitale, ex-diretor comercial do grupo de Suassuna. Segundo ele, essas empresas “conseguiam um tratamento que não existia dentro da operadora”. Em resumo, os projetos eram aprovados diretamente pela presidência da Oi, sem análise comercial.
“O importante era a entrada de dinheiro”, disse Vitale, completando que a sociedade com Fábio funcionava como “uma fachada necessária para que todos realizassem seus negócios através da ligação familiar”.
Pedido de prisão
O cerco à Gamecorp se apertou no fim de 2019, quando a Lava Jato deflagrou a Operação Mapa da Mina, que investigou R$ 132 milhões repassados pela Oi e pela Vivo às empresas ligadas a Lulinha e seus sócios. A Polícia Federal chegou a pedir a prisão de Fábio Luís, mas a Justiça negou o pedido.
As investigações, porém, não terminaram com a venda da empresa. Em janeiro de 2022, a Justiça Federal em São Paulo determinou o arquivamento do caso após o STF questionar a atuação de Sergio Moro no processo e considerar que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era a instância competente para julgá-lo.
As provas obtidas a partir das quebras de sigilo e das buscas foram anuladas, e o Ministério Público Federal concluiu que não havia elementos válidos para sustentar uma denúncia. Não houve condenação.
Modéstia calculada
O episódio da venda da participação de Lulinha na Gamecorp ainda guarda um elemento “histórico”: uma carta que ele escreveu para os funcionários e pode ser considerada o registro mais próximo de Fábio “falando por si”.
Lulinha também se coloca como injustiçado: “Não conheço um negócio que tenha sido tão vasculhado, por tanto tempo”. E exagera no tratamento que recebeu da imprensa (“Apesar do massacre, nunca conseguiram demonstrar qualquer irregularidade”).
Ele termina a carta num tom de modéstia calculada, lembrando que, mesmo depois de 16 anos à frente de uma empresa de tecnologia e entretenimento, ainda é um biólogo. “Meu lado biólogo manda eu seguir à risca as recomendações”, escreveu, referindo-se às regras sanitárias durante a pandemia de Covid-19.
Zanin e o Prerrô
Nas últimas duas décadas, Fábio também construiu uma rede no mundo jurídico. Um dos primeiros advogados de peso a defendê-lo foi Cristiano Zanin, que atuou no caso da Gamecorp e num episódio envolvendo boatos nas redes sociais. Quatro anos depois, Zanin assumiria a defesa de Lula na Lava Jato e, em 2023, chegaria ao STF.
Nos autos, porém, o atual advogado é Guilherme Suguimori, escolhido após uma articulação de Marco Aurélio de Carvalho. Formado pela USP, Suguimori tem um perfil considerado “discreto”, que pode ajudar a família presidencial a controlar a exposição das encrencas do filho.
Não é timidez
Fora dos negócios e dos processos, Fábio sempre manteve uma vida cuidadosamente reservada. Casado com Renata Moreira e pai de dois filhos, ele morou, até 2012, num apartamento alugado no Jardins, região nobre da capital paulista. Segundo apurações da época, a mensalidade de R$ 12 mil era bancada por uma empresa ligada a Jonas Suassuna.
Depois, Lulinha se mudou para um condomínio de alta classe em Moema. O imóvel foi comprado por Suassuna por R$ 3 milhões e passou por uma reforma de R$ 1,6 milhão.
Segundo outra figura próxima de Fábio, o cacique petista Washington Quaquá, a nova vida na Espanha tem sido marcada por “condições espartanas” e “precárias”. “Ele não é um cara rico”, garante o vice-presidente nacional do partido e prefeito de Maricá (RJ).
Questionado sobre o suposto temperamento, digamos, retraído, de Fábio nos últimos 20 anos, Camilo Filho acabou entregando o jogo. “Ele tem uma assessoria jurídica que o orientou a não se manifestar”, disse o advogado ao canal do jornalista Luis Nassif do YouTube. Não se trata, portanto, de timidez, mas de estratégia.
