O ex-ministro do Meio Ambiente e ex-deputado federal José Sarney Filho, o Zequinha Sarney, recebeu em março uma transferência de R$ 7,5 milhões do empresário Maurício Camisotti, um dos principais investigados na Farra do INSS.
Segundo o RIF, elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa que fez o pagamento a José Sarney Filho era abastecida por entidades de fachada de Camisotti, responsáveis por descontos ilegais em benefícios de aposentados.
“Suspeitamos que a empresa (Rede Mais Saúde) é utilizada para blindagem do patrimônio da família Camisotti, sendo possivelmente abastecida por verbas oriundas do esquema de descontos ilegais na folha de pagamento de aposentados”, diz um trecho do RIF.
Após a publicação da reportagem, Sarney Filho disse que sua consultoria fechou contrato com uma empresa que é administrada pelo filho de Camisotti, e não pelo próprio Maurício Camisotti. Disse ainda que o contrato nada tem a ver com o INSS.
Perguntado sobre o que faz sua consultoria, o ex-ministro disse: “Criei recentemente. É uma consultoria de assuntos administrativos, de muitas coisas. É bem ampla, bem legal”.
A SF Consulting, empresa que recebeu o pagamento, foi aberta em março de 2023. Zequinha Sarney é o único proprietário. A sede fica na Asa Norte, em Brasília (DF).
A reportagem também não conseguiu contato com Maurício Camisotti, que está preso desde meados do mês passado.
Maurício Camisotti é um dos principais investigados na Farra do INSS. O empresário é dono de várias empresas da área de seguros e planos de saúde. Foi preso pela Polícia Federal em 12 de setembro deste ano e deverá ser ouvido pela CPMI do INSS — o pedido para sua oitiva foi aprovado na quinta-feira (2/10).
Segundo a PF, Camisotti controlava três entidades que, juntas, receberam mais de R$ 1 bilhão desde 2021 no esquema de descontos sobre aposentados.
Aberta em junho de 2012, a Rede Mais Saúde é uma entre dezenas de CNPJs ligados a Maurício Camisotti e seus familiares. A administração está em nome de Paulo Otávio Montalvão Camisotti, filho de Maurício.
À época da prisão de Camisotti, a defesa alegou que não há qualquer motivo que justifique sua prisão no âmbito da operação relacionada à investigação de fraudes no INSS. Os advogados disseram que houve arbitrariedade cometida durante a ação policial.
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