No Metrópoles Entrevista, governador Carlos Brandão destaca impactos do tarifaço e parceria com o governo federal

Publicado em   30/jul/2025
por  Caio Hostilio

O governador Carlos Brandão (PSB) foi o entrevistado do programa Metrópoles Entrevista, apresentado pelo jornalista Paulo Cappelli. Na conversa, tratou de temas centrais para o país e o Maranhão, como os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a importância da articulação com o governo federal, os avanços sociais no estado e o posicionamento político em relação às eleições de 2026.

Sobre o tarifaço anunciado pelos EUA, que eleva em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros, Brandão ressaltou que no Maranhão uma pequena parcela dos produtos passam pelo Porto do Itaqui para o mercado norte-americano.

“O Porto do Itaqui exporta soja e milho do Matopiba. A soja vai basicamente para a China. Parte do milho também vai para a China e a outra para a Espanha. Agora, as fábricas de celulose da Bahia e do Maranhão, que têm mais exportação para os Estados Unidos, serão atingidas pelo tarifaço. O impacto deve ser de 16% na venda de celulose nas operações dos dois estados”, explicou.

Brandão ainda esclareceu que o preço da importação de produtos americanos só sofrerá mudanças caso haja taxação recíproca do governo federal, medida que classificou como último alternativa. “Com relação à importação, 70% do combustível que chega ao Brasil entra pelo nosso porto. Desse total, 90% vai para o agro e 10% para os postos de gasolina. Se o governo reagir com tarifaço, teremos esse impacto”, pontuou.

Indagado sobre sua postura na questão levantada por Trump contra o Brasil, o governador reforçou a necessidade de união e diálogo entre os estados e o governo federal, destacando que o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin estão à frente da condução do tema.

“Teremos reunião com os governadores do Nordeste e com a presença do presidente Lula, para tomar conhecimento das providências do governo quanto ao tarifaço dos EUA. O governador Tarcísio está em outro campo, talvez não queira ser liderado pelo presidente Lula nesse processo. E eu, como sou liderado pelo presidente e pelo amigo Geraldo Alckmin, não acho conveniente sair na frente sem ouvir nossos líderes, que têm os elementos para compreender melhor o Brasil inteiro”, afirmou.

Ele defendeu uma resposta coordenada entre os estados, respeitando a liderança federal, e alertou para o risco de prejudicar setores produtivos e empresas brasileiras e norte-americanas.

“Eu vejo que, se os insumos brasileiros sofrerem aumento de tarifa, vai aumentar também o preço dos produtos finais feitos pelos Estados Unidos. Se isso atingir diretamente as empresas americanas, é possível que o presidente Trump recue, para evitar a perda de empregos e de competitividade”, avaliou Brandão.

Na área social, o governador destacou o impacto positivo das ações do presidente Lula no combate à extrema pobreza e reforçou os avanços do Maranhão nos últimos anos. Segundo ele, cerca de um milhão de maranhenses deixaram a extrema pobreza, contribuindo diretamente para a saída do Brasil do Mapa da Fome. Além disso, o programa Maranhão Livre da Fome vai atender mais 430 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social.

“Lançamos o programa com o cartão no valor de R$ 200, mais R$ 50 para cada filho de até 6 anos de idade. Reduzimos em 30% o ICMS da cesta básica para aumentar o poder de compra. Também oferecemos exames, óculos, cirurgias, medicamentos e qualificação profissional, em parceria com o Sistema S e outras empresas, para inserir as pessoas no mercado de trabalho”, explicou.

Ao ser questionado sobre as eleições de 2026, Brandão reafirmou que este ano será dedicado exclusivamente à gestão. Com mais de três mil obras entregues, ele reforçou que discutir sucessão agora colocaria o governo em pausa, o que não faz parte de sua conduta. “Permanecerei no cargo. O debate sobre candidatura só será feito no momento certo, em 2026”, disse, reforçando que é preciso foco na entrega de resultados.

O governador também ressaltou a força política do grupo que lidera, composto por 95% dos prefeitos e das bancadas estadual e federal, e defendeu que a condução desse processo precisa ser feita com responsabilidade e unidade.

Sobre sua relação com o ex-governador Flávio Dino, Brandão afirmou que houve um distanciamento natural, mas que mantém o respeito pelo ministro. Ele lembrou que contribuiu com o início de Dino na trajetória política, e que não houve problemas por não ter sido convidado para o casamento do ministro, em dezembro de 2024.

“Eu estou aqui, cuidando da gestão, e ele está cuidando de suas atividades no Supremo Tribunal Federal. Estamos afastados porque cada um cumpre suas funções: um na política, e o outro na Justiça”, comentou o governador.

Por fim, Brandão reforçou seu perfil municipalista e o diálogo com todos os campos políticos. Disse manter boas relações com prefeitos e prefeitas de todo o estado, independentemente de partidos ou ideologias, destacando que o trabalho em favor da população deve estar acima das disputas. “Tenho aliança com a esquerda, o centro e a direita. O importante é trabalhar para melhorar a vida do povo maranhense”, finalizou.

