
Campeão de pedidos de impeachment de bolsonaristas no Congresso, o ministro supervisionou as eleições de 2022 enquanto estava à frente de inquéritos como o das fake news e das milícias digitais no Supremo e interviu em momentos críticos como as operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em redutos lulistas durante o segundo turno, quando ameaçou prender o diretor-geral da instituição caso os bloqueios nas rodovias não fossem desfeitos.
Em 2026, decisões do magistrado já implodiram o palanque de Flávio no seu estado natal, o Rio de Janeiro. Mais recentemente, a restrição às visitas do pré-candidato ao pai na prisão domiciliar até o intervalo entre o primeiro e o segundo turno impôs um obstáculo à participação do ex-presidente nas articulações da campanha do filho 01, desde alianças regionais do PL até a definição de sua companheira de chapa.
O veto ainda pode ser revertido na Corte, mas já serviu para colocar novamente o ministro e o próprio Supremo na mira do bolsonarismo. Na última quarta-feira (15), Flávio acusou Moraes de “ultrapassar mais um limite” e de “interferir” nas eleições de outubro. No início da semana, acusou a Corte de perseguir politicamente o clã em uma live repleta de palavrões.
Operações da PF em série
Entretanto, decisões do magistrado já vinham provocando desgaste dentro da direita. Como relator da ADPF das Favelas, processo que teve como desdobramento novas apurações sobre os tentáculos do crime organizado no estado, Alexandre de Moraes determinou a prisão do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), que era o candidato de Flávio para o governo do estado na eleição deste ano.
Com Bacellar fora do jogo, o clã escolheu Douglas Ruas, atual presidente da Alerj, como o pré-candidato do PL ao Palácio Guanabara.
Depois da PF apontar o favorecimento do Grupo Refit, considerado o maior sonegador de impostos do país, em sua gestão, Castro foi alvo de outra operação policial no âmbito do inquérito do Banco Master e anunciou que não concorrerá mais a senador. Ele foi substituído nesta semana pelo senador incumbente Carlos Portinho, líder do PL na Casa e que tentará a reeleição.
Até o primeiro turno, em 4 de outubro, os inquéritos que têm Moraes à frente devem disparar novas flechas na direção de bolsonaristas. Nos bastidores da política fluminense e do próprio PL, é dado como certo que novos deputados estaduais receberão visitas da PF, e há o temor de que as investigações avancem cada vez mais na direção do núcleo político de Flávio.
A medida pegou a direita de surpresa, já que o texto da anistia, relatado por um aliado de Moraes, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), foi considerado muito brando pelos bolsonaristas mais radicais. Eles acabaram votando a favor do projeto após um apelo direto do ex-presidente.



