É indiscutível que Janones mente, no grupo de WhatsApp e fora dele, e o TSE deveria aproveitar o ensejo para nunca mais tratar de fake news
O grupo de WhatsApp “Exército do Lula”, comandado por André Janones (Rede-MG à esquerda na foto), virou motivo de controvérsia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, o proibiu, por espalhar fake news. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal, e Nunes Marques determinou que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE se manifestasse.
Não há dúvida de que Janones promove fake news no grupo — e não apenas nesse grupo, como ele mesmo já se gabou várias vezes de fazer, inclusive nesta eleição. A instrução enviada na manhã desta segunda-feira, 12. Dia da Criança e feriado de Nossa Senhora Aparecida, é prova disso.
“Direcionamento de hoje pela manhã é reforçar o respeito de Lula pelas religiões e de que respeitar todas, sem nunca ter usado o nome de Deus em vão pra se eleger nem se aproveitado da fé das pessoas”, diz a mensagem Janones, que já contém uma primeira mentira, porque Lula usou, nesta mesma eleição, a falsa polêmica de Nossa Senhora para fazer campanha.
“Também vale levar a reflexão. Tem 30 anos que eles falam que Lula vai fechar igrejas , não só nunca fechou como foi ele quem criou a marcha pra Jesus. Enfim, na parte da manhã, vamos aproveitar o feriado pra reforçar o assunto, também lembrar o respeito dele pela padroeira do Brasil”, segue a instrução do deputado, com mais uma mentira evidente.
Não foi Lula que criou a Marcha para Jesus. Ele apenas sancionou uma lei, de autoria do então senador Marcelo Crivella, em 2009, que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
O evento religioso já existia há 16 anos quando essa lei foi sancionada, e Lula nunca esteve na Marcha para Jesus — o advogado-geral da União, Jorge Messias, tem sido seu representante.
Fake news
Após mais de sete anos de batalha cotidiana obsessiva dos tribunais superiores contra fake news, simbolizada por um inquérito relatado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, os juízes responsáveis pelo combate à desinformação parecem ter relaxado.
Flávio Dino despachou por cima do TSE para permitir a circulação das fake news sobre Nossa Senhora, chegando a oficializá-la ao pedir uma investigação sobre uma fantasiosa onda de ataques a símbolos religioso; e, agora, o corregedor-geral eleitoral libera a atuação de Janones, ao contrário do que fez Moraes ao bloquear a rede social X inteira no Brasil durante a eleição de 2024.
Já que os próprios juízes não conseguem concordar sobre aquilo que pode ou não ser publicado e alguns deles decidiram, de uma eleição para a outra, mudar os critérios, talvez seja o caso de abandonarem essa dura missão de decidir o que pode ou não ser publicado em período eleitoral.
A Justiça Eleitoral já se enrolou demais desde 2022 e, como já ficou claro nesta campanha, só vai se afundar ainda mais se seguir decidindo de forma diferente de acordo com quem mentiu.
Por o antagonista
Publicado em: Política



