A operação de desgaste contra o ministro André Mendonça é inédita na história do STF. Ele resiste e vai conservar o caso Lulinha consigo
O ministro André Mendonça é uma grande pedra no sapato dos políticos do STF. Está sob ataque cerrado deles, do diretor-geral da PF, do procurador-geral da República — e das cadelinhas na imprensa sempre dispostas a abanar o rabo em troca de petiscos.
Esses políticos do STF querem reeleger Lula para continuar dando as cartas no tribunal. Também querem evitar que o Senado faça uma maioria de direita — ou, pelo menos, uma maioria suficiente que possa resultar na abertura de um processo de impeachment contra um ou dois deles.
Está claro que foi com esse objetivo republicano que Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin organizaram o jantar que selou a paz entre Lula e Davi Alcolumbre.
O chefão petista precisava destravar pautas eleitoreiras que o senador amapaense segurava, como a do fim da escala 6×1; o senador amapaense quer permanecer na presidência do Senado, e isso será impossível se um oposicionista chegar ao Palácio do Planalto.
Existe ainda o pepino do Banco Master de Daniel Vorcaro: há implicados nos três poderes, e é preciso manter a PF e a PGR sob rédea curta com gente confiável no comando. Sob Lula, garante-se que tudo estará dominado como hoje.
O fato de André Mendonça ser relator do caso Master e também do caso da roubança de aposentados e pensionistas do INSS é um complicador e tanto, e por isso ele foi um dos pratos servidos no jantar magnífico. Discutiram como fragilizá-lo, segundo o jornalista Lauro Jardim.
O quadro é tão mais preocupante para tais defensores da democracia porque o INSS se desdobrou no caso do lobista Lulinha, o filho do presidente da República que mantinha uma sociedade oculta com a lobista Roberta Luchsinger. Suposto, supostamente, vá lá.
Ambos faziam negócios com o Careca do INSS e compraram a simpatia do ex-chefe de gabinete de Lula, o Marcola, que lhes ajudou a abrir portas no governo. Supostamente, supostamente, vá lá outra vez.
As relações perigosas de Lulinha com Roberta Luchsinger, contudo, já deixaram o terreno do suposto para a PF — ou, pelo menos, para aquela parte da PF que quer ir até o fim da investigação contra a vontade da direção-geral. Sob o chefão petista, a corporação está balcanizada.
Como Lula tem de ser reeleito, os políticos do STF e agregados correm para tentar tirar Lulinha da alçada de André Mendonça, antes que mais eleitores concluam que votar em Lula é votar nos mesmos esquemas de corrupção que corroem o país há mais de vinte anos.
O PGR Paulo Gonet descobriu agora que existe o juiz natural e quer que o ministro envie o inquérito que investiga o tráfico de influência de Lulinha para a primeira instância, visto que o filho de Lula não goza de prerrogativa de foro. Curiosamente, ainda não fez o mesmo com o outro inquérito contra Lulinha que foi parar nas mãos de Flávio Dino.
Enquanto isso, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, continua a boicotar André Mendonça. A coisa chegou a tal ponto que, se o ministro quisesse, poderia acusá-lo de obstrução de Justiça.
A pressão em cima de André Mendonça aumenta de todos os lados, e a ordem dada às cadelas da imprensa é compará-lo a Sergio Moro. Vai-se criando, assim, um clima de suspeição.
O plano é, no limite, sacar de alguma nulidade para reverter as decisões de André Mendonça nos processos sob a sua relatoria, assim como foi feito com o juiz da Lava Jato.
Até o momento, o ministro está aguentando firme a operação de destruição inédita na história do STF. Está decidido a conservar consigo o caso de Lulinha. Tem como um dos seus trunfos o fato de Roberta Luchsinger dar a entender, em uma das mensagens de WhatsApp apreendidas pela PF, que Lula sabia da sociedade oculta que ela mantinha com o seu filho e com Fernando Bittar, um dos supostos donos do tristemente famoso sítio de Atibaia.
É preciso apurar se a associação de ambos era mesmo do conhecimento de Lula, e ninguém mais do que o presidente da República tem prerrogativa de foro.
Na frente Master, André Mendonça tem uma batalha ainda mais dura pela frente. Ventila-se que o ministro já tem elementos suficientes para pedir autorização ao plenário do Supremo para abrir investigação contra Alexandre de Moraes, cuja mulher advogada assinou um contrato de inacreditáveis R$ 129 milhões com o banco de Daniel Vorcaro.
Mais do que uma grande pedra no sapato, André Mendonça é enorme pedra no caminho de toda essa gente, que, não menos importante, também visa a multiplicar-se no STF com os quatro nomes de reposição que o próximo presidente da República poderá indicar para o tribunal.
Por Metrópoles
Publicado em: Política



