“Ninguém fala do Brasil hoje. A gente não está no radar de ninguém”, diz David Vélez, cofundador e presidente do Nubank
Se os primeiros dois anos do terceiro mandato de Lula (foto) não foram lá muito animadores, a ponto de deixar boa parte do Brasil desconfiada com qualquer movimento, os dois últimos devem ser ainda piores, a julgar pelo que dizem os economistas.
“Os investidores não acreditam que o governo vai fazer qualquer coisa importante para reduzir despesas ou pelo menos fazer com que elas parem de crescer. Isso gera pressão inflacionária. E uma parte grande do problema tem a ver com a política de aumento real [acima da inflação] do salário mínimo, que indexa gastos obrigatórios, transferências sociais”, disse José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, em entrevista ao Estadão.
Inflação
Segundo Camargo, parte do ajuste fiscal que o governo não está disposto a fazer vai ocorrer via aumento da inflação, porque isso diminui a dívida pública em termos reais. “É um calote disfarçado, num certo sentido. Você está diminuindo o valor da dívida [com a inflação mais alta]. Os possuidores da dívida, aqueles que comparam títulos com taxa de juros fixa lá atrás, vão perder”, explicou.
Questionado, o economista fez sua previsão sobre o que deve ocorrer a partir de agora:
“Provavelmente o Banco Central, o Executivo e o Ministério da Fazenda vão entrar em um acordo e vão fazer com que o Banco Central aceite uma taxa de inflação um pouco maior do que a meta. Na nossa avaliação, a gente vai ter uma taxa de inflação de 5,7% em 2025 e de 7,2% em 2026. Ainda assim, o Banco Central vai reduzir a taxa de juros a partir de 2026. Vai fechar 2026 com uma taxa de juros de 13,25% ao ano.”
Recessão técnica
É nesse contexto que Bradesco, Ativa Investimentos, Monte Bravo, Nova Futura, Tendências e BV já trabalham com a perspectiva de recessão técnica, dois trimestres consecutivos de contração do PIB.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as vendas do varejo e o volume de serviços prestados caíram mais do que o esperado em novembro, quando os empregos com carteira assinada gerados também foram menores do que o esperado. Isso indica que a economia brasileira está esfriando.
Fuga de investimentos
Isso tudo reflete no exterior. “Ninguém fala do Brasil hoje. A gente não está no radar de ninguém”, constatou David Vélez, cofundador e presidente do Nubank. Segundo ele, o Brasil está fora do radar dos investidores que participam do Fórum Econômico Mundial, como registra o Valor.
“Muito investidor saiu [do Brasil] e já perdeu a confiança. E uma vez que essa confiança é perdida, é difícil recobrar a confiança”, comentou Vélez, ao lamentar a situação fiscal do governo.
Lula prometeu para 2025 a colheita que não conseguiu entregar em 2024, mas ninguém parece enxergar valor naquilo que o petista alega ter plantado.
Publicado em: Política


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