
O contingenciamento de R$ 4,3 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa para este ano paralisou as principais operações do Exército brasileiro de monitoramento e combate ao crime organizado nas fronteiras do país. A informação foi revelada nesta segunda-feira (8) pela CNN Brasil.
Do montante total congelado pelo governo federal, cerca de R$ 1,5 bilhão seria destinado especificamente à Força Terrestre, que lidera as ações de segurança e soberania nacional nas divisas com outros países da América do Sul.
Tensão diplomática e vácuo na segurança
A interrupção das patrulhas ocorre em um momento de sensibilidade diplomática e de segurança na região. Recentemente, o governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — as duas maiores facções criminosas do Brasil — como organizações terroristas.
Embora o governo brasileiro conteste formalmente essa designação, fontes militares alertam que o corte de verbas enfraquece o combate justamente onde essas facções são mais fortes: nas rotas internacionais de suprimentos.
“A maior parte da engrenagem financeira e logística dessas facções depende da vulnerabilidade das fronteiras, onde controlam o tráfico de armas, drogas, o contrabando e o garimpo ilegal”, revelou uma fonte militar sob condição de anonimato.
O impacto prático: Operação Ágata na mira
As ações de contenção são coordenadas estrategicamente pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) e pelo Comando Militar do Oeste (CMO). Essas regiões fazem divisa com os maiores produtores de cocaína do mundo, servindo como a principal porta de entrada de entorpecentes no território nacional.
A principal prejudicada pelo apagão orçamentário é a Operação Ágata, considerada a espinha dorsal do combate aos crimes transfronteiriços. O balanço mais recente da operação traduz o tamanho do prejuízo com a paralisação:
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Apreensões: Mais de 15 toneladas de drogas interceptadas apenas este ano.
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Combate ao garimpo: 62 dragas de extração ilegal de minério foram neutralizadas.
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Logística clandestina: 117 balsas utilizadas por criminosos foram paralisadas na região amazônica.
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