Definitivamente é conveniente que o governo Federal faça a reestatização da antiga CVRD, que ficou conhecida apenas como Vale, como quis o consórcio de empresas internacionais que comprou a companhia a preço de banana.
Já está mais que na hora da Vale voltar a ser CVRD com total domínio do povo brasileiro. Ao longo dos últimos anos, inúmeras experiências mostraram que, para enfrentar os impactos e as violações causadas pela Vale, é necessária articulação urgente de todos os seguimentos brasileiros.
Existem várias informações que embasam as denúncias que levam a empresa a voltar a ser administrada pelo governo brasileiro. Os fatos e os estudos de caso são concretos, o que realmente vem acontecendo à população e ao meio ambiente no entorno dos empreendimentos da empresa, assim como aos seus trabalhadores e aos calotes as empresas que prestam serviço a Vale estrangeira. Além de dar voz àquelas pessoas que sofrem diariamente com a atuação da mineradora – sejam comunidades próximas, desapropriadas por estarem em áreas em que a empresa busca se instalar, seja seus trabalhadores demitidos – é preciso construir e disseminar informações com o objetivo de consolidar e fortalecer estratégias políticas comuns de enfrentamento para que a empresa volte a ser genuinamente brasileira.
E é justamente visando este enfrentamento e ao reconhecimento de processos de luta bem sucedidos que se pode ser construído um Dossiê de impactos e violações pela Vale.
Com a elaboração de um Dossiê bem argumentado, pode ser criada uma maior visibilidade ao outro “lado” dos empreendimentos da Vale. Aquela face que se mostra bem diferente da imagem de sucesso, desenvolvimento sustentável, solidariedade comunitária e redistribuição social dos dividendos propagados pela empresa.
Deve ser apresentado um documento que incluísse todos os lugares em que a Vale está presente. Porém aqui estão contidos alguns dos casos paradigmáticos, que possibilitam a articulação geral dos atingidos pela Vale. Isto por si só já constitui uma inovação e um mecanismo para quebrar os particularismos e fragmentações, juntando no mesmo espaço sindicatos, grupos de direitos humanos, advogados, movimentos sociais, ambientalistas, empresários, entre outros. Adicionalmente, permite ampliar a visibilidade das denúncias e estabelecer um maior diálogo desses grupos com a sociedade brasileira de um modo geral.
E, por fim, permite questionar a imagem que a Vale constrói de si no plano simbólico e que a coloca para a população como uma empresa genuinamente brasileira e cujas atividades de exploração só trazem benefícios para o país. Põe em xeque o orgulho nacional face “a Vale dos Brasileiros”.
O dossiê tem que ser um documento coletivo, construído a partir de múltiplas mãos, e em constante construção e aprimoramento. Entendemos sua publicação como um ponto de partida.
Vale ressaltar que a “Vale” é uma das maiores transnacionais brasileiras e a maior mineradora do mundo. Seu grupo empresarial é composto por pelo menos 27 empresas coligadas, controladas ou joint-ventures distribuídas em mais de 30 países, dentre eles Brasil, Angola, Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Indonésia, Moçambique, Nova Caledônia e Peru, nos quais desenvolvem atividades de prospecção e pesquisa mineral, mineração, operações industriais e logísticas.
Diante desse último parágrafo vale perguntar: Você acredita que todos esses países com participação ativa na Vale, o lucro da empresa fica todo no Brasil ou as fatias dessas nações são investidas em suas terras? Veja o antes e o depois e tire suas conclusões:
Publicado em: Governo
