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Falta combinar com USA!!! Os itens que o governo Lula tenta poupar do ‘tarifaço’

Publicado em   29/jul/2025
por  Caio Hostilio

Os itens que o governo Lula tenta poupar do ‘tarifaço’

O governo Lula (PT) negocia a exclusão de alguns itens do ‘tarifaço’ americano de 50% sobre produtos brasileiros, entra em vigor nessa 6ª feira.

O Brasil também é o principal fornecedor de café para o mercado americano.

Para excluir os aviões da Embraer da lista de produtos sobretaxados, o governo alega que a fabricante brasileira importa peças dos EUA.Plano de proteção às empresas exportadoras

A equipe técnica do Ministério da Fazenda concluiu na semana passada um plano de proteção às empresas exportadoras.

Na segunda, 28, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi ao Palácio do Planalto, onde se reuniu com Lula e Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que tem chefiado as negociações com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.

O foco, no entanto, é negociar.

“Tem havido conversas. Então, aquilo que foi dito semana passada, [semana] retrasada, de que o Brasil não vai deixar a mesa de negociação em nenhum momento, está valendo e vai continuar valendo”, disse o ministro da Fazenda.

O plano de proteção das empresas aguarda o aval do presidente Lula.

Segundo o ministro, Lula não tomará nenhuma decisão antes de conhecer o ato executivo dos EUA.

“Não sabemos nem a decisão que vai ser tomada. Possivelmente, a gente espera que não seja unilateral no dia 1º. Então, nós vamos insistir de que a medida não seja unilateral por parte dos Estados Unidos”, afirmou.

Por Metrópoles

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Camarão não abre mão em ser pré-candidato ao governo e sequer deixará a vice-governadoria…

Publicado em   29/jul/2025
por  Caio Hostilio

O presidente do PT/MA, em entrevista na TV Mirante, espera que todos estejam juntos em 2026. O PT é um partido bem pragmático, pois vai com àquele que melhor estiver eleitoralmente e com grandes chances de se eleger.

Assim foi na época em que Roseana disputou as eleições do governo do Maranhão (2010) contra Flávio Dino, Jackson Lago etc. É importante lembrar que o vice ficou com Washington do PT!!!

O lado que esperneou terminou ficando a ver navios!!!

Filipe Camarão aposta que será o escolhido pelo PT para disputar as eleições de 2026 ao cargo de governador, por avisa que continuará na vice-governadoria e que será o candidato ao governo do Maranhão.

Ele chegou a afirmar que agora e ele e Lula.

Será que terá total apoio político?

Lula não é de embarcar em canoa furada!!!

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Troca acordo por ataques e ideologia!!! Indústria de madeira tem férias coletivas e demissões no Brasil por tarifaço de Trump

Publicado em   29/jul/2025
por  Caio Hostilio

A fabricante de produtos à base de madeira Millpar anunciou férias coletivas de 15 dias para 640 funcionários da unidade de Guarapuava, no centro do Paraná. A medida, divulgada na última semana, atinge 57,7% do total de colaboradores da empresa, que somam 1.109 trabalhadores distribuídos entre as plantas de Guarapuava e Quedas do Iguaçu.

Segundo a assessoria de imprensa da companhia, a decisão está diretamente ligada à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, que entrou em vigor recentemente. O mercado norte-americano é o principal destino dos produtos da Millpar.

Produção direcionada para exportação

A empresa produz molduras, guarnições, rodapés, forros, painéis para embalagens, componentes para escadas, janelas, móveis e outros itens à base de madeira. Grande parte da produção é voltada à exportação, e o setor de manufatura de produtos exportados foi o mais afetado pelas férias coletivas.

Possibilidade de estender a medida

A indústria não descartou ampliar as férias coletivas a mais trabalhadores nas próximas semanas. A decisão dependerá da evolução das negociações comerciais e dos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.

A medida atinge, por enquanto, apenas a planta de Guarapuava. A unidade de Quedas do Iguaçu, localizada no centro-sul paranaense, mantém as operações normalmente.

Setor madeireiro paranaense depende do mercado norte-americano

De acordo com a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), o Paraná está entre os principais exportadores de produtos de madeira para os Estados Unidos. O setor gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos no estado, considerando trabalhadores florestais e empregados nas indústrias do segmento.

Em 2024, as exportações paranaenses de produtos florestais, como molduras, painéis compensados, madeira serrada e celulose, ultrapassaram US$ 627 milhões. A expectativa é que as tarifas impostas pelos Estados Unidos possam reduzir o volume exportado nos próximos meses.

Contexto das tarifas dos EUA

As novas tarifas foram anunciadas pelo governo norte-americano como parte do pacote de medidas comerciais do presidente Donald Trump. O tarifaço de 50% atinge uma série de produtos brasileiros e impacta diretamente empresas que dependem das vendas para os Estados Unidos.

