
O advogado e empresário Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia neste domingo (21). Com 98,22% das urnas apuradas no segundo turno, De la Espriella consolidou sua vitória ao obter 12.766.679 votos (49,77% dos sufrágios válidos), derrotando o candidato governista Iván Cepeda.
A vitória confirma a tendência do primeiro turno, quando De la Espriella já havia liderado a disputa com 10.361.499 votos (43,74%), contra 9.688.361 de Cepeda (40,90%). O economista José Manuel Restrepo será o vice-presidente na gestão que governará o país no período de 2026 a 2030.
Quem é o presidente eleito?
Nascido em Bogotá em 31 de julho de 1978 e criado em Montería, capital do departamento de Córdoba, De la Espriella formou-se em Direito pela Universidad Sergio Arboleda. Em 2002, fundou o escritório De la Espriella Lawyers, expandindo operações para grandes centros como Bogotá, Barranquilla, Medellín e Miami.
Ao longo de sua carreira jurídica, ganhou notoriedade ao representar empresários, artistas, militares e figuras públicas em processos de grande repercussão. Entre seus clientes mais conhecidos estão Álex Saab e David Murcia Guzmán — pontos que foram explorados por seus adversários durante a campanha, mas que o presidente eleito defendeu como parte de sua atuação estritamente profissional.
Fora dos tribunais, De la Espriella atua nos setores de consumo, moda e estilo de vida, além de possuir produções musicais inspiradas em repertórios italianos. Ele é casado desde 2008 com Ana Lucía Pineda, com quem tem quatro filhos.
A campanha que transformou a direita colombiana
Lançado em julho de 2025, o movimento Defensores de la Patria serviu como plataforma de viés nacionalista conservador para catapultar a candidatura de De la Espriella. Ele se apresentou como um “outsider”, destacando o fato de nunca ter ocupado cargos públicos ou administrado recursos estatais.
Sua campanha foi construída em torno de três pilares principais: segurança, autoridade e forte oposição ao projeto político do atual presidente, Gustavo Petro. Em janeiro de 2026, a candidatura ganhou tração ao receber o apoio do movimento Salvación Nacional e, posteriormente, de outras forças de centro-direita.
Principais propostas de governo:
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Segurança: Política de “mano dura” contra o crime organizado, combate à corrupção e construção de megacárceres de alta segurança.
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Combate ao narcotráfico: Reativação das fumigações contra cultivos ilícitos.
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Geopolítica: Fortalecimento da cooperação militar com Estados Unidos e Israel, além de uma postura firmemente crítica em relação ao governo da Venezuela.
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Economia: Redução de impostos, eliminação do imposto financeiro 4×1000 e abertura de novos contratos para exploração petrolífera.
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Pauta Social: Alinhamento com a defesa da família tradicional e oposição ao aborto.
Durante a corrida presidencial, De la Espriella não escondeu sua admiração por líderes internacionais da nova direita, citando frequentemente o presidente argentino Javier Milei como uma de suas referências.
Controvérsias e Liberdade de Imprensa
A trajetória do novo presidente também é cercada de polêmicas. Organizações de defesa dos direitos humanos e de imprensa, como a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), já manifestaram preocupação com o histórico de ações judiciais movidas por ele contra jornalistas e colunistas, alertando para possíveis riscos à liberdade de expressão no país.
O presidente eleito também enfrentou desgaste na campanha por declarações consideradas machistas e comportamentos agressivos em entrevistas, episódios que o levaram a emitir pedidos públicos de desculpas em determinados momentos da disputa.
Transição e posse
Abelardo de la Espriella assume o comando da Colômbia em um cenário de profunda polarização política. O processo de transição de poder com o governo de Gustavo Petro deve começar nos próximos dias, preparando o país para a troca de comando que ocorrerá oficialmente em agosto.
Publicado em: Política



