O país vive em meio a um festival de mentiras vexatórias que, em tempos nem tão longínquos, causariam renúncia ou impeachment dos mentirosos
O país vive um festival de mentiras vexatórias que, em tempos nem tão longínquos, causariam renúncia ou impeachment dos mentirosos.
Para ficar nos embutes mais frescos, Alexandre de Moraes mentiu quando disse que nunca havia voado em um avião de Daniel Vorcaro, como mostra o vídeo do ministro desembarcando do Legacy do vigarista, no Rio de Janeiro, ao lado da mulher advogada, que divulgou nota para dizer que é tudo normal. (A imprensa chama o avião de “jatinho”, mas o Legacy é jato capaz de cruzar oceano.)
Quanto a Lula, também conhecido como “o incumbente”, ele mentiu quando disse que nunca viu mais gorda a “pilantra” Roberta Luchsinger, lobista que se apresentava como sócia do seu filho, o metafísico Lulinha.
Os jornalistas André Shalders e Andreza Matais, colegas de Metrópoles, noticiam que Roberta voou no avião presidencial, esteve na sala de Lula no Planalto e visitou pelo menos uma vez o Alvorada, a residência oficial do presidente da República.
Além das mentiras comprovadas, existem as zonas de sombra. Uma delas, a mais recente, é habitada pela advogada Dalide Corrêa, cujo escritório embolsou, em 2024, surpreendentes R$ 33 milhões do Banco Master.
Como já dito aqui na sexta-feira, em diálogos de diretores do Master, ela é citada como “canal direto com o STF”. Mas Dalide era ainda mais: de acordo com o jornalista Johanns Eller, o pessoal de Vorcaro a considerava sócia de Gilmar Mendes.
No sábado, o jornalista publicou o seguinte:
“Em dezembro de 2024, numa troca de mensagens em que Vorcaro discute com seu diretor jurídico, Luiz Rennó, cobranças de atrasados que Dalide vinha fazendo, o auxiliar escreveu para o chefe: ‘Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf! O Leandro sócio dela é muito complicado e eles operam com o BTG. Autoriza esse.’
A pressão frequente por repasses a Dalide consta no acervo do celular de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal. Os diálogos, obtidos com exclusividade pela equipe do blog, tratam de um atraso na liberação de uma fatura de R$ 15 milhões à advogada. Nesse caso, além da proximidade com Gilmar Mendes, o GM, pesava também uma suposta associação com o BTG Pactual de André Esteves, concorrente que o ex-banqueiro tinha como principal rival.”
O decano do STF nega que mantenha qualquer tipo de sociedade com Dalide, ex-diretora do IDP que foi durante muitos anos o seu braço direito. Ele também invoca, em sua defesa, que votou contra os interesses de Vorcaro quando foi chamado a fazê-lo.
Mas por que, então, o Master pagou R$ 33 milhões a Dalide? Será possível que os cupinchas de Vorcaro tenham sido enganados sobre a natureza da relação entre a advogada e Gilmar Mendes? Haveria outro ministro do Supremo com o qual Dalide seria canal direto?
É evidente que a bolada, as mensagens e o histórico da advogada exigiriam investigação, e investigação aprofundada, fosse o Brasil uma república de verdade, onde todos os cidadãos são iguais perante a lei.
Como não é, e isso ficou claríssimo naquele pesadelo nacional à guisa de sessão do Supremo que trataria do caso de Alexandre de Moraes, continuaremos a assistir ao festival de mentiras comprovadas e a conviver com as zonas de sombra. Até quando? Diga lá você, hipócrita leitor, meu semelhante, meu irmão.
Por Metrópoles
Publicado em: Política



