
As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmadas pelo Globo. Procurado, o ministério não se manifestou. A defesa de Lulinha afirma que ele “desconhece a natureza dos supostos pagamentos e não possui relação alguma com nenhuma irregularidade”. “Ele não pode se responsabilizar por pagamentos de terceiros”, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho. A defesa de Luchsinger disse que não comentaria “vazamentos ilegais e sem comprovação”.
Segundo a investigação, nos diálogos, Luchsinger enviou mensagem a um funcionário, Ulisses Barbosa, pedindo que fosse ao seu quarto e buscasse uma sacola com dinheiro: “Vc pega 60 mil por favor para fazer uns pagamentos pra mim ta”. Na mesma data, Ulisses enviou o comprovante de um depósito de R$ 20 mil na conta de um dos servidores, o secretário-executivo adjunto da pasta, Ranniêr Costa Ciríaco. De acordo com a PF, após fazer os depósitos, Barbosa encaminhou os comprovantes para Luchsinger. As transferências foram realizadas em 2023.
Contratos com o ministério
Após os pagamentos, no fim de 2023, a empresa 3Structure IT, que tem o empresário Cleber Ribas de Oliveira como sócio, firmou um contrato de R$ 31,2 milhões com o ministério, após vencer um pregão. Em abril deste ano, a empresa também firmou outro contrato, de R$ 19,2 milhões, com vigência até abril de 2031. A empresa atua na área de cibersegurança e proteção de dados.
Mensagens apreendidas no celular da lobista mostram que, em 24 de julho de 2023, Lulinha chegou a orientar Luchsinger a emitir uma nota fiscal para cobrar o sócio da empresa. “Emite a NF pro Cleber”, diz. “Já fiz”, responde Luchsinger. “Boaaaaa”, comemora Lulinha.
Em nota, a 3Structure disse que não tem conhecimento sobre os pagamentos. “Todos os contratos firmados pela empresa com o governo federal foram assinados em estrito cumprimento das normas aplicáveis às contratações públicas e submetidos a inúmeras instâncias decisórias, análises técnicas dos órgãos contratantes e auditorias do TCU”, afirmou a empresa.
Outras frentes
Em um dos inquéritos abertos no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, a PF apura se o filho do presidente atuou em negócios relacionados à Dataprev para beneficiar o empresário e prospectar contratos. Segundo a investigação, Oliveira teria pago ao menos uma viagem de Lulinha.
A lobista também fez pagamentos que somam R$ 217 mil para o ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Ele admitiu ter recebido os repasses, disse que se tratavam de um empréstimo pessoal e afirmou que os valores foram devolvidos
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