PF acha depósitos de R$ 11,5 milhões da OAS para Paulo Roberto Costa
Cláudio Humberto
A OAS African Investments Limited, que integra o grupo liderado pela empreiteira baiana OAS, depositou US$ 4,8 milhões (R$ 11,5 milhões) na conta da offshore Santa Thereza Services Ltd, controlada pelo exdiretor de Abastecimento da Petrobrs, Paulo Roberto Costa, divididos em três créditos no valor de US$ 1,6 milhão cada realizados nos dias 7 de maio, 11 de junho e 17 de julho de 2013. A OAB é uma das empresas que têm mais contratos no governo federal, e está entre as contratadas pela Petrobras para a obra da refinaria de Abreu e Lima (PE), suspeita de superfaturamento.
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal localizaram documentos sobre as transferências durante buscas realizadas em julho, por ordem judicial, no escritório e na residência do executivo João Procópio Junqueira de Almeida Prado, apontado como operador do doleiro Alberto Youssef – mentor do esquema de lavagem de dinheiro desmantelado Pela Operação Lava Jato. A Santa Thereza é uma das onze offshores controladas por Paulo Roberto Costa, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. As informações são de Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo.
No acordo, Costa abriu mão de todos os ativos depositados em contas das offshores por ele administradas, inclusive a Santa Thereza Services Ltd. Costa já autorizou a repatriação de US$ 25,8 milhões depositados na Suíça e em Cayman. “Chama a atenção no extrato bancário da conta mantida pela Santa Thereza Services Ltd os valores milionários provenientes, sobretudo, da OAS African Investments Limited”, assinala o Ministério Público Federal.
Com João Procópio a PF apreendeu extrato da conta da offshore Santa Thereza no período de 8 de outubro de 2012 a 4 de março de 2013, com diversas operações em valores iguais de US$ 1 milhão cada. Em 2011, segundo a Procuradoria da República, a conta da Santa Thereza na Suíça recebeu “onze operações sequenciais” de créditos originadas da Sanko Sider. A conta da Santa Thereza recebeu US$ 289,74 mil euros da Sanko Sider entre 24 de janeiro de 2013 e 7 de fevereiro de 2014. “Esse valor é relacionado aos crimes de corrupção, peculato, contra o sistema financeiro e tributário”, afirma a Procuradoria da República.
A PF e o Ministério Público Federal apuraram que dentro da conta da offshore Santa Thereza há quatro subcontas denominadas Fianca, CC, Premier e Sanko “todas controladas pela organização criminosa de Youssef e utilizadas para práticas delitivas”, segundo a Procuradoria. Para a Procuradoria, a OAS “está diretamente envolvida com os desvios de valores e crimes contra a administração”. No acordo de delação, Paulo Roberto Costa reconheceu que todos os valores depositados em contas das offshores, inclusive da Santa Thereza, são “integralmente produto de atividade criminosa”. Ele se comprometeu a “prontamente praticar qualquer ato necessário à repatriação desses valores em benefício do país”.
Publicado em: Governo