Sonegação fiscal
A discrição de Lulinha também marca sua relação com os outros membros da família — ele tem dois irmãos biológicos (Sandro Luís e Luís Cláudio), um adotivo (Marcos Cláudio, filho do primeiro casamento de Marisa) e uma meia-irmã (Lurian, filha de Lula com Miriam Cordeiro).
O inquérito acabou arquivado em 2021 por falta de provas, depois que evidências obtidas na Lava Jato foram anuladas. Ainda assim, o caso mostra que a trajetória “empreendedora” de Lulinha não ficou só na Gamecorp.
Outro momento de exposição familiar ocorreu em 2016, quando um áudio de uma conversa de Fábio com a mãe, Marisa Letícia, foi interceptado pela Lava Jato e acabou vazado. Na gravação, Lulinha reclama da pressão sobre a família e Marisa reage irritada aos protestos contra Lula e os filhos, chamando os manifestantes de “coxinhas”.
O registro serve como uma amostra da relação entre os dois. O filho procura a mãe para desabafar e Marisa, como tantos outros personagens que cercam Fábio, parece estar ali também para blindá-lo.
“Melhores amigas para sempre”
Depois de alguns anos longe dos holofotes, Fábio voltou ao noticiário neste ano por causa de uma figura, no mínimo, peculiar: Roberta Luchsinger, lobista e amiga íntima de Lulinha e de sua mulher, Renata.
A relação é tão próxima que as duas chegaram a fazer tatuagens iguais, com a inscrição “BFF” (sigla em inglês para “melhores amigas para sempre”). Mas essa proximidade também foi motivo de confusão nos tribunais.
Em uma ação movida por uma ex-empregada de Roberta, os advogados se referiram a Lulinha ora como amigo, ora como marido da empresária. A petição ainda dizia que os dois haviam se mudado juntos para a Espanha.
O erro pode parecer banal, mas revela um detalhe intrigante: Fábio realmente frequentava a casa de Roberta em Brasília e, segundo áudios divulgados pela defesa da empregada, ele chegou a dormir no “quarto das crianças”.
Roberta, Marcola e o Careca
Já a Polícia Federal suspeita que essa amizade também tem um lado menos desinteressado. Roberta pagava despesas de Lulinha em Brasília e bancava viagens internacionais. Além disso, foi ela quem o apresentou a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores do esquema de fraudes em aposentadorias.
A partir de Roberta, a investigação chegou a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, chefe do gabinete pessoal de Lula até o último mês de julho. A PF identificou repasses de Roberta para ele. Marcola afirma que se tratava de um empréstimo já quitado.
Enfim, foi essa conexão — Lulinha, Roberta, o “Careca do INSS” e o homem responsável por controlar o acesso ao presidente — que colocou novamente o filho de Lula na mira da Polícia Federal.
Mais de vinte anos depois de deixar o zoológico, Fábio Luís continua sendo o filho que quase não fala (e sempre se safa). Ao contrário do pai, que fala até demais, Lulinha parece ter escolhido outro caminho para se proteger: silêncio, relações e proximidade.
Publicado em: Política


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Milhares de pessoas ocuparam a tradicional Rua Grande, em São Luís, na tarde desta segunda-feira (17), durante uma caminhada liderada por Orleans Brandão, candidato ao Governo do Maranhão pelo MDB. Ao lado do candidato a vice-governador Edivaldo Holanda Júnior, Orleans percorreu o trecho entre a Praça João Lisboa, onde ocorreu a concentração, e a Praça Deodoro.
Durante o percurso, Orleans entrou em lojas, conversou com comerciantes e cumprimentou pedestres e trabalhadores. A mobilização reuniu apoiadores de diferentes regiões da capital e contou com a presença do senador Weverton Rocha, além de prefeitos, candidatos a deputados estaduais e federais, vereadores e lideranças políticas e comunitárias de várias regiões do estado.
Na Praça Deodoro, Orleans agradeceu a participação popular e destacou o crescimento de sua campanha no Maranhão. “Estou muito feliz com o carinho que estou recebendo em todo o estado, por estar andando pelo Maranhão e conversando com as pessoas. Tenho a certeza de que o povo abraçou esse projeto”, afirmou.
