Dino e Moraes saem de trás da moita

Publicado em   28/out/2026
por  Caio Hostilio

Depois de passar o segundo turno estrategicamente adormecido, para não prejudicar Lula como no primeiro turno, STF acorda cheio de energia

Depois de passar o segundo turno estrategicamente adormecido, para não prejudicar Lula como ocorreu no primeiro turno, o Supremo Tribunal Federal (STF) despertou minutos antes do fechamento das urnas no domingo, 25.

Provocado pela campanha do petista, o ministro Cristiano Zanin passou por cima do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mandou estender por duas horas o período de votação, quando já nem era possível fazer cumprir essa ordem.

No dia seguinte, Alexandre de Moraes (foto) endossou pedido da Polícia Federal (PF) para apreender os passaportes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Um dia depois, Flávio Dino resolveu por conta própria, sem ser provocado, usando um processo sobre mineração, pedir a abertura de uma investigação sobre interferência estrangeira na eleição, a favor da campanha derrotada de Flávio, naturalmente — mas não normalmente.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse no dia da votação do primeiro turno que seria aberta uma investigação sobre interferência estrangeira, mas a questão foi arquivada após o resultado favorável para a direita naquela votação.

Esses mesmos ministros atuaram, junto com o decano Gilmar Mendes, para proteger Moraes de investigação sobre o caso do Banco Master na trágica sessão de 15 de setembro.

Autoproteção

Os movimentos desses ministros se confundem entre a autoproteção e o favorecimento de Lula, enxergado como aliado por motivos óbvios. Zanin foi advogado pessoal de Lula, Moraes é o maior algoz do bolsonarismo, derrotado agora pelo petista, e Dino foi ministro do atual governo.

Moraes tenta se proteger de um processo de impeachment, diante do avanço bolsonarista no Senado. Sem Flávio nas mãos, a cartada da ameaça de prisão acabou inviabilizada.

No caso de Dino, o movimento parece mais complexo.

Além de potencialmente enfraquecer a oposição, que se fortaleceu no Congresso Nacional, a investigação sobre interferência estrangeira alimenta a perspectiva, entre tantas outras atitudes do ministro, de que ele pode vir a deixar o STF para tentar a Presidência da República.

Contraste

O fato é que, por mais que a atuação de Flávio merecesse alguma investigação — e ele já fez coisas muito piores do que o caso sob investigação — o despertar do STF soa exatamente como a perseguição alegada pelos bolsonaristas desde o julgamento da trama golpista.

Lula fez de tudo ao longo desta eleição: reajustou um programa social a 17 dias do primeiro turno, cancelou as apostas esportivas do dia para a noite, quebrando contratos, tentou iniciar uma guerra religiosa, disseminou mentiras abertamente, e usando as redes sociais com intensidade para isso.

Mas a reação do Judiciário, que o escudou em muitas dessas medidas eleitoreiras, vem apenas contra seu adversário. A oposição, aliás, cobra tratamento parecido ao de Flávio em relação a Fábio Luís Lula da Silva, o enrolado Lulinha, que se mudou para a Espanha faz tempo.

Lula não tem direito de ler errado o resultado das urnas, que não foram um endosso a sua política econômica desastrosa. O mesmo serve para o STF, cujos ministros se encolheram após a pancada sofrida no primeiro turno e, agora, parecem se sentir livres de novo para fazer o que quiserem.

Quem perde, em meio a essa batalha vulgar por sobrevivência, é o Brasil inteiro.

  Publicado em: Política

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