A situação já provocou reação de setores produtivos e do governo brasileiro, que busca reverter a decisão por meio de negociações diplomáticas. Uma comitiva de parlamentares e representantes do Itamaraty está nos EUA para tentar abrir um canal de diálogo.

A Millpar, cuja produção é fortemente direcionada ao mercado externo, se junta a outras empresas que avaliam ajustes para lidar com a perda de competitividade causada pelas tarifas. Caso as sobretaxas sejam mantidas, a expectativa de associações do setor é que o impacto possa se refletir no emprego e na geração de renda em toda a cadeia florestal do Paraná.

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Montadoras avisam Lula que vão demitir se vier pacote pró-China

Publicado em   29/jul/2025
por  Caio Hostilio

Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis enviaram carta ao presidente em 15 de junho e até agora não receberam resposta; empresas reclamam do incentivo para sistema SKD, quando peças vêm do exterior e nada é fabricado no país

montadoras

Os presidentes das 4 principais montadoras que atuam no Brasil escreveram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 15 de junho de 2025, falando sobre o forte impacto que uma medida pronta para ser adotada causará no setor. A mando do Palácio do Planalto e sob coordenação do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), a administração petista pretende baixar uma norma para incentivar a produção de carros cujas peças e componentes são 100% produzidos no exterior.

As empresas mais beneficiadas devem ser as montadoras chinesas. Por esse sistema conhecido como SKD (Semi Knocked Down), a empresa quase nunca contrata fornecedores no Brasil e a geração de empregos é muito pequena. Leia a íntegra da carta. (PDF – 8Kb).

Assinaram a carta: Ciro Possobom, da Volkswagen; Evandro Maggio, presidente da Toyota; Emanuele Cappellano, da Stellantis; Santiago Chamorro, da GM (General Motors).

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Caxias e seu aniversário e sua importância histórica e cultural…

Publicado em   29/jul/2025
por  Caio Hostilio

O prefeito Gentil Neto acerta ao garantir que o aniversário de Caxias deve ser comemorando com glamour, com honraria por todos os caxienses, haja vista que a cidade é um marco histórico do Brasil.

Com um olhar visionário, Gentil Neto acerta, também, em querer ver o empreendedorismo ser pujante nesse aniversário de Caxias, cujas pessoas se preparem para os show no comércio e nos serviços oferecidos pelos caxienses, visando, com isso, a circulação do dinheiro na cidade.

Vale lembrar que Caxias tem um comércio dinâmico e serviços de qualidade!!!

“A cidade faz aniversário, e quem ganha é o povo! Vamos celebrar nossa história com alegria, música boa e valorizando quem faz nossa economia girar: o comércio local! Tradição, cultura e desenvolvimento andam juntos, e essa festa é a prova disso! “, garantiu Gentil Neto.

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Carlos Brandão afirma que ficará até o final do seu mantado de governador… A oposição entra em desespero!!!

Publicado em   28/jul/2025
por  Caio Hostilio

Conforme esse blog já havia dito na matéria “Brandão agiu certo por optar em ficar até o fim do seu mandato…“, onde analisou que “A conjuntura política atual no Maranhão é confusa e cheia de idas e vindas, cujas as circunstâncias fazem com quê o governador Carlos Brandão tome esse atitude…. Com certeza a chapa majoritária apoiada pelo governador Carlos Brandão tem grande chance de ser eleita e, assim, mostrar que as opções pela atual oposição foram erradas, visto que na política decisões e escolhas visando o poder pode dar com os burros n’água.

Na verdade, queriam governar e até mesmo liderar a eleição de 2026, deixando, com isso, o governador Carlos Brandão de tudo, sendo apenas uma rainha da Inglaterra.

Por sua vez, Carlos Brandão teve personalidade, caráter e, principalmente, disposição para agir a tempo e, assim, tomar as rédeas da condução das eleições de 2026.

Sua decisão enfurece a oposição que até um dia desses comandavam secretarias no governo Carlos Brandão, mostrando que ainda esperavam a desistência do governador e dando o comando do estado em suas mãos.

O tiro saiu pela culatra!!!

Aí vem a hipocrisia de um deputado, que disse que Carlos Brandão ficará no cargo para exercer um certa liderança. Ora bolas, será que esse deputado esqueceu que José Reinaldo se manteve no governo até o fim para eleger seu sucessor, com seu consórcio de candidatos? Inclusive que um parente próximo seu foi um dos candidatos laranjas ao governo? Também, esquece que foi daí que surgiram votos para que Flávio Dino se elegesse deputado federal, que desses votos vieram de Carlos Brandão?

A história é tão recente!!! Será que subestima a inteligência dos maranhenses ao apostar que eles não se lembram mais?

É brincadeira!!!

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Gasta mais que arrecada!!! Dívida Pública Federal Dispara Para R$ 7,88 Trilhões em Junho e Supera Teto Anual

Publicado em   28/jul/2025
por  Caio Hostilio

A dívida pública federal (DPF) subiu 2,77% em junho e atingiu R$ 7,88 trilhões, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (28) pelo Tesouro Nacional. Em maio, o valor era de R$ 7,67 trilhões. Com o avanço, o estoque da dívida ultrapassou a faixa projetada para o ano, que previa um intervalo entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões.

