Na outra ponta, o principal adversário de Lula na disputa, Flávio Bolsonaro (PL), registrou alta de 12 pontos percentuais no mesmo segmento do eleitorado. Já a parcela de entrevistados que declarou voto em branco, nulo ou em nenhum dos dois candidatos cresceu 4 pontos percentuais.
Segundo o cientista político Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, o levantamento, realizado entre os dias 10 e 12 de julho, reflete um eleitor que já não considera políticas de caráter populista suficientes para orientar decisão de voto, especialmente diante de um cenário econômico desafiador.
“Hoje o eleitorado se preocupa com outros assuntos, além de haver um cansaço em relação a Lula. A população vem se mostrando preocupada com aspectos econômicos do país, como a inflação, o preço dos alimentos e o custo de vida em geral”, afirma.
Embora o IPCA tenha registrado alta de 0,16% no último mês — influenciado pela desaceleração dos preços dos alimentos e que sinaliza um possível alívio inflacionário — Daniel Duque, pesquisador de Economia Aplicada do FGV/Ibre, ressalta que a inflação acumulada entre 2023 e 2026 já supera os 15%.
Na avaliação do economista, beneficiários do Bolsa Família podem estar mais insatisfeitos com os resultados das políticas econômicas adotadas pelo governo ao longo desse período.
Além disso, Duque destaca que, desde o início do atual mandato, o Bolsa Família não recebeu reajustes. “Também tem sido realizado um pente-fino lento, mas consistente, entre os beneficiários do programa, o que tem provocado impacto financeiro sobre essas famílias”, explica.
Na visão de Aragão, soma-se a isso o fato de que o Bolsa Família deixou de ser visto como uma política vinculada a um governo específico e passou a ser percebido como uma política de estado. “Depois de Lula e Dilma, os governos que sucederam o PT não extinguiram os programas sociais.”
O que não significa, no entanto, que as políticas sociais tenham perdido relevância. O atual adversário de Lula, Flávio Bolsonaro, afirmou durante o período pré-eleitoral que manterá o Bolsa Família caso seja eleito.
Os dados da pesquisa também sugerem que o eleitorado está menos suscetível a ser influenciado apenas por propostas de campanha.
Na avaliação de Aragão, iniciativas anunciadas pelo governo Lula neste ano, como o Desenrola 2.0, o Move Brasil, o Gás do Povo e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, não foram suficientes para impulsionar a popularidade do presidente.
De acordo com o cientista político, o eleitor se tornou mais “complexo” e passou a considerar um conjunto maior de fatores na hora de escolher um candidato. Para ele, esse movimento também ajuda a explicar o crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro e em outros nomes da direita.
“Desde 2022, temos observado um avanço da centro-direita em regiões que, até então, eram redutos eleitorais do PT”, afirma.
A pesquisa Nexus/BTG entrevistou 2.003 eleitores por telefone entre os dias 10 e 12 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07981/2026.
Publicado em: Política



