E tome imposto!!!! Governo arrecada mais, mas o rombo cresce ainda mais

Postado por Caio Hostilio em 31/jul/2026 - Sem Comentários

Previdência puxa déficit de junho para 48,2 bilhões de reais. Receitas sobem, mas despesas públicas crescem em ritmo ainda mais forte

As contas do governo brasileiro fecharam junho no vermelho pelo segundo mês seguido, e o resultado reforça um problema que já dura o primeiro semestre inteiro: o país arrecada mais, mas gasta ainda mais rápido.

Segundo o Tesouro Nacional, o rombo nas contas públicas somou 48,2 bilhões de reais no mês, valor que representou aumento em relação ao mesmo mês de 2025 e é o maior déficit registrado para o mês desde 2023, em valores corrigidos pela inflação.

O resultado reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Sozinha, a Previdência Social concentrou a maior parte do rombo, com despesas em benefícios superando de longe as receitas do sistema.

No acumulado do primeiro semestre, o rombo chegou a 92,2 bilhões de reais, o pior resultado para o período desde a pandemia, em 2020. Nos últimos 12 meses, o déficit acumulado chegou a 144,1 bilhões, equivalente a 1,08% do PIB.

E a arrecadação não parou de crescer. As receitas líquidas do governo cresceram 10,3% em junho, impulsionadas em grande parte pelo desempenho dos tributos administrados pela Receita Federal.

O problema é que as despesas cresceram em ritmo parecido, e no acumulado do ano já sobem 12,3% acima da inflação, quase o dobro do avanço das receitas.

Uma fatia importante desse gasto extra vem dos investimentos públicos, que saltaram quase 66% no ano, segundo dados do Tesouro Nacional, um movimento típico de ano eleitoral, quando o governo costuma acelerar obras e repasses.

Ao mesmo tempo, uma fonte de dinheiro extra que ajudou o caixa em 2025, os dividendos pagos por estatais, praticamente secou: caiu de quase 25 bilhões de reais para pouco mais de 10 bilhões neste ano.

Para o mercado financeiro, o número em si não trouxe grande surpresa, mas mantém acesa a desconfiança dos investidores, inclusive internacionais, sobre até onde vai esse ritmo crescente de gastos públicos.

A meta oficial do governo para 2026 prevê um superávit primário equivalente a 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.

“Embora os indicadores recentes de inflação mostrem sinais claros de desaceleração, a política fiscal segue atuando em sentido contrário à política monetária. Em outras palavras, o resultado confirma que o principal desafio macroeconômico permanece sendo a coordenação entre uma política monetária ainda restritiva (juros altos) e uma política fiscal que continua significativamente expansionista (muitos gastos), analisa Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence/DTVM.

Por o antagonista

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