De acordo com o Relatório Mensal da Dívida Pública, o crescimento foi impulsionado por uma emissão líquida de títulos no valor de R$ 154 bilhões e pela incorporação de R$ 65,1 bilhões em juros. A dívida pública federal é utilizada pelo governo para financiar o déficit das contas públicas.

Apesar da alta, o custo médio da dívida acumulado em 12 meses caiu de 11,73% ao ano, em maio, para 11,41% em junho. Em contrapartida, o custo médio das novas emissões da dívida interna subiu de 13,38% para 13,52% ao ano.

O Tesouro também apontou que fatores externos influenciaram o comportamento do mercado em junho. O acordo comercial preliminar entre Estados Unidos e China, por exemplo, aumentou o apetite dos investidores por ativos de maior risco. Além disso, a queda dos juros futuros refletiu a política monetária e as condições do mercado global.

Enquanto isso, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que considera os débitos da União, estados e municípios, além de passivos com o Banco Central, alcançou R$ 9,3 trilhões em maio, o equivalente a 76,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O dado, divulgado pelo Banco Central em janeiro, representa uma alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. A atualização referente a junho será divulgada na próxima quinta-feira (31).

A reserva de liquidez — valor disponível em caixa para honrar os compromissos da dívida — atingiu R$ 1,03 trilhão em junho, crescimento de 19,64% em relação a maio (R$ 861,3 bilhões). Segundo o Tesouro, esse montante é suficiente para cobrir o pagamento da dívida pelos próximos 8,44 meses. Em maio, a reserva garantia cobertura para 8,77 meses.

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Essa mordaça seria programada??? Bolsonaro reclama: “Sendo atacado de tudo e não posso me defender”… Lula aproveita e o chama de “coisa”…

Publicado em   28/jul/2025
por  Caio Hostilio

Lula chama Bolsonaro de “0 coisa” e o ridiculariza.

Bolsonaro reclamou, na manhã desta segunda-feira (28/7), que estaria “sendo atacado de tudo”

Bolsonaro está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem de cumprir outras medidas restritivas, como não usar as redes sociais nem sair de casa à noite e nos fins de semana.

Ele é réu na ação que apura suposta trama golpista contra a última eleição de Lula (PT) e está sendo julgado, mas essas cautelares dizem respeito a outro inquérito: o ex-presidente é investigado por suspeita de colaborar com a atuação política de seu filho Eduardo nos Estados Unidos, com o objetivo de impor sanções contra autoridades brasileiras.

Moraes já disse que Bolsonaro está livre para dar entrevistas à imprensa, mas o veto ao uso dessas falas nas redes sociais, inclusive por terceiros, tem levado o ex-presidente a evitar dar declarações públicas mais elaboradas.

Enquanto isso, Lula e seus aliados aproveitam para atacar, xingar e agredir verbalmente o ex-presidente.

  Publicado em: Política

Tristeza!!! Facções criminosas transformaram destinos turísticos do Nordeste em um grande negócio

Publicado em   28/jul/2025
por  Caio Hostilio

Jericoacoara, Pipa e Porto de Galinhas têm presença de facções no litoral nordestino© Caroline Souza/BBC

Coqueiros, águas mornas, frutos do mar… Venda de drogas à luz do dia, “olheiros” monitorando as esquinas, assassinatos violentos e uma vida local dominada pelo poder paralelo das facções. Essa descrição hoje serve para três dos principais (e mais bonitos) destinos turísticos de praia do Nordeste brasileiro: Porto de Galinhas, em Pernambuco; Pipa, no Rio Grande do Norte; e Jericoacoara, no Ceará.

E as semelhanças não param por aí. Praias mais famosas de seus respectivos Estados, as três mantêm um certo clima de tranquilidade, com regras do crime organizado para coibir roubos contra aqueles que as visitam – uma forma de não afastar os turistas que movimentam a economia e o tráfico na região.

Para quem mora ali, porém, a presença e a crueldade das facções são bastante conhecidas, das ameaças a quem não cumprir ordens e decapitações aos pontos de venda em espaços centrais das vilas, segundo moradores, autoridades e pesquisadores com quem a BBC News Brasil conversou nas últimas semanas.

“O Estado vende isso aqui como o paraíso, mas não garante o mínimo para a população. O assunto é ainda abafado na cidade, porque não se pode falar mal para não correr o risco perder turistas”, diz Carla, uma moradora de Jericoacoara.

“É normalizado. Você sabe sempre quem é o olheiro, o pistoleiro ou o gerente de boca, e interage com eles todos os dias, no mercado, na rua, nos bares”, resume Ricardo, morador de Porto de Galinhas.O nome de todos os moradores foram alterados na reportagem para garantir a segurança deles.