Ao falar sobre a parceria com Edivaldo Holanda Júnior, Orleans ressaltou a experiência administrativa do candidato a vice-governador e defendeu a retomada de um trabalho estruturado na capital e na Região Metropolitana.
“O Edivaldo não era o prefeito do TikTok, mas era o prefeito das realizações. Quero que ele seja meu coordenador não apenas de campanha, mas também de trabalho aqui em São Luís e em toda a região, para que a gente volte a fazer aquele trabalho que ele realizou à frente da prefeitura”, declarou.
Edivaldo também manifestou confiança na capacidade administrativa de Orleans e ressaltou o conhecimento do candidato sobre a realidade dos municípios maranhenses. “Orleans conhece de perto os problemas dos municípios e ajudou na solução de muitos deles. Hoje, ele tem a oportunidade de colocar seu nome à disposição do povo para governar o Maranhão”, frisou.
Ao final do ato, Orleans apontou a geração de emprego e renda e a ampliação das oportunidades como prioridades de uma eventual gestão. O candidato também defendeu a continuidade das ações realizadas no estado e o fortalecimento das políticas públicas direcionadas a São Luís.
“Estou pedindo, com muita humildade, uma oportunidade para continuarmos esse trabalho, seguirmos avançando e fazermos o governo das oportunidades, da geração de emprego e renda”, concluiu.
O primeiro dia da campanha oficial de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Maranhão foi marcado por grandes mobilizações desde os primeiros minutos do domingo (16). Adesivaços, grandes caminhadas e forte participação popular deram o tom do novo momento da campanha eleitoral do emedebista.
Neste domingo (16), milhares de pessoas ocuparam as ruas em diferentes pontos do estado para manifestar apoio a Orleans Brandão e aos demais candidatos da coligação “Avanço por Todo Maranhão”, demonstrando entusiasmo e confiança no projeto político liderado pelo emedebista.
Logo nos primeiros minutos do dia, um grande adesivaço atraiu apoiadores interessados em adesivar carros, motos e outros veículos com o material da campanha.
Na verdade, o Brasil vive um momento Sui generis, cujo STF faz estripulias para deixar de lado a Constituição Federal. Atualmente, não se sabe o quê não é permitido ao STF e quem de fato pode fazê-lo parar e passar a respeitar apenas suas prerrogativas.
O deputado Neto Evangelista está correto em denunciar essa covardia contra uma pequena empreendedora, que tinha um pequeno negócio no bairro Filipinho, mais precisamente, na Avenida São Marçal.
Candidato do PT ao governo do Maranhão, Felipe Camarão afirmou que Flávio Dino “será presidente da República, se Deus quiser”
O candidato ao Governo do Maranhão, Orleans Brandão (MDB), esteve em Joselândia, onde se reuniu com lideranças dos principais grupos políticos do município, neste domingo (16). Em encontros com o prefeito Raimundo Zuca, com o líder político Aroldo Garimpeiro e com o ex-prefeito Biné, o emedebista reforçou a aliança e o apoio em torno de seu projeto de governo.
Na cidade, Orleans reafirmou o compromisso com a conclusão das obras da estrada que liga Joselândia a Esperantinópolis, considerada estratégica para melhorar a mobilidade e fortalecer o desenvolvimento da região.
“As obras que já começaram, pode ter certeza que eu vou continuar. Quero seguir avançando, trabalhando pelos mais humildes e, principalmente, gerando emprego e renda para o nosso estado. E quero muito contar com a querida cidade de Joselândia”, afirmou Orleans, que estava acompanhado de aliados, como o senador Weverton Rocha e os deputados federais Aluísio Mendes e Júnior Lourenço.
O prefeito Raimundo Zuca, que celebrou seu aniversário também no domingo, agradeceu a presença e confirmou seu apoio a Orleans e suas propostas para o governo, reforçando que está ao lado de quem trabalha pelo desenvolvimento de Joselândia.
*Confiança*
‘Investigações de Dino no Maranhão são de adversários políticos de agora, pois eram aliados do ministro na época em que era governador’, diz Carlos Andreazza.