Além das três praias, também há notícias de grupos criminosos atuando em outros destinos populares no Nordeste, como São Miguel dos Milagres, em Alagoas, e na região de Trancoso e Caraíva, na Bahia.

Por trás do cenário de violência, está o processo de expansão das facções pelo Brasil, antes restritas às grandes cidades e fronteiras, e a alta circulação de dinheiro nessas vilas que concentram festas e turistas de alto poder aquisitivo.

“São como filiais do negócio de drogas. O descontrole desde a fronteira, passando pelos grupos de Rio e São Paulo, deságua aqui”, resume o promotor de Justiça Eduardo Leal dos Santos, de Ipojuca, cidade do Grande Recife onde está localizada a praia de Porto de Galinhas.

“E elas encontraram nesses destinos do Nordeste uma alta concentração de renda, com turismo ligado a festas e uso recreativo de drogas o ano inteiro. São também cidades com muito movimento, mas com estrutura de cidade pequena, com poucos policiais e pouca presença do poder público”, completa Santos.

Só uma caderneta apreendida pela Polícia Civil com um traficante na praia pernambucana mostrou uma movimentação de quase R$ 10 milhões por ano, segundo um inquérito concluído no fim de 2022.

Apesar da presença em geral fora dos olhos de turistas, o domínio das facções tem repercutido nos últimos anos diante de casos de repercussão nacional que escancaram a força dos grupos.

Em Jericoacoara, por exemplo, o assassinato de um turista de 16 anos de São Paulo, em dezembro de 2024, ganhou as manchetes pelo Brasil.

Segundo a conclusão da Polícia Civil do Ceará, ele foi confundido pelo Comando Vermelho, facção que domina a praia, como membro de um grupo rival paulista. O jovem não tinha ligação com grupos criminosos – e a polícia chegou a investigar se um gesto que ele fez com as mãos para tirar uma foto teria sido o motivo para o crime.

“Ele estava com o pai na praça e resolveu voltar sozinho para a pousada. No caminho ele foi abordado por esse grupo de pessoas que atribuíram a ele, ninguém sabe por qual motivo, a participação nessa organização criminosa”, disse na época o diretor da Polícia Civil, Marcos Aurélio França.

No mesmo mês, em Pipa, um triplo homicídio na principal rua da vila, a Avenida Baía dos Golfinhos, causou pavor entre os moradores e turistas.

Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, os crimes, bem na esquina da delegacia local, foram motivados por uma briga entre facções criminosas rivais.

“Um novo grupo criminoso queria entrar em Pipa, mas durou pouco a investida”, disse uma fonte policial à BBC News Brasil. O grupo que se mantém dominante ali é o Sindicato do Crime, surgido no Rio Grande do Norte.

Já em Porto de Galinhas, em 2022, numa demonstração de força que até hoje está na mente dos moradores, estradas foram bloqueadas e o comércio fechou as portas após ordem da facção local, a Trem Bala.

O toque de recolher aconteceu após uma operação da Polícia Militar contra a facção acabar com a morte de uma criança de 6 anos, vítima de bala perdida.

Na última sexta-feira (18/07), em um novo caso recente, um jovem foi morto em Porto após trocar tiros com policiais.

Mas como cada uma dessas praias chegou a esse ponto?

Porto de Galinhas: câmeras do crime e vidros abaixados

Porto de Galinhas© Getty Images

A pouco mais de um quilômetro das piscinas naturais que deram fama internacional a Porto de Galinhas, a vida é controlada sob olhos atentos da facção que surgiu no litoral pernambucano, a Trem Bala – mais recentemente conhecida como Comando do Litoral Sul.

Nas comunidades de Salinas, Socó e Pantanal, onde vive grande parte da força de trabalho da praia, moradores são proibidos de chamar a polícia, câmeras instaladas na rua pelas gangues monitoram o movimento de quem entra e sai e agentes públicos precisam baixar os vidros de carros e se identificarem para acessar a região, segundo fontes disseram à BBC News Brasil.

O grupo Trem Bala domina outras praias no Litoral Sul de Pernambuco, começando no Cabo de Santo Agostinho, cidade que está na 5ª colocação entre as cidades mais violentas do Brasil em 2024, segundo dados recém-divulgados no Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A cidade seria justamente um local de disputa entre o Trem Bala e outros grupos que atuam mais próximos do Recife.

Em Ipojuca, onde está Porto de Galinhas, os números de violência são menores, desde um pico de assassinatos em 2017.

“São baixos por não haver mais disputa entre grupos, o que reduz as mortes. Não é porque é seguro, é porque não tem mais outra facção para disputar”, disse uma fonte policial à BBC News Brasil.

Em Porto de Galinhas, segundo essa fonte e moradores, há leis informais da facção que proíbem roubos e brigas nas ruas.

“Diferenças com mau pagamentos, divisão de terras, discussões de vizinhos, som alto, tudo deve passar pela facção”, relata Ricardo, morador.

Em um caso que chegou à Promotoria da Criança de Ipojuca, uma menina com menos de 18 anos foi torturada até a morte por praticar pequenos furtos.

O promotor Eduardo Leal dos Santos relata a prática de um tribunal do crime a quem descumpre alguma ordem ou tente deixar o grupo. “Tem uma cultura de decapitar mediante tiro de escopetas calibre 12. Do peito para cima, não sobra nada”, diz.

Armas e drogas apreendidas em Porto de Galinhas© Polícia Civil

A Polícia Civil já encontrou também cemitérios clandestinos em regiões de mangue, onde são enterrados os julgados pelo tribunal por “burlar” leis próprias, como comercializar drogas sem a autorização dos líderes e ser informante da polícia.

Além disso, há um controle para que crimes contra turistas não sejam cometidos, como assaltos.

O promotor Eduardo Santos explica que esse controle ocorre pelo receio de prejudicar o negócio.

“Assim, você vai parar a receita deles e atrair a polícia”, diz.

Mas nem sempre é assim.

Luzia, uma ex-empresária da região, preferiu se mudar de Porto de Galinhas após um dia receber uma ordem da facção para fechar as portas de seu negócio. Começou a ter crises de ansiedade por morar ali.

“Eu vi os homens com armas na minha porta, gritando, algo horrível”. Ela descreve o dia do toque de recolher em 2022, quando uma menina foi assassinada numa operação policial.

Os três dias de tensão escancararam a força da facção, dominante desde 2019. O grupo tem ligações com a facção carioca Comando Vermelho, mas também compra drogas do PCC, segundo inquérito da Polícia Civil ao qual a BBC News Brasil teve acesso.

O pesquisador e sociólogo Eduardo Matos de Alencar, que trabalhou em projetos de segurança na prefeitura de Ipojuca e no governo de Pernambuco, diz que desde 2013 havia rumores de um grupo se organizando para controlar o território de Porto de Galinhas.

A situação chama a atenção desde o início porque Pernambuco é considerado um estado fracionado entre facções, sem grupos muito poderosos que controlam grandes territórios, como no Ceará ou Rio Grande do Norte, explica Alencar.

“Mas Porto de Galinhas tinha um mercado consumidor enorme e um território com muitas conexões por manguezais que facilitam fugas e transporte”, opina Alencar, presidente do Instituto Arrecifes e autor do livro De quem é o comando? O desafio de governar uma prisão no Brasil.

Porto de Galinhas também está na mesma cidade que o Porto de Suape, o principal de Pernambuco

Uma fonte do poder municipal de Ipojuca diz que a chegada dos grandes empreendimentos à região nos anos 2010, com seus milhares de trabalhadores, fortaleceu o tráfico de drogas

“Os empreendimentos tanto em Suape quanto na própria praia de Porto trouxe um ganho financeiro, mas um prejuízo social muito grande. Por incrível que pareça, esse aumento de renda não se reverteu em benefício à população”, diz Fernanda, que atua em projetos em Porto de Galinhas.

Piscinas naturais de Porto de Galinhas atraem milhões de turistas© Getty Images

A cidade de Ipojuca, com 99 mil habitantes, hoje tem o maior PIB per capita de Pernambuco, número que não se reflete nos índices sociais – só o 92º em taxa de escolarização no Estado, por exemplo.

Sem muita perspectiva de futuro, os mais jovens são facilmente aliciados pelo crime.

“É uma mão de obra extremamente barata para o tráfico. A gente recebe crianças sem perspectivas, sem sonhos”, diz o promotor Eduardo dos Santos, um dos criadores do projeto Voltar a Sonhar, que tenta fornecer atividades para jovens não ficarem ociosos.

“Quando o poder público age fazendo operações para prender, ele age no sintoma, não na causa”, completa.

Entre 2018 e 2022, somente em Ipojuca, foram realizadas prisões de ao menos cem pessoas vinculadas a organizações criminosas.

Mas essas operações, segundo fonte policial disse à BBC, acabam tendo um efeito indesejado. “A gente acaba prendendo os rivais, e essa facção [Trem Bala] cresce cada vez mais”.

Em nota, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco disse que “monitora a presença e coíbe a instalação e expansão dessas organizações”. Uma operação nacional coordenada pelo Estado em abril cumpriu 53 mandados de prisão.

Pipa: divisão de tarefas e monitoramento

Pipa é o destino mais badalado do Rio Grande do Norte© Getty Images

Na praia mais famosa do Rio Grande do Norte, Pipa, na cidade de Tibau do Sul, as tarefas do crime são cuidadosamente divididas.

“Só falta assinar a carteira, são organizados demais”, diz uma fonte da Polícia Civil do Estado à BBC News Brasil.

Entre os cargos, estão o “vapor”, que anda com bolsas carregadas de drogas para venda, e o “visão”, como são chamados os olheiros que ficam nas esquinas avaliando o movimento suspeito e identificando possíveis interessados.

Geralmente meninos muito jovens de regiões carentes, eles têm salário definido, trabalham em escalas de 12 horas por dia, sete dias corridos, com folgas nos dias seguintes. E também pagam uma mensalidade para serem membros do grupo criminoso.

“Você se sente observado por eles o tempo todo”, conta Cláudia, uma moradora local. Nos bares, o assunto costuma ser ignorado pelos moradores, e quem fala é aconselhado a silenciar.

Os jovens são todos membros do Sindicato do Crime, facção surgida no Rio Grande do Norte em 2013, dentro do Presídio de Alcaçuz, na Grande Natal – onde, cinco anos mais tarde, haveria um massacre com 27 mortos em um confronto do grupo com o PCC.

Após se expandir para fora da prisão, em Natal, o grupo seguiu o caminho da expansão pelo Estado, onde as forças de segurança são mais frágeis, explica a antropóloga Juliana Melo, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“O Rio Grande do Norte é pequeno, mas estratégico porque tem fiscalização fraca nos portos e pouca inteligência policial, com foco de punir. O Estado é o ponto mais próximo da Europa e está do lado do Ceará, outro ponto importante”, ressalta Melo.

Há uma estimativa de que hoje haja 20 mil filiados ao Sindicato do Crime no Estado, segundo uma fonte policial com familiaridade com o assunto disse à BBC News Brasil.

Quando a facção nasceu, já havia um plano de chegar logo a Pipa. Isso porque, segundo relato dessa fonte, dois de seus fundadores eram da região.

“Então a dominância da praia tinha valor simbólico e político para a facção”, diz.

Material encontrado com grupos criminosos em Pipa© Polícia Civil

Mas a chegada à praia também era estratégica, por conta da alta circulação de turistas de alto poder aquisitivo.

Muito além de destino paradisíaco, nos últimos anos Pipa se consolidou como um dos grandes pontos de festas do litoral nordestino.

“Essa facção vive basicamente do tráfico, e aqui virou polo de gente em buscas de festas e com uma vibe liberal, de uso não só de maconha, mas de drogas sintéticas”, completa a fonte.

Em Pipa, o tráfico era tão escancarado que chegou a ter uma “lojinha” para venda de drogas em uma galeria no centro da vila – fechada recentemente numa operação da Polícia Civil. Alguns serviços da praia também seriam controlados pelo poder paralelo.

Como em outras praias, o Sindicato do Crime tem seu próprio tribunal que “investiga, acusa, julga, pune e executa”, diz à BBC News Brasil um investigador.

Essa organização está prevista no próprio estatuto de criação do grupo, documento com 21 artigos ao qual a BBC News Brasil teve acesso.

O grupo estabelece um código de conduta rígido para manter “a ordem e o respeito dentro da comunidade” (ou “quebrada”). Entre as principais regras aos membros , estão proibições de agressões, traições afetivas (“talaricagem”), som alto à noite, vínculos com outros grupos e até uso de crack e do medicamento rivotril, “pelo efeito devastador que elas causam na vida de quem usa”. O remédio só é liberado por membros que demonstrem receita médica.

O documento estabelece que problemas devem ser resolvidos com os líderes locais e que os membros devem buscar sempre a “paz” na comunidade. Quem sai do grupo é proibido de seguir no crime.

“Às vezes, a gente é chamado para resolver algum problema como roubo, quando a gente chega no local, a facção já passou por lá e saiu”, conta a fonte policial.

Mas essa aparente tranquilidade é abalada quendo há rivalidade dentro da própria facção ou a chegada de um novo grupo.

“Antigamente, a gente sentia que a facção protegia a vida dos moradores aqui. Mas quando começa a disputa entre eles, tudo fica mais tenso”, diz Cláudia, moradora da região que acompanha de perto os casos.

O triplo homicídio de dezembro, em pleno centro da vila, ocorreu porque um novo grupo rival do Sindicato do Crime tentava se estabelecer na praia. Mas não conseguiu.

Recentes operações da Polícia prenderam líderes do grupo. Só em 2024, 97 pessoas foram presas. Segundo a Polícia, o prejuízo causado ao crime com apreensão de drogas foi de R$ 1,3 milhão – e o crime hoje estaria mais “desorganizado” na região.

Centrinho de Pipa recebe milhares de turistas por noite© Getty Images

Mas moradores e investigadores sabem que há uma facilidade de o grupo se reorganizar. “Quando a polícia desmantela, amanhã já tem outro líder”, diz Cláudia.

Em nota, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte disse que tem focado no combate a organizações criminosas, o que tem contribuído para a redução dos homicídios na região. No primeiro semestre, foram dois homicídios em Tibau do Sul.

“Generalizações que associem a localidade ao domínio de grupos criminosos devem ser rechaçadas”, diz a nota.

Jericoacoara: becos do tráfico e mudança no turismo

O caso do turista de São Paulo de 16 anos arrastado e assassinado na vila de Jericoacoara no fim de 2024 tem sido considerado um divisor de águas na praia cearense.

Situações de intimidação e agressão por membros do tráfico na vila estavam se multiplicando, segundo moradores, nos últimos três anos.

“A situação do turista que ganhou as manchetes já é algo recorrente que vemos aqui. Os meninos ficam nos becos, abordam turistas e agridem as pessoas. Teve caso de gente agredida só por olhar para eles. Mas os casos são abafados”, diz José, morador de Jijoca de Jericoacoara cujo trabalho o faz lidar com casos de violência na cidade.

“Existe um acordo entre os traficantes e os meninos que vendem (chamados de ‘meninos do corre’) para não mexer nos turistas, mas até isso estava saindo do controle”, completa.

Cenário rústico da vila de Jeri conquistou turistas© Getty Images

Depois da repercussão nacional, moradores dizem que a situação da praia foi forçada a se acalmar novamente, com menos presença clara dos grupos nas ruas. A ideia seria não manchar a imagem da praia.

A vila é dominada pelo Comando Vermelho, uma facção de origem no Rio de Janeiro e que se expandiu com “células” para Estados como o Ceará.

O grupo começou a se estabelecer na região em 2016, quando a cidade de Jijoca atingiu um pico no número de assassinatos, segundo dados do Atlas da Violência.

“Na época, havia rivalidade. Então, algumas facções saíram de cena e as coisas se acalmaram”, relata José

Segundo Artur Pires, pesquisador do laboratório de violência da Universidade Federal do Ceará, a chegada das facções a Jericoacoara também vem de um “processo natural” dos grupos criminosos no Estado do Ceará.

A presença mais ostensiva das facções no Ceará acontece a partir 2015, a partir da capital, Fortaleza. Logo depois, entre 2016 e 2017, elas avançam para o interior e litoral.

O Estado se tornou atrativo, diz Pires, pela proximidade geográfica dos EUA e Europa, o que reduziria os custos de transporte. Em fevereiro, por exemplo, a Receita Federal apreendeu 550 kg de cocaína em operações nos portos do Pecém e Mucuripe.

Outro fator, na avaliação do pesquisador, foi um policiamento mais ostensivo no Rio de Janeiro que fez membros de facções como o Comando Vermelho a se mudarem para o Ceará, inclusive para buscar novos mercados. Fortaleza, vale lembrar, é a quarta maior cidade do Brasil.

“As facções passam cada vez mais a serem geridas como um negócio. Eles pensam na diversidade na captação de recursos, que avança do tráfico de armas à internet”, diz Pires.

“Por ser a praia mais famosa do Ceará, com muitos turistas que podem pagar preços altos das drogas, Jeri acaba despertando muito a atenção das facções que querem o controle territorial da praia”, completa.

Em regiões como a Grande Fortaleza, confrontos entre o Comando Vermelho e outras facções, como a cearense Guardiões do Estado, causam uma espécie de disputa de território.

Numa recente entrevista àTV Verde Mares, o governador Elmano Freitas (PT) disse que o confrontos entre sete facções causam 90% dos homicídios no Ceará.

Nos dados recém-divulgados do Atlas da Violência, três cidades do Ceará aparecem entre as mais violentas do país, incluindo a primeira colocada, Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Em Jijoca de Jericoacoara, fações rivais ao Comando Vermelho não pisam, segundo moradores.

“A gente não tem essa sensação de que a qualquer hora vai ter um confronto, de facções rivais entrando na cidade, de que a polícia vai invadir as bocas de fumo. Temos a sensação de tranquilidade por conta desse acordo velado”, diz José.

“A população já se acostumou com essa lei do crime.”

Mas a violência aparece. No centro Jijoca de Jericoacoara, em março, uma mulher foi assassinada na frente da principal Igreja da cidade após receber “ordem” da facção para deixar cidade. Em dezembro, uma mulher e uma adolescente foram resgatadas do “tribunal do crime”, transmitido online.

Região saiu de uma vila pouco conhecida a um dos destinos mais desejados do Nordeste© Getty Images

Moradores antigos de Jericoacoara, uma vila pescadora que virou um dos destinos mais desejados do país, dizem que a mudança do perfil do próprio local contribuiu para o estabelecimento desses grupos.

“Antes aqui era um lugar de um turismo mais sustentável, gente que buscava conexão com natureza. Mas nos últimos anos virou turismo de entretenimento, que busca sexo, drogas e rock and roll. Existe demanda do público por produtos e serviços que as facções oferecem”, diz Carla, uma moradora.

O avanço massivo do turismo faz de Jericoacoara hoje ser líder em infrações ambientais no Brasil, com carros na areia e ‘sumiço’ de duna.

“Drogas sempre existiu, mas o público mudou e ampliou. Há cinco anos, o tráfico virou escancarado na rua”, completa Carla.

A moradora está considerando se mudar de Jericoacoara devido a repetidas crises de pânico causadas por episódios de violência vividos por ela e pela família.

A BBC News Brasil tentou contato com o governo do Ceará para posicionamento, mas não obteve resposta.

Por CNN

  Publicado em: Política

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